Vasco aponta contradições da dupla Fla-Flu para ter Maracanã contra o Boca
Vasco questiona argumentos sobre intervalo entre jogos, preservação do gramado e validade do Memorando de Entendimento.

O Vasco recorreu à Justiça para tentar garantir o Maracanã como palco da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, marcada para 20 de outubro. Na ação, o Clube questiona os argumentos apresentados pelo consórcio responsável pelo estádio, administrado por Flamengo e Fluminense, para rejeitar o pedido vascaíno.
Entre os principais pontos apresentados pela defesa está a alegação de que o intervalo entre os jogos não seria suficiente para justificar a negativa. O consórcio citou as partidas entre Fluminense e Santos, pelo Campeonato Brasileiro, em 18 de outubro, e Flamengo e Estudiantes, pela Libertadores, no dia 22. O confronto entre Vasco e Boca aconteceria justamente entre essas duas partidas, com 48 horas de diferença.
O Vasco, porém, relembra que o Maracanã já recebeu sequências de partidas com intervalo ainda menor. Segundo o clube, houve casos em maio em que jogos foram realizados em dias consecutivos, com apenas 24 horas entre dois confrontos.
– (…) A proximidade entre os jogos, isoladamente considerada, não oferece explicação coerente para a recusa, quando sequências de igual número de partidas, distribuídas em menor tempo total, foram acolhidas para Flamengo e Fluminense.
Gramado também entra na discussão
Outro ponto central da ação é a justificativa técnica apresentada pelo consórcio para barrar a realização da partida. A alegação foi de que a utilização do estádio poderia comprometer a preservação do gramado.
O Vasco anexou documentos da Greenleaf, empresa responsável pela manutenção do campo, para mostrar procedimentos e cronogramas utilizados na recuperação do gramado entre partidas. O clube também destacou a troca completa do campo realizada na última segunda-feira, após a realização do jogo da NFL no estádio.
Na avaliação apresentada à Justiça, a substituição do gramado teria alterado as condições que serviram de base para a negativa do Maracanã.
– (…) Essa renovação altera a própria premissa material da negativa, pois tanto as reclamações sobre a qualidade do piso quanto as referências ao desgaste acumulado ao longo do inverno dizem respeito ao campo que está sendo substituído.
O Cruzmaltino também questiona o fato de o estádio ter recebido shows, encontros religiosos e a partida da NFL, apesar da alegação de preservação do gramado para impedir a realização da semifinal da Sul-Americana.
Na petição, o Vasco cita o item 3.4 do Termo de Referência da concessão, que estabelece que deve-se “dar prioridade a eventos de futebol frente à realização de outros eventos”.
O Time de São Januário listou sete eventos realizados no Maracanã entre abril de 2025 e setembro de 2026:
- 18/04/2025 — Família ao Pé da Cruz — encontro religioso;
- 06/09/2025 — Juntas Conference — encontro religioso;
- 11/10/2025 — Sorriso Maroto – As Antigas — show musical;
- 03/01/2026 — Henrique & Juliano – Manifesto Musical — show musical;
- 03/04/2026 — Família ao Pé da Cruz — encontro religioso;
- 06/06/2026 — O Maior Encontro do Samba — show musical;
- 27/09/2026 — NFL Rio Game, com apresentações de Pedro Sampaio e Ricky Martin.
Na ação, o Vasco afirma:
– Ou seja, a CONCESSIONÁRIA admite a ocupação da área do gramado por palco, estruturas e público para um espetáculo musical, mas invoca a preservação desse campo para impedir uma semifinal da CONMEBOL.
São Januário e Nilton Santos
A defesa vascaína também argumenta que a busca pelo Maracanã não se trata apenas de uma preferência por um estádio de maior capacidade. O clube lembra que não poderá utilizar São Januário porque o regulamento da Conmebol estabelece capacidade mínima de 30 mil espectadores para partidas da semifinal da Sul-Americana.
Nesse cenário, o Vasco considera o Maracanã uma alternativa dentro do Rio de Janeiro que atende às exigências da entidade sul-americana.
O Clube também cita o Nilton Santos, estádio do Botafogo, mas sustenta que a arena não seria uma opção equivalente por possuir gramado sintético. A defesa destaca que o Vasco não disputou nenhuma partida da atual campanha da Sul-Americana nesse tipo de piso e argumenta que uma mudança de superfície poderia representar prejuízo técnico.
Memorando de Entendimento
O chamado Memorando de Entendimento entre Vasco, Flamengo e Fluminense também aparece na ação. O documento previa a possibilidade de o Cruzmaltino utilizar o Maracanã em quatro datas de 2026, além dos clássicos envolvendo os três clubes.
Nas negativas recentes, porém, o consórcio argumentou que não havia assinado o documento. O Vasco contesta essa versão e sustenta que Flamengo e Fluminense assinaram o acordo e, por serem os gestores do estádio, as assinaturas seriam suficientes para validar o entendimento.
O Gigante da Colina ainda aponta uma suposta contradição ao afirmar que o próprio consórcio já teria utilizado condições previstas no memorando em situações envolvendo jogos entre os clubes e também na negativa ao confronto contra o Boca Juniors.
Agora, o Vasco solicita uma tutela de urgência para obter uma decisão rápida sobre o caso. O prazo é considerado curto porque o clube precisa informar à Conmebol, até 5 de outubro, qual estádio do Rio de Janeiro receberá a partida contra o Boca Juniors.