Pedrinho explica voto do Vasco a favor da redução de estrangeiros no Brasileiro
Presidente do Vasco afirmou que decisão foi um "voto de confiança" na CBF e defende mudanças para valorizar jogadores formados no Brasil.

O presidente do Vasco, Pedrinho, explicou a decisão do clube de votar a favor da redução gradual do número de jogadores estrangeiros relacionados por partida no Campeonato Brasileiro. Segundo o dirigente, a escolha representou um “voto de confiança” na CBF e não significa uma concordância definitiva com a medida.
A mudança foi aprovada no dia 21 de setembro, durante reunião entre a CBF e os clubes das Séries A e B. A partir de 2027, o limite de estrangeiros relacionados por partida passará de nove para oito. A redução acontecerá de forma gradual até 2030, quando o número máximo chegará a cinco.
Além do Vasco, a maioria dos clubes votou pela proposta. Bahia e Flamengo foram os únicos representantes das duas principais divisões nacionais a se posicionarem contra a alteração.
O posicionamento do Vasco chamou atenção pela quantidade de estrangeiros que fazem parte do atual elenco. Em entrevista à CazéTV, Pedrinho explicou que o voto favorável foi uma demonstração de confiança na postura da entidade.
– A questão do meu voto a favor é um voto de confiança. Por tudo o que a CBF tem feito, ao procurar diálogo e ao nos ouvir. Tem erros e acertos, tal como eu também tenho erros e acertos aqui, mas percebemos que a CBF quer uma mudança. Portanto, foi um voto de confiança.
O presidente vascaíno, porém, afirmou que novas discussões devem acontecer antes que a medida seja consolidada. Na avaliação de Pedrinho, diminuir a quantidade de estrangeiros não é suficiente para aumentar a presença de atletas formados no Brasil.
– Eu acredito que vamos ter novas conversas. Eu acredito que este seja o melhor caminho para o conceito que eles querem? Acho que não. Porque não adianta reduzir o número de estrangeiros para ter mais jogadores formados na base.
Para o dirigente, uma das questões que precisam ser debatidas é a permanência dos jogadores formados nas categorias de base. Pedrinho afirmou que o Vasco trabalha na formação de atletas, mas encontra dificuldades para mantê-los no clube por períodos mais longos.
Por isso, ele defendeu uma mudança na duração mínima dos contratos dos jovens. Atualmente, segundo Pedrinho, a legislação permite vínculos de pelo menos três anos. A proposta seria ampliar esse período para cinco.
– Eu não posso ter um contrato mínimo de três anos. Faço um contrato mínimo de cinco anos, pois assim vou ter mais tempo com estes meninos a jogar aqui.
Outra alteração sugerida pelo presidente do Vasco envolve as multas rescisórias. Pedrinho citou o modelo atual, no qual o valor corresponde a duas mil vezes o salário do jogador, e defendeu que o montante seja elevado para quatro mil vezes.
Na visão do dirigente, uma multa maior poderia permitir que os clubes oferecessem salários iniciais menores aos jogadores, reduzindo também o risco de uma saída precoce.
– Se eu aumento o valor da multa, não preciso aumentar tanto o salário do menino e consigo sustentá-lo mentalmente para que ele não se perca por causa do dinheiro.
Pedrinho também mencionou a necessidade de mudanças nas regras de contratação durante o Campeonato Brasileiro. O presidente defendeu que os clubes tenham mais liberdade para contratar jogadores que já estejam atuando no futebol brasileiro.
Segundo ele, a ampliação da janela de transferências ou do número de partidas que um atleta pode disputar antes de ser contratado poderia aumentar as opções nacionais disponíveis aos clubes.
– Se a janela ficar aberta, se não houver limite ou se aumentarem o número de jogos para quinze, e eu puder contratar no Brasil, vou ter mais jogadores brasileiros.
Por fim, Pedrinho reforçou que o voto do Vasco não deve ser interpretado como um apoio definitivo à redução do limite de estrangeiros. O dirigente afirmou que o acordo poderá ser revisto caso outras mudanças discutidas com a CBF não sejam colocadas em prática.
Votei a favor, sabendo que vão existir outras conversas e que, se não fizermos estes ajustes, eu acho que isto não se vai manter de pé e podemos renegociar o número de estrangeiros.