Vasco pede empréstimo de R$ 150 milhões à Justiça e cita ‘colapso financeiro’
Diretoria do Vasco da Gama afirmou, em pedido, protocolado com urgência, que possui caixa para manter as operações por apenas sete dias.

A diretoria do Vasco recorreu novamente à Justiça do Rio de Janeiro para solicitar um empréstimo DIP, modalidade destinada a empresas em recuperação judicial. O pedido, protocolado com urgência nesta quinta-feira, prevê a liberação de até R$ 150 milhões para garantir o funcionamento do Clube.
O aporte seria realizado pelo empresário Marcos Lamacchia, da Almirante Participações, que aparece como favorito para assumir 90% da SAF Cruzmaltina.
Segundo a movimentação processual, o Vasco argumenta que enfrenta o risco de um “colapso” no fluxo financeiro. O clube afirma que o caixa disponível seria suficiente para manter as operações por no máximo sete dias, de acordo com as informações apresentadas no processo.
A situação financeira ocorre após uma série de operações recentes. Em 2025, a Justiça do Rio autorizou o Vasco a contratar R$ 80 milhões por meio de empréstimo. Já neste ano, o clube recebeu R$ 120 milhões pela negociação de Rayan com o Bournemouth e, posteriormente, contratou um novo empréstimo de R$ 40 milhões. Agora, a diretoria busca um valor mais elevado para garantir recursos até o fim da temporada.
Lamacchia tem preferência na negociação da SAF
A Almirante Participações e Empreendimentos S.A. está à frente do processo como investidor âncora e poderá apresentar uma proposta inicial pela SAF. A empresa também possui direito de preferência na disputa pela aquisição de 90% da companhia.
Caso a Crefisa apresente novamente uma oferta superior e com condições financeiras mais vantajosas, Lamacchia terá a possibilidade de igualar os valores para permanecer na frente da concorrência. A obrigação faz parte da negociação que prevê o compromisso do futuro investidor com a manutenção das contas do Vasco em dia.
O presidente Pedrinho explicou como funcionará o processo em caso de uma proposta concorrente.
– Havendo uma proposta maior, ele tem o direito de igualar essa proposta. Igualando, ele (Lamacchia) fecha o negócio. Se não tiver maior que a dele, a proposta dele vence e a gente vai para os ritos normais. Passando pelo Deliberativo, depois os votos na Assembleia Geral e finaliza a operação.
O dirigente também demonstrou confiança na possibilidade de conclusão da operação com a Almirante Participações.
– Estou confiante, otimista e empolgado. São valores muito importantes para a instituição. Não estou falando sobre o investimento agora e ganhar título ano que vem, pode acontecer, mas não é sobre isso. É sobre o contrato de um investidor com CNPJ no brasil, uma holding bilionária, a gente sabe do carinho que eles têm pela instituição. Vai ter um Vasco sem qualquer problema financeiro durante a sua existência.
Relatório aponta pressão sobre o caixa
A preocupação com a situação financeira do Vasco também aparece no relatório mensal elaborado pelo administrador judicial e divulgado no início de agosto. O documento apontou “forte pressão sobre o fluxo operacional” tanto do clube quanto da SAF.
A publicação do relatório faz parte das medidas determinadas pela Justiça após a intervenção na SAF do Vasco, ocorrida em junho. Posteriormente, o Judiciário recolocou Pedrinho no comando da empresa, em meio à crise administrativa e financeira que envolve o Clube.