Trio de reforços muda o patamar do Vasco na temporada

O trio Colidio, Sosa e Lescano vira chave no Vasco da Gama na temporada e recoloca o Clube na briga por títulos.

Colidio e Sosa ao lado de Admar Lopes durante a apresentação dos argentinos no Vasco
Colidio e Sosa ao lado de Admar Lopes durante a apresentação dos argentinos no Vasco (Foto: Matheus Lima/Vasco)

Eles chegaram há pouco tempo, mas já conquistaram o coração do torcedor vascaíno. O trio de reforços Colidio, Sosa e Lescano mudou o patamar do Vasco na temporada de 2026 e fez com que o time se recuperasse no Campeonato Brasileiro e se permitisse sonhar com a Copa Sul-Americana e a Copa do Brasil.

Fora dos gramados, parecem se conhecer há anos. Enquanto Colidio ficou no Rio, fora da Sul-Americana (ele não pôde ser inscrito) e em tratamento após sentir dores no jogo contra o Remo, Sosa e Lescano viajaram para a Argentina, onde receberam familiares no hotel, mataram a saudade dos mates e curtiram a companhia entre amigos.

Contra o Boca Juniors, pela ida da semifinal da Sul-Americana, o Vasco volta para a Argentina, berço do trio que subiu o nível do elenco vascaíno. Da capital Buenos Aires, o ge conta as origens de Colidio, Sosa e Lescano.

O inteligente e estudioso Sosa

Do trio, apenas Santiago Sosa nasceu perto de Buenos Aires. O volante é de La Plata, que fica a cerca de 60 quilômetros do grande centro da capital argentina. Ele deu os primeiros passos no Club Mercedes, o clube mais antigo do futebol argentino, em que ficou até se transferir para Buenos Aires, onde defendeu o clube do coração River Plate.

O ge entrevistou Juan Sosa e Valeria, pai e madrasta de Santiago Sosa, na Argentina. Eles comentaram sobre a expectativa para a partida e como foi acompanhar desde pequeno a trajetória do jogador do Vasco.

– Desde os três anos, ele não queria saber de outra coisa. O futebol era a sua maior paixão. Viajávamos para todos os lados, porque era a sua paixão. Era diferente do resto desde os cinco anos — disse Juan, que completou:

– A partida de amanhã tem um tempero a mais para nós. Somos torcedores do River. Esperamos que tenhamos o melhor resultado possível para que tudo saia bem.

Sosa chegou ao River Plate graças a um acaso, ou acontecimento do destino. Em 2010, quando tinha apenas 11 anos, o garoto viajava com a família, quando os pais do jogador conheceram um dentista que era amigo de Daniel Messina, coordenador das categorias juvenis do River. Os pais conseguiram fazer com que Sosa fizesse um teste, e deu tudo certo.

– Sinto muito orgulho e satisfação de ver o carinho que os torcedores do Vasco têm com Santi. Nunca imaginei que ele fosse para um time tão grande e com tanta torcida no Brasil. Orgulhoso de vê-lo com a camisa do Vasco — afirmou o pai do jogador.

– Sou madrastra de Santi desde seus quatro anos. Tenho todos os passos dele por cada clube. Todas as etapas da vida e a liderança que ele tem desde cedo. Sempre marcado por essa personalidade de conduzir grupos — disse Valeria.

Os relatos na base do Mercedes e do River Plate sempre chamaram atenção para algo que o torcedor do Vasco já vê em campo: a inteligência do jogador. Sosa foi elogiado desde cedo pelo seu entendimento do jogo. E a inteligência de Sosa vai para além dos gramados. “Santi”, como é chamado por amigos, é bastante estudioso e começou cedo a faculdade de Ciências Contábeis, enquanto também batalhava por um espaço no profissional do River.

Depois de realizar o sonho de se tornar profissional no River Plate, em que fez parte do elenco que conquistou a Libertadores de 2018 contra o Boca Juniors, Sosa foi para o Atlanta United. Após algumas temporadas, voltou ao futebol argentino, desta vez para o Racing, e virou um ídolo do clube. Com o Vasco, ele tenta repetir o feito de conquistar a Sul-Americana, título que conquistou em 2024, e terá o maior rival do clube do seu coração pelo caminho.

Lescano: do interior ao destaque nacional

Lescano é de San Carlos de Bolívar, uma cidade do interior agrícola da província de Buenos Aires. Fica a 335 quilômetros da capital. Nada que impedisse o jovem de chegar à elite do futebol argentino. O talento com a perna esquerda foi determinante desde cedo. Com classe para jogar, ele chamou a atenção desde cedo.

– Em Talleres de Bolívar começou muito cedo. Depois saltou para um clube formador chamado Balonpie Bolívar, que foi quem o deixou perto do Gimnasia de la Plata. Lá, ele seguiu a trajetória no futebol até o profissional — disse Luigi Casas, empresário e amigo do jogador, ao ge.

A benção da primeira chance no profissional não poderia ser de alguém maior para o futebol argentino. Diego Armando Maradona, que era técnico do Gimnasia de La Plata, viu o talento do meia canhoto e o lançou para o profissional.

– Foi um orgulho alguém como ele me dar essa oportunidade — disse Lescano em sua chegada ao Vasco.

A transferência de Lescano do Gimnasia para o Argentinos Juniors foi na metade de 2023. O Argentinos Juniors adquiriu uma porcentagem significativa dos direitos econômicos de Lescano, apostando numa potencial valorização e numa futura revenda.

Lescano não só rendeu um bom dinheiro aos cofres do Argentinos Juniors com a venda, como também se tornou a principal referência do clube, cujo estádio também se chama Diego Armando Maradona. Ele se tornou camisa 10 e capitão do time em menos de três anos, mesmo ainda muito jovem.

O talento já ficou claro para a torcida do Vasco. Desde que Lescano estreou, são dois gols em quatro jogos. O Vasco ainda não sabe o que é perder com o argentino em campo.

Colidio: revelado pelo Boca e apaixonado pelo River Plate

Facundo Colidio é da cidade de Rafaela, a mais de 500 quilometros da capital Buenos Aires. Da província de Santa Fé, a cidade tem forte ligação com o futebol. E assim é a história de Colidio desde cedo. Em frente ao estádio do Atlético Rafaela, time da cidade, começou a jogar futebol com quatro anos. Colidio queria ser goleiro como o irmão mais velho Gonzalo, mas aos poucos tomou gosto por fazer gols, inspirado no ídolo Cristiano Ronaldo.

Ele morou em Rafaela até os 14 anos. Durante algum tempo, ele jogava durante a semana pelo Atlético Rafaela e aos fins de semana pelo Boca Juniors. Somente em 2014 ele se mudou para Buenos Aires em definitivo, quando o Boca pagou 12 mil dólares para se acertar com o time da cidade natal de Colidio.

Dos 15 aos 20, Colidio foi figurinha carimbada em todas as convocações de seleções de base da Argentina. No Sub-15, conheceu um de seus melhores amigos no futebol, Benjamin Garré, que atuou no Vasco em 2024 e 2025. No Sub-20, era titular do ataque da seleção argentina, que tinha Sosa entre os selecionáveis e era comandada por Lionel Scaloni.

Colidio foi disputado por grandes clubes europeus. Há notícias de Juventus, Monaco, Real Madrid, Manchester City e PSG, mas Colidio escolheu a Inter de Milão, que tinha Javier Zanetti, lenda do futebol argentino, como vice-presidente. O Boca o vendeu por 8 milhões de dólares, mas Colidio teve pouco espaço na Inter e ficou mais restrito ao time B da equipe de Milão.

“Facu”, depois de ser emprestado ao futebol belga, voltou para o futebol argentino. Primeiro, para o Tigre, onde se destacou e chamou a atenção do River Plate, que o contratou em 2023. Apesar do histórico com o Boca, Colidio nunca escondeu o amor que tinha pelos millonarios. Em entrevistas recentes, ele deixou clara a insatisfação em não poder enfrentar o Boca Juniors na Sul-Americana pelo Vasco.

O impacto de Colidio foi imediato no Vasco, e isso explica a frustração do clube em não tê-lo nesta semifinal contra o Boca Juniors. Já são cinco participações em gols em dez partidas com a camisa vascaína.

Fonte: Globo Esporte

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