Jorginho Paulista fala sobre jogo entre Boca e Vasco e revela seu favorito
Jorginho Paulista reconheceu o equilíbrio entre Boca Juniors e Vasco da Gama e apontou seu favorito no duelo.

Boca Juniors e Vasco voltam a se encontrar nesta terça-feira (13) em uma semifinal da CONMEBOL Sul-Americana. Um brasileiro conhece muito bem os dois lados desse confronto: Jorginho Paulista.
O ex-lateral vestiu a camisa cruzmaltina antes de se transferir para o gigante argentino, em 2001, e viveu experiências marcantes em sua rápida passagem por Buenos Aires, onde conviveu com o amigo Juan Román Riquelme, conquistou o carinho da torcida e foi até vizinho do ministro da Economia.
Em entrevista exclusiva à ESPN, Jorginho revisitou momentos de sua passagem pelo país vizinho e deu seu palpite para o duelo que colocará frente a frente dois ex-companheiros e que hoje são presidentes dos dois times: Pedrinho e Riquelme.
A saída do Vasco para o Boca
Depois de construir uma trajetória com títulos importantes no Brasil e na Europa, Jorginho, revelado pelo Palmeiras, retornou ao Brasil por empréstimo junto a Udinese para defender o Vasco, em sua primeira passagem, em 2000, período em que fez parte de um elenco histórico. Ao lado de nomes como Romário, Juninho Pernambucano e Pedrinho, hoje à frente do clube, o ex-lateral conquistou o Campeonato Brasileiro e a Copa Mercosul.
As atuações pelo Cruzmaltino despertaram o interesse do lendário treinador xeneize Carlos Bianchi, que mesmo de longe, o acompanhava desde a goleada por 4 a 1 sobre o River Plate, pela Mercosul de 2000.
”O Bianchi virou para mim e falou: ‘A gente te segue desde o ano passado, desde que a gente começou a ver os seus jogos pelo Vasco, que jogaram lá no Monumental, ganharam de 4 a 1. Temos seguido esses primeiros jogos no primeiro semestre do Vasco”’, contou.
Foi então que em 2001, Jorginho teve um destino bem diferente dos jogadores da época: trocou o Brasil pela Argentina.
A chegada ao Boca Juniors marcou o início de uma experiência que combinou futebol, amizades e a convivência com um país que atravessava um dos períodos mais turbulentos de sua história. Para sua surpresa, porém, foi bem recebido a ponto até mesmo de ganhar uma música dos hermanos como forma de homenagem.
”Desde a minha chegada, eu fui totalmente bem recebido pelo grupo, não tive problema dentro do Boca Juniors. Antes de ir para o Boca, eu nunca tinha ouvido falar de jogadores brasileiros jogando na Argentina. E, logicamente, quando eu fui para lá, eu fui saber como era a vivência, o jogo”, contou.
”Eu tive até musiquinha quando eu cheguei. Não fiz gols, mas dei assistência. Eu não lembro, faz tanto tempo que eu não lembro, mas eu sei que fizeram uma musiquinha para mim”, lembrou.
A amizade com Riquelme
Além de cair nas graças da torcida xeneize, Jorginho encontrou no Boca nomes como Juan Román Riquelme e Guillermo Barros Schelotto, em um elenco que passava por uma reformulação após uma sequência de conquistas marcantes. A recepção, segundo ele, foi positiva desde o início, principalmente pela aproximação com Riquelme, que foi peça fundamental em sua adaptação.
“Ele (Riquelme) me levava para a casa dele, conheci a família, as filhas dele, que eram nenenzinhas na época, pai, mãe, esposa. Me trouxe mesmo para a minha adaptação o mais rápido possível”, contou.
”É um cara que a gente tem uma imagem de ser meio arrogante, mas ele me abraçou de uma forma… Se o camisa 10 me abraçou dessa forma, então os outros me aceitaram. Eu fui tão aceito por eles… Por ter jogado contra, depois estar do lado deles jogando e ganhar o respeito também nos treinamentos…Falavam: ‘O que veio fazer aqui?”, afirmou.
Os problemas além do futebol
A amizade com Riquelme e com o elenco do Boca ajudou a tornar a experiência ainda mais especial, mas a passagem de Jorginho pela Argentina também foi marcada por um episódio além das quatro linhas. Isso porque naquele ano, o país mergulhou em uma grave crise econômica e política, que provocou protestos nas ruas e instabilidade financeira.
Morando com a namorada no bairro da Recoleta, em Buenos Aires, o brasileiro acompanhou de perto os acontecimentos. Para completar, sua casa ficava na mesma rua de Domingo Cavallo, então ministro da Economia. A turbulência também atingiu diretamente o jogador, que tinha o salário estipulado em dólares e precisou lidar com os efeitos da desvalorização da moeda argentina.
“Eu morava na rua do ministro da Economia da época da Argentina, que era o ministro Cavallo. E peguei, então, essa revolução toda. Todo o meu contrato era em dólar. Teria que passar o mesmo valor a pesos argentinos, que deu a desvalorização”, relatou.
Foi então que a curta passagem de Jorginho Paulista pelo Boca Juniors chegou ao fim. Com os problemas políticos enfrentados na Argentina, a Udinese resolveu emprestá-lo para o Cruzeiro.
Ao todo, com a camisa do gigante argentino, o brasileiro deu uma assistência em 14 jogos disputados.
A Bombonera pulsando ou o Maracanã lotado?
Ao longo da carreira, Jorginho Paulista teve a oportunidade de disputar alguns dos maiores clássicos do futebol, no Brasil e na Europa, como Ajax x PSV, São Paulo x Corinthians e até mesmo Boca Juniors x River Plate, sendo este no Monumental. Ainda assim, nenhum desses jogos se compara, na visão do ex-lateral, à experiência de atuar no Maracanã lotado.
”Fui para o PSV da Holanda, joguei no Amsterdam Arena, Ajax x PSV, que é um grande clássico também. Joguei Vasco x Flamengo, joguei Athletico-PR x Coritiba, Boca x River no Monumental, São Paulo x Corinthians, São Paulo x Santos, enfim. Não tem igual ao que é jogar no Maracanã. Maraca com a geral ali, cheia, não tem igual, não. Eu joguei grandes superclássicos e falo que Flamengo x Vasco para mim é disparado”, afirmou.
Quem passa: Vasco ou Boca?
Com propriedade para falar sobre Vasco e Boca Juniors, Jorginho Paulista acredita que os dois clubes vão fazer uma semifinal em condições semelhantes. O ex-lateral fez questão de citar as críticas enfrentadas por Riquelme na presidência do Boca Juniors, assim como Pedrinho também sofre no Cruzmaltino. Para ele, apesar das dificuldades recentes, as equipes tendem a protagonizar um confronto equilibrado.
“De elenco, de jogo falado, eu vejo muito igual. Não vejo vantagem. Os momentos das duas equipes são iguais, de adversidade. Estão crescendo. Eu vejo um jogo muito parelho”, afirmou.
Apesar de reconhecer o equilíbrio do duelo, o ex-lateral não ficou em cima do muro ao apontar seu favorito.
“Só arrisco dizer que o Vasco passa. Pelo momento, pelo que eu venho observando, do aumento e do volume de jogo. Desse time que vem crescendo. Estão mais confiantes. E eu acho que são dois jogos, são 180 minutos, mas eu acho que o Vasco passa”, cravou.
“Tive momentos grandiosos, de batalha, a torcida do Vasco, o clube em si. O meu melhor momento na carreira foi no Vasco. Eu sou Vasco para caramba, apesar de eu sempre falar que eu sou palmeirense, que eu cresci dentro do Palmeiras”, concluiu.
Fonte: ESPN