SAF do Vasco: veja os próximos passos judiciais após saída de interventora

Após a renúncia de Samantha Mendes , Vasco tenta reverter intervenção e enfrenta novos capítulos na disputa judicial pela gestão do futebol.

Estádio de São Januário
Estádio de São Januário (Foto: Matheus Lima/Vasco)

Uma semana após a renúncia de Samantha Mendes Longo ao cargo de interventora da SAF do Vasco, o Clube avançou em sua tentativa de derrubar a intervenção determinada pela Justiça. Na noite desta segunda-feira (6), o Cruzmaltino protocolou um agravo de instrumento no Tribunal de Justiça do Rio para solicitar a suspensão da medida.

O recurso agora será analisado pelo TJ-RJ, que deverá decidir se concede ou não o efeito suspensivo pedido pelo Vasco. A decisão poderá interromper temporariamente a intervenção na SAF ou manter a determinação judicial em vigor até uma nova avaliação do caso.

A apresentação do agravo era vista como uma etapa essencial em um processo que se arrasta desde a saída de Pedrinho do comando da SAF. Antes disso, o Clube já havia apresentado uma solicitação para que a Justiça revogasse a intervenção, alegando que a medida provocou uma “paralisia estrutural” e agravou a crise institucional vivida pelo Vasco nos últimos dias.

A defesa do Vasco também utiliza como argumento o relatório elaborado pela própria Samantha Mendes Longo e entregue junto com sua carta de renúncia. No documento, a ex-interventora apontou que a companhia possui uma “estrutura de gestão adequada para a condução da Companhia”, embora tenha destacado a existência de problemas pontuais relacionados à governança.

Outro ponto citado pelo Vasco foi a identificação de Alexandre Cordeiro como integrante do Conselho de Administração da SAF. O vice-presidente de Relações Institucionais do clube teria sido empossado no colegiado em 10 de maio e, segundo o relatório, passou a integrar o grupo ao lado dos três conselheiros que haviam sido afastados.

Após a saída de Samantha, a Justiça determinou que a gestão emergencial da SAF vascaína ficaria sob responsabilidade da advogada Adriana Campos Conrado Zamponi e de Alexandre Cordeiro. A medida foi estabelecida para garantir a continuidade das atividades da empresa até uma nova decisão judicial.

No pedido apresentado ao tribunal, o Vasco afirma que a intervenção comprometeu o funcionamento do Conselho de Administração. O Gigante argumenta que, com o afastamento de três conselheiros, restou apenas um integrante em atividade, sem número suficiente para aprovar decisões, enquanto a associação estaria impedida de indicar novos representantes devido à própria determinação judicial.

O caso ganhou novos capítulos na última sexta-feira, quando a juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca, responsável por determinar a intervenção na SAF, declarou-se suspeita para continuar atuando no processo. Segundo o despacho, a magistrada identificou “fatos supervenientes que comprometeriam sua permanência no caso”.

Nesta segunda-feira, outro magistrado também se declarou impedido de analisar a ação. O juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira comunicou a decisão, e o processo será encaminhado para a 6ª Vara Empresarial, que ficará responsável pelos próximos desdobramentos.

Enquanto disputa a batalha judicial, o Vasco também tenta administrar a crise internamente. O Conselho de Beneméritos realizou uma reunião na última sexta-feira (3) com integrantes da diretoria administrativa para discutir a situação jurídica do clube, com participação de Pedrinho.

Após o encontro, o presidente do Conselho afirmou em entrevista ao portal GE que houve uma “união institucional”, embora tenha reforçado a necessidade de transparência no processo de venda do futebol.

O Clube alega ainda que a intervenção prejudicou negociações importantes durante a janela de transferências e dificultou a conclusão da venda da SAF para Marcos Lamacchia. Com orçamento limitado e necessidade de reforços financeiros, o Vasco busca resolver a instabilidade jurídica para avançar na chegada do novo investidor.

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