Impasse na SAF impediu retorno de Gabriel Pec ao Vasco
No agravo apresentado ao TJ-RJ, o Vasco da Gama afirma que a ausência de administradores com poderes para deliberar inviabilizou a negociação.

O Vasco informou, em recurso protocolado nesta segunda-feira (6), que a tentativa de repatriar o atacante Gabriel Pec durante a atual janela de transferências não avançou em razão do impasse na governança da SAF.
A alegação faz parte de um agravo de instrumento apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), por meio do qual o clube busca reverter a decisão que determinou a intervenção judicial na sociedade e afastou Pedrinho e outros dois integrantes do Conselho de Administração.
De acordo com o documento, a ausência de dirigentes com poderes para deliberar e formalizar compromissos em nome da SAF impediu a conclusão das negociações. O recurso cita Gabriel Pec como exemplo e afirma que, diante da impossibilidade de avançar com a operação, o atacante acertou sua transferência para o Cruzeiro em uma negociação avaliada em cerca de US$ 12 milhões.
O Vasco sustenta que a intervenção judicial provocou uma “paralisia estrutural da governança”, comprometendo decisões estratégicas em um período considerado decisivo por causa da janela de transferências. O Clube afirma ainda que uma operação de investimento bilionária está em fase final de negociação e depende da regularização da estrutura administrativa da SAF.
Agora, caberá ao Tribunal de Justiça do Rio analisar o pedido de efeito suspensivo apresentado pelo Vasco. Se o requerimento for aceito, a decisão que determinou a intervenção poderá ser suspensa até o julgamento definitivo do agravo.
O recurso foi apresentado contra a decisão da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que afastou Pedrinho e outros dois conselheiros da administração da SAF e nomeou uma interventora judicial. O agravo de instrumento é utilizado para contestar decisões tomadas no curso de um processo, antes da sentença final.
Na peça, o Vasco argumenta que a Justiça comum interferiu de forma indevida na gestão da SAF. O clube defende que as disputas relacionadas ao controle societário já são discutidas em procedimento arbitral conduzido pela Câmara de Arbitragem da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Além disso, o recurso afirma que os administradores afastados não tiveram oportunidade de exercer o direito de defesa antes da concessão da tutela de urgência. O Cruzmaltino também sustenta que os fundamentos utilizados para justificar a intervenção perderam força após o relatório elaborado pela própria interventora, Samantha Mendes Longo, antes de sua renúncia.
Como exemplo dos prejuízos causados pela medida, o Vasco aponta justamente a negociação envolvendo Gabriel Pec.
Segundo o Clube, o retorno do atacante vinha sendo tratado publicamente, mas a ausência de representantes legalmente habilitados para deliberar em nome da SAF inviabilizou o desfecho positivo da operação.
Posteriormente, o jogador deixou o Los Angeles Galaxy para acertar com o Cruzeiro por aproximadamente US$ 12 milhões.
Embora não tenha conseguido concretizar a contratação, o Gigante da Colina deverá receber uma compensação financeira pela transferência.
Isso porque o Clube manteve 30% dos direitos econômicos de Gabriel Pec quando negociou o atleta com o Los Angeles Galaxy, em 2024. Além disso, também terá direito aos valores previstos pelo mecanismo de solidariedade da FIFA, o que pode render cerca de R$ 21,7 milhões aos cofres vascaínos.