Eleições VN: Sérgio Frias fala sobre suas ideias para o Vasco em entrevista exclusiva

Em entrevista exclusiva ao site Vasco Notícias, o candidato à presidência do Vasco da Gama, Sérgio Frias, contou suas ideias para o Clube.

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Por Willams Meneses
-  13 de outubro de 2020 às 10:03-  Atualizada em 14 de outubro de 2020 às 10:33
Sérgio Frias é candidato à presidência do Vasco (Foto: Paulo Fernandes)

Restando pouco menos de um mês para a eleição do Vasco da Gama, marcada para 7 de novembro, o site Vasco Notícias retomará nesta terça-feira (13) com as entrevistas com os candidatos à presidência, onde contarão o pretendem fazer caso assumam o Clube.

Há alguns meses, o site conversou com os pré-candidatos Fred Lopes e Luis Manuel Fernandes, que agora integraram outras chapas. O primeiro faz parte da ‘No Rumo Certo’, que tem como candidato o presidente Alexandre Campello, e o segundo do projeto ‘Somamos’, de Leven Siano.

O personagem nessa retomada de entrevistas é Sérgio Frias, do Casaca!, que lidera a chapa denominada de ‘Aqui é Vasco!’. Com exclusividade, o benemérito, pesquisador, professor, palestrante e autor do livro ‘Eurico Miranda Todos Contra Ele’, contou as suas ideias para o Gigante.

No começo da campanha eleitoral, o Casaca! esteve ao lado de Luis Manuel Fernandes. No entanto, a situação mudou na semana passada e o grupo anunciou a sua candidatura na eleição 2020. O que motivou tal mudança, passando de apoio para candidato?

– Já era sabido por todos que acompanham o Casaca! o que ocorreria caso o ex-candidato resolvesse aceitar uma composição com outro qualquer sem que fosse ele na cabeça de chapa. A nossa decisão foi natural e previsível para quem conhece a forma de conduta do Casaca!.

Desde o ano passado, o Casaca! deixou claro que entraria na disputa eleitoral somente com uma candidatura própria, e não apenas apoiando outro. Qual o motivo para isso?

– Nós estávamos apoiando uma candidatura. A candidatura própria era um plano B, caso o nome de apoio resolvesse não vir candidato. Fomos coerentes.

Estão abertos caso outras chapas queiram se juntar a vocês até a eleição?

– Conosco na cabeça não há qualquer problema em conversarmos.

É uma eleição que se apresenta com uma expectativa de grande equilíbrio entre os candidatos, o que causa dificuldade até para apontar um favorito. Um fator para isso é ausência, depois de muitos anos, de Eurico Miranda, falecido no ano passado, que tinha uma forte base de apoio. Como você analisa esse primeiro processo eleitoral sem a figura do ex-presidente?

– Saiu-se da polarização para a fragmentação. Inúmeros grupos e pouca ideologia. As 150 cadeiras do Conselho Deliberativo se tornaram artigos de negociações infinitas e razões que justificam inúmeros fisiologismos de ocasião.

Falando no ex-presidente, como se sabe, ao longo de sua vida política em São Januário, principalmente nos últimos anos, ele dividiu opiniões e ficou entre o amor e ódio de muitos vascaínos. Você, analisando todo o trabalho dele pelo Clube, aponta quais os legados que ele deixou no Vasco?

– Enfrentamento, crença na força e potencial do Vasco, dedicação ao clube, valorização institucional, trabalho, muita paixão e sólido amor pela causa.

Gigante por natureza, o Vasco tem vivido anos complicados neste século, e muita culpa disso é colocada, por parte da torcida e adversários políticos, no Eurico Miranda e no Casaca! como um todo. O que você pode apontar como causa para esses anos ruins do Clube, que vive sérios problemas financeiros e tem tido rendimento fracos em relação ao futebol?

– Os anos em que o Vasco, neste século, não teve Eurico Miranda gerindo-o, porque quem o substituiu não tinha e não tem a capacidade dele. Quanto ao Casaca!, causou bronca em muitos, porque sistematicamente comprovou estar certo em sua análise, sem se preocupar com a maré ser boa ou ruim. Não capitulou ao “modus operandi” da mídia alternativa, que defendia loucamente a gestão MUV. Todos passaram e o Casaca! ficou. Base sólida, preceitos claros, atitude reta e coerência. Isso incomoda a muitos.

Outro fator diferente nesta eleição é que será a primeira vez em quase 100 que o presidente será escolhido de forma direta pelos sócios. O que você e todo o grupo acham de tal mudança?

– A diferença, em termos práticos, é zero a curto prazo. Perder uma eleição na Lagoa com teóricos 4/5 dos conselheiros eleitos é próximo do bizarro. Jamais na história do clube, em eleições indiretas, uma chapa foi dividida entre dois grupos que se xingavam a duas semanas da junção. A longo prazo, o poderio econômico de algum alucinado, que tenha virado vascaíno fanático por conveniência, pode ser prejudicial ao clube. A porta para aventureiros está escancarada e o discurso do aventureiro, do outsider é o mais confortável de todos, porque ele, de fora, tem todas as soluções, parceiros, investidores. O problema é quando chega lá dentro.

E em relação aos sócios anistiados, são a favor ou contra que participem da votação?

– Todos os sócios gerais que pagarem a totalidade de seu débito para com o clube, norteando-se isso no artigo 42 do estatuto, podem votar ou, até mesmo, serem votados.

Como antes estava alinhado com outro candidato e decidiu agora entrar na disputa pela presidência, é natural que muitos torcedores imaginem que não possuem um projeto pronto para o Vasco, muito pelo tempo. Você já tem algo preparado caso assuma a cadeira ou pretende desenvolver algo a partir de como a atual gestão deixar o Clube?

– Sim. Vamos mostrando paulatinamente ao público nossas ideias, projetos e soluções para o clube.

A atual gestão está tocando um projeto para reforma de São Januário, o que está sendo detalhado aos poucos. Observando o jeito que a Colina Histórica ficará caso seja posto em prática e a questão dos valores, você tem a intenção de tocar para frente caso assuma a presidência, tem outros planos ou é contra a mudança?

– Com o respeito ao patrimônio histórico do clube, concernente a outros esportes, com obras no entorno de São Januário dentro do projeto, com independência na gestão do estádio e, ainda, com parceiros visíveis, claro que sim.

O que tem a dizer sobre a importância também dos dois CTs em construção?

– CT, CTs é ou são importantes, desde que, para além da obra, sejam devidamente aproveitados e fonte (s) de talentos.

O Vasco é, historicamente, um clube que abraça as mais diversas modalidades esportivas, mas é inegável que o carro-chefe é o futebol, embora a origem do Clube seja do Remo. Por isso, as atenções acabam sendo voltadas mais para ele, do que os demais esportes. O que pensa para valorizar essas demais atividades e os seus atletas?

– A valorização das modalidades está intrinsicamente ligada à propaganda delas no dia a dia do esporte, através de equipes competitivas e olhar cuidadoso com a base. O Vasco é um formador de talentos histórico em inúmeros esportes e tê-los no clube muitas vezes demanada pouco gasto e boa visibilidade. É ótimo para o clube ter em sedes esportivas crianças, jovens e adultos praticando esportes. Há espaço para isso, como, também, deve haver apoio administrativo no desenvolvimento disso.

Muito se diz que o Vasco está num processo de reconstrução financeira, com uma projeção otimista para o futuro. Como você avalia o atual momento das finanças do Clube, e o que pretende fazer que ele consiga uma melhor saúde financeira?

– A melhor saúde financeira se dará no momento em que quem administra saiba enxergar ganhos para além do descrito em frias planilhas. Um clube que passa três anos sem certidões, mais que dois de salários atrasados, que demite quase 300 funcionários, acorda com eles pagamentos que não cumpre e depois é executado em 50, 60, 100% do valor principal, que suga seu associado, seu torcedor, sem recompensá-lo, está muito longe de entender onde está seu principal ativo e como sua imagem é exposta para fora. Recuperação financeira não se faz com discursos, mas sim com algo visível ao público, principalmente aquele que convive há 24 meses com seus salários em atraso.

Tem sido comum se falar na busca de investidores como forma de ‘atalho’ para alavancar os cofres do Gigante, está aberto ou em busca de algo nesse sentido?

– Se o investidor quiser fazer crescer a sua marca, sedimentá-la, expô-la, desenvolvê-la, divulgá-la, alavancá-la, solidificá-la, ou mesmo torná-la a principal do mercado, servindo isso para as pessoas jurídicas e os próprios investidores físicos (no caso, estes focando no seu conhecimento, preponderância ou supremacia no mercado), o Vasco é um grande parceiro potencial. Na relação em que as duas partes ganham o Vasco fará parte e o parceiro não terá do que se arrepender investindo no clube.

O site Vasco Notícias dará sequência às entrevistas com os candidatos nos próximos dias que antecedem à eleição. O próximo convidado será Jorge Salgado, da chapa Mais Vasco, ele que é empresário do mercado financeiro e grande benemérito do Clube. Na sequência, será a vez de Julio Brant, da Sempre Vasco, e as entrevistas com Alexandre Campello e Leven Siano ainda estão em fase de negociação.

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