Seleção no Maracanã ajudou a unir torcidas do Vasco, Flamengo e organizadas de SP

Jogos da Seleção Brasileira no Maracanã durante a década de 80 uniu torcidas rivais do Rio de Janeiro e São Paulo.

Integrantes da Força Jovem do Vasco e da Mancha Verde, do Palmeiras, no Maracanã, na década de 80
Integrantes da Força Jovem do Vasco e da Mancha Verde, do Palmeiras, no Maracanã, na década de 80 (Foto: Facebook / Mancha Verde Oficial)

Os jogos da Seleção Brasileira na década de 80, no Maracanã, ajudaram a formar alianças envolvendo torcidas de Flamengo, Vasco, Corinthians, Palmeiras e São Paulo

O ponto-base para que isso acontecesse se deu na maneira como as torcidas de Flamengo e Vasco se posicionavam no estádio. Assim como acontecia nos clássicos entre os clubes, as organizadas rubro-negras ficavam à esquerda das cabines de rádio, enquanto as cruzmaltinas ocupavam o lado direito.

Essa divisão se manteve também nos jogos do Brasil daquela época. Inicialmente, de um lado estava a Força Jovem do Vasco na companhia de seus amigos da Mancha Verde, do Palmeiras. Do outro ficavam a Raça Rubro-Negra, a Torcida Jovem do Flamengo e a Gaviões da Fiel, do Corinthians.

Até que a Independente, do São Paulo, foi ganhando a simpatia da Jovem Fla por conta de sua rivalidade com os palmeirenses. A amizade nasceu em um Brasil x Chile, jogo válido pelas Eliminatórias da Copa de 90.

– Peguei a faixa da Independente, fui sozinho para o Maracanã e fiquei no lado da torcida do Flamengo. O outro lado era do Vasco. O pessoal da Jovem Fla já estava vendo na televisão o que estávamos fazendo com a torcida do Palmeiras, e falaram: ‘o Adamastor é o cara que está batendo de frente com eles’. Aí o Capitão Léo [antigo presidente da TJF] me convidou para ficar com eles. Fizemos primeiro uma amizade pessoal, e essa amizade se estendeu para a aliança das torcidas.

Reginaldo Tadeu de Souza, o Adamastor, ex-presidente da Independente

O livro “Nada do Flamengo, Tudo pelo Flamengo”, de Bernardo Buarque de Hollanda, confirma o episódio:

A presença das torcidas organizadas nos jogos da Seleção Brasileira no Rio de Janeiro era praxe à época e aconteceu durante toda a década de 1980. Adamastor, liderança em ascensão na Independente, vai ao Rio representar sua agremiação e, para tanto, estende uma faixa no alambrado das arquibancadas com a inscrição da torcida. É nesse contexto que Adamastor estabelece contato com Capitão Léo, Ricardinho e outros membros da Jovem

Presidente da Força Jovem do Vasco neste período, Roberto Monteiro se recorda que a aliança com a Mancha Verde já estava enraizada há mais tempo, mas afirma que os jogos da seleção brasileira foram importantes para firmar a tradição de receber as torcidas amigas em seus respectivos territórios.

– Quanto à Mancha Verde, me recordo que vinham a jogos do Brasil e ficavam já ao nosso lado, tendo em vista a rivalidade já existente nossa contra o Corinthians e deles com o Flamengo. Os jogos da Seleção Brasileira acabaram servindo para aumentar essa rivalidade. E foi daí que foram criando esse hábito de um ficar recebendo um ao outro.

Roberto Monteiro, presidente da FJV na época

Com esta configuração nas arquibancadas, era comum se ouvir no Maracanã os tradicionais cânticos de provocação aos rivais dos clubes envolvidos, mesmo sendo um jogo da seleção brasileira.

Não há, no entanto, registros de violência neste período, mesmo em jogos que envolviam várias organizadas rivais no mesmo local.

Bebeto e Romário esquentavam duelos das torcidas

Outra questão que transformava a partida do Brasil num Flamengo x Vasco na arquibancada era a presença da histórica dupla Bebeto e Romário em campo.

Na década de 80, Bebeto conquistava títulos pelo Flamengo e Romário pelo Vasco, algo que os já tornava ídolos de suas respectivas equipes.

– O Maracanã sempre teve uma divisão clara: de um lado a torcida do Vasco e de outro a torcida do Flamengo. Mesmo nesses jogos da seleção, quem era vascaíno ia para um lado e quem era flamenguista ia para o outro. E quando saía gol do Bebeto, uma torcida gritava mais de um lado do que do outro, fato. E quando saía gol do Romário, a torcida de um lado gritava mais do que do outro, fato

Eric Faria, repórter da TV Globo ao documentário “A Mão do Eurico”

Curiosamente, Bebeto acabou se transferindo para o Vasco após a Copa América de 89, em uma das transações mais polêmicas da história, e Romário foi para o Flamengo em 1995, depois de conquistar a Copa do Mundo no ano anterior.

Organizadas suspensas pelo Ministério Público

A “divisão ideológica” da arquibancada do Maracanã, em jogos da seleção brasileira na década de 80, aos poucos foi se esvaziando e, atualmente, não existe. Principalmente após a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014.

Hoje em dia, as organizadas de Flamengo e Corinthians não possuem mais aliança. Já a Torcida Jovem do Flamengo e a Independente, do São Paulo, seguem como aliadas, assim como a Força Jovem do Vasco e a Mancha Verde, do Palmeiras.

Além disso, a Raça Rubro-Negra, a Torcida Jovem do Flamengo e a Força Jovem do Vasco – que foram protagonistas nestes episódios — estão suspensas dos estádios brasileiros pelo Ministério Público por conta de episódios de violência

Fonte: Globo Esporte

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