Ricardo Sá Pinto relembra episódios de violência em passagem pelo Vasco

Técnico português, Ricardo Sá Pinto teve curta passagem pelo Vasco da Gama e não deixou saudades na torcida.

Ricardo Sá Pinto durante jogo em São Januário
Ricardo Sá Pinto durante jogo em São Januário (Foto: Daniel Castelo Branco)

Antes de mais nada, Ricardo Sá Pinto guarda do Brasil uma das experiências mais intensas da sua carreira como treinador. Assim, em entrevista ao podcast “Ontem Já Era Tarde”, de Luís Aguilar, da SIC Notícias, de Portugal, o técnico falou sobre o período em que comandou o Vasco , revelando episódios ocorridos em 2020.

Para começar, Ricardo Sá Pinto destacou o impacto da vivência no Rio de Janeiro: “Adorei o Rio. Está entre os lugares onde mais gostei de viver. Costumo dizer, no melhor sentido, que o Rio é uma selva que adotou uma cidade’.

A frase resume bem a dualidade da cidade maravilhosa: entre a beleza natural exuberante e os desafios urbanos, o português viu-se mergulhado numa realidade singular: “Morava perto de um pântano. Via cobras enormes, jacarés… Adoro aquela harmonia entre a natureza, a cidade e as pessoas”.

No entanto, nem tudo foi idílico. Segundo Ricardo Sá Pinto, o futebol carioca também o expôs a uma dura realidade social: “O nosso centro de treinos era ao lado da Cidade de Deus. Cheguei a interromper atividades por causa de rajadas de metralhadora”, disse antes de prosseguir:

“Havia rusgas e os traficantes disparavam para avisar que a polícia estava entrando na favela. Foram os jogadores que me disseram: ‘Mister, dá para parar o treino? Pode ter bala perdida’”, relembrou o treinador que ficou pouco tempo no Vasco.

“Mão iluminada” protegeu Ricardo Sá Pinto em invasão

Mais adiante, Ricardo Sá Pinto também lembrou um episódio que se tornou viral. De acorddo com o treinador, membros de uma facção criminosa invadiral o local de treinos do Vasco: “Se tive medo? Estava a ferver por dentro. Mas tinha de ser. Tinha de proteger os jogadores.”

O confronto não teve consequências físicas, mas o momento poderia ter acabado muito mal: “Felizmente, os torcedores acalmaram. Acho que houve uma mão divina que me protegeu e talvez tenha iluminado eles também”, recordou.

Por fim, a experiência no Gigante da Colina ficou marcada por contrastes fortes: o calor humano do povo carioca, o fascínio pela natureza e o peso da tensão social. Para Ricardo Sá Pinto, foi um verdadeiro teste à liderança, à coragem e à capacidade de adaptação de um treinador europeu num cenário único como o do futebol brasileiro.

Fonte: RTI Esporte

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