O que esperar do Vasco de Seabra? Veja como jogam os times do treinador
Fernando Seabra acertou com o Vasco da Gama e já desembarcou no Rio de Janeiro para iniciar trabalho em São Januário.

Fernando Seabra é o novo treinador do Vasco. O acerto foi definido em reunião realizada na quarta-feira (2), quando o técnico oficializou sua saída do Coritiba. Na madrugada desta sexta-feira (3), ele desembarcou no Rio de Janeiro para iniciar sua trajetória no comando da equipe.
A escolha de Seabra foi resultado de uma avaliação positiva da diretoria vascaína. Internamente, o treinador é reconhecido pela capacidade de organizar suas equipes, pela leitura das partidas para realizar ajustes durante os jogos e pela flexibilidade tática, sem se prender a um único modelo de atuação.
Durante passagem pelo Coritiba, uma das principais marcas de seu trabalho foi o aproveitamento das transições ofensivas. O jornalista paranaense Daniel Piva destacou que o treinador construiu uma equipe forte nos contra-ataques e procurou explorar as características individuais dos principais jogadores.
– A principal característica do Seabra no Coritiba foi justamente o jogo de transição. O time era muito perigoso nos contra-ataques e ele buscava potencializar as individualidades. Breno Lopes e Pedro Rocha, por exemplo, recebiam muitas bolas em profundidade. Já Josué e Ronier, considerados os atletas mais talentosos do elenco, atuavam frequentemente próximos para aumentar a criatividade ofensiva. Quando precisava propor o jogo, o Coritiba encontrava mais dificuldades, mesmo contando com a qualidade desses jogadores — avaliou Daniel Piva.
Segundo o jornalista, outra qualidade do treinador é a capacidade de adaptar a estratégia às características do adversário.
– No início do trabalho, durante o Campeonato Paranaense e nas primeiras rodadas do Brasileiro, o Coritiba fazia pressão alta e recuperava muitas bolas no campo ofensivo, chegando até a marcar gols dessa maneira, como aconteceu no Atletiba. Depois, o time mudou de comportamento e passou a apostar mais nas transições e nos contra-ataques. O Seabra não fica preso a uma única ideia de jogo; ele ajusta a equipe conforme o cenário das partidas — completou.
Além dos aspectos táticos, o Vasco também buscava um treinador capaz de melhorar o ambiente interno no CT Moacyr Barbosa. A saída de Renato Gaúcho foi motivada, entre outros fatores, pelo desgaste no relacionamento com o elenco, situação que chegou ao conhecimento da diretoria.
Parte do grupo se incomodou com declarações dadas pelo antigo treinador em entrevistas coletivas. O episódio de maior repercussão aconteceu quando Renato comentou a fase de Marino Hinestroza, afirmando que jogadores nascidos na Colômbia e no Equador costumam enfrentar dificuldades de adaptação ao futebol brasileiro.
Dentro do Clube, Seabra é visto como um profissional com boa capacidade de gestão de grupo e perfil mais agregador. A expectativa é de que consiga fortalecer o ambiente interno e proteger os atletas em momentos de maior pressão.
O novo treinador desembarca em São Januário acompanhado de quatro profissionais. A comissão técnica contará com os auxiliares Vinicius Rováris e Álvaro Martins, o preparador físico Fábio Eiras e um analista de desempenho, cujo nome ainda será anunciado.
Fábio Eiras conhece o Vasco de passagens anteriores. Em 2023, atuou como coordenador de performance do clube e, no ano anterior, integrou a comissão técnica de Zé Ricardo como preparador físico. O profissional também acumula experiências por Flamengo, Athletico e Botafogo.
Já Vinicius Rováris e Álvaro Martins trabalham ao lado de Seabra desde a categoria sub-20 do Cruzeiro, em 2022, e fazem parte do núcleo de confiança do treinador.
A primeira oportunidade de Fernando Seabra como técnico de um clube da Série A aconteceu em 2024, no Cruzeiro. Contratado ainda durante a gestão de Ronaldo Fenômeno, permaneceu no cargo após a aquisição da SAF por Pedro Lourenço.
Sob seu comando, a equipe reagiu na fase de grupos da Copa Sul-Americana e passou a disputar as primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Em 35 partidas, conquistou 17 vitórias, oito empates e sofreu 10 derrotas.
Ainda em 2024, assumiu o Bragantino com a missão de evitar o rebaixamento no Brasileirão. O objetivo foi alcançado apenas na última rodada da competição. Curiosamente, sua demissão aconteceu após a derrota por 3 a 0 para o Vasco, pela 30ª rodada do campeonato.
Na equipe paulista, comandou a equipe em 56 jogos, registrando 18 vitórias, 14 empates e 24 derrotas, com aproveitamento de 40,4%.
Seu trabalho mais consistente, porém, foi desenvolvido no Coritiba. Seabra levou a equipe à sétima colocação do Campeonato Brasileiro antes da pausa para a Copa do Mundo. Em 28 partidas, somou 11 vitórias, nove empates e oito derrotas, alcançando aproveitamento de 50% dos pontos disputados.