Juíza que afastou Pedrinho do Vasco nomeia 2 gestores provisórios da SAF
Magistrada indica novos gestores temporários após renúncia de interventora. Decisão ocorre em meio a disputa judicial e pedido do Vasco da Gama para reverter afastamentos na SAF.

A juíza Caroline Rossy, responsável pela decisão que afastou Pedrinho da administração da SAF do Vasco na última semana, declarou suspeição no caso na noite desta quinta-feira (2). A magistrada também determinou, de forma provisória, a nomeação de dois novos administradores: Adriana Campos Conrado Zamponi e Alexandre Cordeiro Macedo.
A intervenção havia sofrido uma mudança anterior após a renúncia da primeira interventora, Samantha Longo, que deixou o cargo alegando questões de segurança pessoal.
Em despacho assinado às 21h21, a juíza afirmou que tomou conhecimento de fatos novos às 20h14, logo após reunião com representantes jurídicos do Vasco, circunstância que a levou a reconhecer impedimento para seguir à frente do processo. Diante disso, declarou-se suspeita e determinou o encaminhamento do caso ao Juízo Tabelar, na 6ª Vara Empresarial.
Antes de se afastar, no entanto, Rossy ressaltou a necessidade de garantir a continuidade da administração provisória da SAF. Nesse contexto, nomeou Adriana Campos Conrado Zamponi como administradora judicial e Alexandre Cordeiro Macedo como gestor provisório, ambos responsáveis por exercer as funções da intervenção até nova deliberação do juízo que assumir o caso.
A composição da administração provisória já havia passado por alterações após a saída de Samantha Longo. Ela havia sido indicada inicialmente para o cargo, mas decidiu renunciar posteriormente, alegando motivos ligados à sua segurança.
Entre os novos nomes, Alexandre Cordeiro Macedo era o único integrante do conselho que não havia sido afastado na decisão judicial anterior. Segundo informações reunidas no processo, ele foi eleito para o conselho da SAF neste ano e atualmente ocupa a vice-presidência de relações institucionais do clube.
Já Adriana Campos Conrado Zamponi havia sido designada anteriormente como interventora provisória, antes da escolha de Samantha. Advogada especializada em direito empresarial, recuperação judicial e insolvência, ela integra o escritório Wald, Antunes, Vita e Blattner Advogados e participou de processos relevantes na área, como a recuperação judicial da Oi.
A mudança na condução da intervenção ocorre após a decisão da última terça-feira (23), quando a juíza determinou o afastamento de Pedrinho e de outros dois membros do Conselho de Administração da SAF do Vasco, além de nomear Samantha Longo como interventora por um período inicial de 60 dias.
A medida foi tomada após alegações de falhas de governança e problemas de transparência na administração da SAF.
Diante do cenário, o Cruzmaltino protocolou na quarta-feira (1) um pedido de reconsideração da decisão judicial. O clube sustenta que o relatório apresentado pela interventora não identificou irregularidades graves, mas apenas falhas administrativas, como ausência de assinaturas em atas de reuniões.
Na petição, a diretoria argumenta ainda que a decisão teria causado uma “paralisia institucional sem precedentes” e solicita o retorno dos dirigentes afastados, além da retirada da exigência de participação da 777 Carioca em eventual venda da SAF.
Durante a quinta-feira (2), representantes do Clube foram recebidos no gabinete da magistrada, que informou que só analisaria o pedido após manifestação do Ministério Público, da administração judicial e da parte requerente, a 777.
Após a reunião, a juíza registrou que fatos supervenientes chegaram ao seu conhecimento e foram comunicados às instâncias superiores do Tribunal de Justiça. Sem detalhar tais informações, ela declarou suspeição e determinou a transferência do processo para outro juízo.
Com isso, o pedido de reconsideração será agora analisado pela juíza Simone Gastesi Chevrand, da 6ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
Em meio ao cenário jurídico, o empresário Marcos Lamachia, que negocia a compra da SAF do Vasco, comentou publicamente o caso em entrevista. Ele negou acusações sobre falta de transparência e criticou movimentações recentes envolvendo ex-dirigentes e integrantes ligados ao processo.
Segundo Lamachia, houve tentativa de alteração de termos do acordo poucas horas após a decisão que afastou a antiga diretoria, o que, segundo ele, envolve figuras que participaram de etapas anteriores das discussões jurídicas da SAF.
A renúncia de Samantha Longo também foi formalizada no despacho inicial. Ela alegou que não havia mais condições de permanecer no cargo por questões de segurança pessoal.
Antes de deixar a função, Samantha havia produzido um relatório apontando falhas de governança e informalidade em registros do Conselho de Administração. No documento, recomendou a abertura de uma mediação entre as partes envolvidas na disputa pela SAF.
Ao analisar a atuação da interventora, a juíza destacou que o trabalho realizado foi extenso e tecnicamente relevante, reunindo elementos importantes sobre a crise de governança no clube.
A decisão mais recente ocorre em meio a um cenário de instabilidade na gestão da SAF do Vasco, que segue sob disputa judicial envolvendo antigos e atuais controladores, além de potenciais compradores. O caso agora aguarda redistribuição para novo juízo responsável pela condução do processo.