Gilmar Ferreira se manifesta sobre luta do Vasco pelo Maracanã
O jornalista Gilmar Ferreira afirmou que o Maracanã não pode fechar suas portas para os grandes jogos do Vasco da Gama.

A guerra de liminares que o Vasco é obrigado a travar com a dupla Flamengo e Fluminense pela utilização do Maracanã é dos mais vergonhosos episódios do futebol carioca neste século. Mas era algo previsto desde o início do processo de ocupação, iniciado por Wilson Witzel, governador cassado em 2019. Licitação desenhada para ser vencida pelos dois únicos clubes do Rio que não possuíam estádio em condições de mandar seus jogos — e por isso questionada na Justiça pelo excluído Vasco, antes mesmo de anunciados os concessionários temporários.
De abril de 2019 a setembro de 2024, a dupla fez a gestão do Complexo Esportivo do Maracanã amparada por Termos de Permissão de Uso (TPUs) provisórios e renovados a cada seis meses. Até que Cláudio Castro, sucessor de Witzel, legitimasse a cessão por 20 anos em processo de licitação igualmente confuso e demorado. E novamente questionado pelo Vasco, que alegava ter no “Maracanã para todos” o mais democrático projeto de ocupação.
Ocorre que, no edital assinado pela dupla Flamengo e Fluminense, que legitima o consórcio “Fla-Flu Serviços” na gestão do complexo esportivo, a cláusula 13.2 proíbe o “favorecimento e a discriminação”. Ou seja: a concessionária não pode favorecer um ou mais clubes, associações ou confederações oferecendo a eles exclusividade do Maracanã. E não pode também impor condições comerciais discriminatórias e sem critérios técnicos que impeçam outros clubes de utilizar o estádio. Foi a forma encontrada pelo governo para negar o direcionamento.
No entanto, os agraciados não entenderam que a ressalva da proibição é, na verdade, a artimanha que os protege da acusação de licitação dirigida. A Fla-Flu Serviços faturou R$ 124,8 milhões em 2025, valor seis vezes maior que a outorga de R$ 20 milhões paga ao Estado. O lucro líquido declarado em balanço foi de R$ 21,4 milhões, com R$ 15,3 milhões em dividendos repartidos entre Flamengo (R$ 9,95 milhões) e Fluminense (R$ 5,36 milhões). Além disso, os dois arrecadaram R$ 322 milhões e R$ 43 milhões, respectivamente, com receitas do “matchday” — basicamente, bilheteria e sócio-torcedor.
O Maracanã não pode, por razões pessoais e mesquinhas, fechar suas portas para os grandes jogos do Vasco — sobretudo os que a capacidade de São Januário não comportará. Mas, sob a armadura da histórica rivalidade que separa os clubes desde a fundação, seus mandatários optam pelas batalhas. Utilizam a influência de cada um para disputar nos bastidores da política ou do já castigado Judiciário um jogo que não interessa ao futebol.
Fonte: Blog Gilmar Ferreira