Fatores que fizeram o Vasco contratar Fernando Seabra

Vasco da Gama acerta a contratação do treinador e aposta em projeto de reconstrução com foco em organização tática.

Fernando Seabra, técnico do Coritiba
Fernando Seabra, técnico do Coritiba (Foto: JP Pacheco/Coritiba).

A busca do Vasco por um novo comandante chegou ao fim com a definição de Fernando Seabra como treinador. Após a saída de Renato Gaúcho, a diretoria optou por uma mudança de perfil no comando técnico, mirando a construção de um projeto voltado ao médio e longo prazo.

O Cruzmaltino aceitou pagar a multa rescisória para tirar o técnico do Coritiba, no valor de R$ 5 milhões. O vínculo firmado entre as partes terá duração até dezembro de 2027, com salário estimado em cerca de R$ 1 milhão mensais.

Nos bastidores de São Januário, a avaliação é de que Seabra reúne características consideradas essenciais para a nova fase do clube. A diretoria entende que o treinador pode oferecer organização coletiva ao time, além de contribuir para o desenvolvimento individual dos jogadores sem comprometer a competitividade.

O nome do treinador ganhou força ao longo das últimas semanas, após uma sequência de reuniões entre dirigentes e membros do departamento de futebol. Internamente, a leitura foi de que seu modelo de trabalho se encaixa no planejamento esportivo traçado para as próximas temporadas.

A identidade de jogo proposta por Fernando Seabra também pesou na escolha. Conhecido por utilizar o esquema 4-2-3-1, o treinador prioriza a posse de bola e a construção das jogadas desde a defesa, buscando equipes organizadas e com circulação rápida.

Sua filosofia também enfatiza a ocupação racional dos espaços e a criação de oportunidades mais qualificadas, com foco em eficiência ofensiva. Mais do que manter a posse, o objetivo é transformar o controle do jogo em chances reais de gol.

Outro aspecto valorizado pela diretoria vascaína é a capacidade de adaptação durante as partidas. As equipes comandadas por Seabra costumam variar estratégias conforme o adversário, acelerando transições quando encontram brechas no sistema rival.

Sem a bola, seus times são marcados por linhas compactas, alta intensidade na marcação e forte disciplina coletiva. Esse modelo foi visto internamente como uma solução para os problemas defensivos apresentados pelo Vasco ao longo da temporada.

Embora não tenha acumulado campanhas de grande destaque recente, o trabalho do treinador foi bem avaliado pela diretoria. No Coritiba, em 2026, ele comandou a equipe em 28 jogos, somando 11 vitórias, nove empates e oito derrotas.

Antes disso, esteve à frente do Bragantino entre 2024 e 2025, período em que dirigiu o clube em 56 partidas, com 20 vitórias, 12 empates e 24 derrotas. Ainda assim, dirigentes entendem que os números não refletem plenamente o desenvolvimento das equipes sob seu comando.

Internamente, há a percepção de que Seabra conseguiu evoluir o desempenho coletivo mesmo em cenários de pressão por resultados e com limitações de investimento em reforços nos elencos que dirigiu.

Agora, o treinador chega a São Januário com a missão de recolocar o Vasco no caminho das vitórias. Atualmente na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o clube trata a recuperação na competição como prioridade absoluta.

Além do Brasileiro, o Vasco segue vivo na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana, torneios vistos como oportunidades reais de título nesta temporada. O desafio de conciliar as três frentes também estará no radar da comissão técnica.

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