Clima em vitória do Vasco tem vaias, ironias e relação desgastada com a torcida

Elenco do Vasco da Gama tem vivido momento conturbado com a torcida em meio a sequência de resultados negativos.

Torcida do Vasco vaia o time em São Januário
Torcida do Vasco vaia o time em São Januário (Fonte: Redes Sociais)

O Vasco teve, nesta quarta-feira (27), o pior público em São Januário desde 2022: apenas 3.524 torcedores acompanharam a vitória por 3 a 0 sobre o Barracas Central, na última rodada da fase de grupos da Copa Sul-Americana.

O número baixo refletiu o clima de protesto incentivado por torcidas organizadas, que defenderam a ideia de “público zero”, em meio ao desgaste crescente entre equipe e torcida.

Antes mesmo do apito inicial, o ambiente já era de tensão. Com o estádio praticamente vazio, os protestos foram audíveis desde a entrada dos jogadores em campo, com xingamentos direcionados ao elenco. Entre os mais vaiados estava Tchê Tchê, que foi alvo de reações negativas já nos primeiros contatos com a bola.

Em campo, o início da partida não ajudou a diminuir a insatisfação. Apesar de ter mais posse e buscar o ataque, o Vasco acumulava erros e não conseguia transformar o domínio em eficiência.

Fora das quatro linhas, a impaciência crescia, alimentada pela sequência de três derrotas seguidas na temporada e pela proximidade da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Do outro lado, cerca de 70 torcedores do Barracas Central chamaram atenção pela animação constante, sendo ouvidos em diversos momentos do primeiro tempo. Mesmo já eliminado antes da partida, o clube argentino conseguiu se fazer presente no silêncio de São Januário.

O cenário começou a mudar ainda na etapa inicial, com os gols de Adson e a expulsão de Insúa, que deram novo rumo ao confronto. A partir daí, houve uma tentativa de reaproximação entre time e arquibancada, e o Vasco foi para o intervalo sob uma mistura de aplausos e vaias.

Um dos personagens da partida foi Tchê Tchê, que atuou improvisado na lateral direita e participou diretamente do segundo gol, ao cruzar a bola que terminou no rebote aproveitado por Adson.

Apesar disso, parte da torcida manteve o tom irônico, entoando cânticos de protesto após o lance e no início do segundo tempo. Ele acabou substituído aos 11 minutos da etapa final, sob vaias.

O momento de maior celebração veio pouco depois, quando o gol do Audax Italiano sobre o Olimpia colocou o Vasco momentaneamente na liderança do Grupo G, garantindo vaga direta às oitavas de final.

O estádio reagiu com festa e cânticos, em contraste com o clima inicial, reforçando o peso da competição para o torcedor, apesar do planejamento do clube ter priorizado outras frentes desde o início do torneio.

Outro nome em evidência foi Brenner. Ao ser chamado para entrar em campo, o atacante foi recebido com nova onda de protestos. Em má fase e sem marcar há cerca de um mês e meio, ele voltou a ser alvo de críticas constantes desde sua chegada ao clube.

A chance de redenção surgiu já com o placar definido em 3 a 0. Após toque de mão de Jappert dentro da área, o árbitro marcou pênalti, e a torcida chegou a pedir a cobrança para Brenner.

No entanto, o atacante bateu fraco e desperdiçou a oportunidade, seu segundo pênalti perdido com a camisa do Vasco, voltando a ser alvo de vaias, ainda que também tenha recebido tímidos gritos de apoio.

Nos minutos finais, o clima oscilou entre o “olé” em campo e novas manifestações de insatisfação na arquibancada, com o time deixando o gramado sob vaias.

O Vasco volta a atuar em São Januário no próximo domingo, contra o Atlético-MG, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro, no último jogo antes da pausa para a Copa do Mundo.

Desta vez, os ingressos da arquibancada já estão esgotados para um duelo decisivo, tanto na busca por recuperação na competição quanto na tentativa de reconciliação com a torcida.

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