Análise da atuação do Vasco contra o Corinthians

O Vasco da Gama não conseguiu pressionar o Corinthians e acabou saindo de campo praticamente rebaixado no Brasileiro.

França Fernandes
Por França Fernandes
-  22 de fevereiro de 2021 às 07:42-  Atualizada em 22 de fevereiro de 2021 às 07:43
Yago Pikachu durante o jogo contra o Corinthians (Foto: Marcos Ribolli)

Se um desavisado assistisse aos minutos finais do empate entre Corinthians e Vasco por 0 a 0, no domingo, jamais imaginaria que o time de camisa preta precisava de um gol para seguir vivo na luta contra o rebaixamento.

Com sete finalizações e 43% de posse de bola, a equipe vascaína em momento algum conseguiu pressionar o rival, que finalizou 12 vezes e controlou a maior parte do jogo. Deu a impressão de que o Vasco disputava uma partida de meio de Brasileiro e considerava o empate um bom resultado. Porém, o time entrou em campo ciente de que a igualdade praticamente decretava a queda para a Série B.

– Não tem como mentir. O Vasco tem que fazer 12 gols, o Brasil tomou sete e foi um aborto. Temos que ser realistas e não passar mentira para o torcedor – disse Vanderlei Luxemburgo após o jogo.

O treinador agora tem campanha idêntica à de Sá Pinto no comando do Vasco no Brasileiro-2020: duas vitórias, quatro empates e cinco derrotas.

Aproveitamento dos técnicos do Vasco no Brasileiro
Aproveitamento dos técnicos do Vasco no Brasileiro (Foto: ge)

Criticado por parar no lance do gol de Thiago Galhardo na rodada anterior, diante do Inter, Leo Gil foi barrado por Luxemburgo. Com Andrey ao lado de Bruno Gomes, o sistema defensivo melhorou. No primeiro tempo, houve dois sustos: um contra-ataque de cinco contra dois desperdiçado pelo Corinthians e um chute de Fagner que parou nas mãos de Fernando Miguel.

O problema era no setor ofensivo. Como de costume, Cano ficou isolado. Talles Magno e Yago Pikachu, que chegaram a subir de produção nos primeiros jogos sob o comando de Luxemburgo, voltaram a evidenciar que não conseguiram sequer se aproximar do nível demonstrado em 2019. Nos primeiros 45 minutos, o Vasco só levou (pouco) perigo em chute de longe de Carlinhos.

No intervalo, já existia o incômodo com a passividade do time em jogo tão importante. Mas havia a esperança de que o Vasco tivesse pelo menos senso de urgência na segunda etapa. Não foi o que ocorreu em campo.

Jogo evidencia carências do elenco

Entre os 14 e os 33 minutos do segundo tempo, Luxemburgo mudou os cinco jogadores mais ofensivos do time. Saíram, pela ordem cronológica, Talles, Andrey, Pikachu, Cano e Carlinhos. Entraram Catatau, Juninho, Gabriel Pec, Tiago Reis e Marcos Júnior.

Mesmo com tantas substituições, o setor ofensivo continuou inoperante. O Vasco só ameaçou em cruzamento de Carlinhos que acertou o travessão. Já na parte final, o time precisava desesperadamente do gol. Mas quem tocava a bola e rondava a área adversária era o Corinthians. Fábio Santos, Jô e Cazares ameaçaram a meta vascaína.

A chance derradeira de manter o Vasco na briga veio aos 45 minutos, quando Catatau lançou Gabriel Pec, que chutou travado pela defesa. No momento mais importante da temporada, o ataque vascaíno tinha dois garotos da base – Pec e Tiago Reis – e um jogador que disputou o último Carioca pelo Madureira – Catatau. Diz muito sobre a formação do elenco do Vasco para a temporada que acabará no quarto rebaixamento do clube.

Outras quedas também tiveram três técnicos

Luxemburgo já havia participado de campanhas que levaram à queda, como em 2002, no Palmeiras, mas quinta-feira será a primeira vez que estará à frente de uma equipe no dia do rebaixamento, como ele próprio admite. Terceiro técnico vascaíno efetivo no Brasileiro, ele chegou a São Januário após a 26ª rodada e não conseguiu recuperar o time.

Em sua primeira passagem pelo Vasco, em 2019, Luxemburgo conseguiu evitar com certa tranquilidade o rebaixamento para a Série B. O time terminou aquele Brasileiro em 12º, e o trabalho do treinador foi elogiado. Em 34 jogos na ocasião, a equipe teve aproveitamento de 47%.

Prestes a cair pela quarta vez em 12 anos, o Vasco tem uma receita em comum nessas temporadas: a constante troca de treinadores ao longo da competição.

Em 2008, o Vasco teve Antônio Lopes, Tita e Renato Gaúcho. Cinco anos depois, os treinadores foram Paulo Autuori, Dorival Júnior e Adilson Batista. Em 2015, o time teve novamente três comandantes: Doriva, Celso Roth e Jorginho.

Fonte: Globo Esporte

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