Velhos erros voltam a assombrar o Vasco no início do Brasileiro

Vasco da Gama cometeu falhas defensivas que culminaram na derrota para o Mirassol, na estreia do Brasileiro.

Andrés Gómez em jogo do Vasco contra o Mirassol
Andrés Gómez em jogo do Vasco contra o Mirassol (Foto: Douglas Moreti/Agência F8/Gazeta Press)

O Vasco iniciou o Campeonato Brasileiro com os mesmos problemas que encerrou a última edição. A derrota por 2 a 1 contra o Mirassol mostrou as fragilidades de um time que ainda é muito instável na defesa e que muitas vezes joga contra a própria equipe — às vezes, até no sentido literal da palavra, como no gol contra de Carlos Cuesta.

Mesmo depois de resistir à pressão do Mirassol no primeiro tempo e sair na frente do placar com Coutinho, o Vasco repetiu falhas que foram rotina no Brasileirão de 2025. Os dois gols da equipe paulista surgem de erros graves da defesa vascaína, que ainda não se mostrou confiável em 2026.

No primeiro, Robert Renan entregou passe para a lateral. Puma Rodríguez perdeu no alto no cruzamento, e Cuesta fez gol contra. No segundo, Piton saiu errado em um tiro de meta e entregou a bola na área. Erros que se tornaram rotina desde o ano passado.

O Vasco não cometeu apenas os dois erros que geraram os gols do Mirassol. Ainda no 0 a 0, Puma Rodríguez havia entregado duas bolas na defesa. Diniz entendeu que os problemas da equipe eram as ausências de Nuno Moreira e Rojas na saída de bola no campo de defesa. Mas aqui está o principal erro: qual a vantagem do time em descer os três meias e avançar os zagueiros na saída de bola?

Em vários momentos do jogo, e não foi a primeira vez que isso aconteceu, Coutinho ou Nuno estavam na área de Léo Jardim para sair jogando. Com a pressão do Mirassol, o Vasco ficava exposto aos erros nesta saída e aos contragolpes do time de Guanaes.

No segundo gol, Thiago Mendes, Barros e Coutinho estavam dentro da área de Jardim, enquanto Cuesta e Robert Renan estavam abertos nos corredores, como laterais. O Vasco perdeu a bola antes dela chegar aos zagueiros, que estavam avançados, e a armação pelo meio ficou por conta de Lucas Piton, sem ser habituado a jogar de costas, como um volante ou um meia são. O lateral dominou errado e foi desarmado facilmente por Alesson, que tocou para Eduardo fazer o gol.

No momento em que o Vasco perde a bola na entrada da área, Cuesta sequer está no quadro de imagem. A linha de “zagueiros” era formada por Barros, Coutinho e Thiago Mendes. Puma e Andrés Gómez estavam no campo de ataque.

Não foi a primeira vez que Piton foi utilizado assim por dentro em 2026. Contra o Maricá, o lateral também se enrolou na entrada da área ao receber a bola de costas, foi desarmado e foi expulso ao fazer a falta para parar o ataque.

O questionamento é sobre os riscos e as recompensas de tantas mexidas na organização do time, o que acaba por comprometer o sistema defensivo. E a crítica não é ao estilo de jogo de Fernando Diniz, que melhorou significativamente o time com a bola. O treinador sempre se notabilizou pela aproximação dos jogadores em campo. Isso precisa ser mantido, mas precisa evoluir.

Mesmo com vários problemas de organização em campo, o Vasco teve bons momentos na partida, como no início do primeiro tempo, no qual a equipe se manteve no campo de ataque com uma pressão sem a bola interessante. Em uma delas, Puma Rodríguez roubou a bola e cruzou para a área para Coutinho marcar.

Depois de sair na frente, o Vasco não manteve a pressão no campo de ataque e repetiu os erros que vinha repetindo ainda no 0 a 0. Atrás no placar no segundo tempo, Diniz empilhou jogadores mais ofensivos no ataque, mas o elenco sem Brenner e Hinestroza carece de opções confiáveis. Não é o caso dos jovens Andrey Fernandes, João Victor e GB, que ainda podem evoluir no futuro.

Ainda é o primeiro jogo do Brasileirão, o terceiro do time principal do Vasco na temporada. Mas é frustrante para o torcedor ver que o clube segue frágil defensivamente e com problemas que duraram todo o ano de 2025.
É ainda mais frustrante ver que, em muitas oportunidades, o Vasco perde para ele mesmo. Lógico que a pressão sem a bola do Mirassol, uma das melhores do campeonato, criou empecilhos para o time de Diniz. A equipe paulista segue eficiente neste sentido. Mas erros tão bobos e evitáveis mostram que o time ainda está em construção para entender a melhor hora de fazer cada estilo de saída de jogo.

Seria atenuante se tivesse sido um jogo isolado. Mas não foi a primeira vez que o Vasco cometeu erros tão bobos na defesa — e dado o histórico dos últimos Brasileiros, mesmo antes de Diniz, não será a última vez.

Fonte: Globo Esporte

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