Vegetti transforma frustração em emoção em semana turbulenta no Vasco

Artilheiro do Vasco da Gama, Vegetti se emociona após marcar o gol da vitória Cruzmaltina contra o Fluminense, pela Copa do Brasil.

Vegetti comemora gol contra o Fluminense
Vegetti comemora gol contra o Fluminense (Foto: André Durão)

“Montanha-russa de emoções” é uma expressão bastante usada no jornalismo. Quase um clichê. Mas não há definição melhor para o que Vegetti viveu desde o último domingo até a noite desta quinta-feira no Vasco.

No domingo passado, o argentino sentiu raiva, fúria, frustração e tristeza ao ser substituído no primeiro tempo da goleada contra o Atlético-MG. Cinco dias depois, no Maracanã, ele pôde demonstrar alegria, alívio e as melhores sensações possíveis ao decidir a vitória vascaína por 2 a 1 no jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil contra o Fluminense.

O camisa 99 não sabia nem para onde correr quando fez o gol da virada do Vasco no último minuto do segundo tempo contra o Fluminense. Se o atacante não tem a ginga e o drible dos companheiros de ataque, ninguém conseguiu parar o argentino na comemoração. Vegetti tirou a camisa, driblou os abraços de Coutinho e Puma, passou por um Hugo Moura em êxtase e só foi derrubado por Ricardo Cobalchini, auxiliar de Diniz, já na beira do campo.

Rapidamente, Vegetti sumiu no gramado. Ele foi encoberto pelos jogadores reservas e os companheiros que estava em campo. Deitado no chão, o atacante ficou no meio de uma verdadeira loucura dentro de campo e nas arquibancadas. A vibração de Vegetti tomou conta do Maracanã, que em maioria comemorou a vitória do Vasco no primeiro clássico da semifinal da Copa do Brasil.

Quando levantou, Vegetti foi abraçado por Tchê Tchê, GB e Paulinho. Mas o maior abraço foi em Biro, funcionário do Vasco e um dos melhores amigos do atacante dentro do clube. Biro sacudiu o argentino por alguns segundos com palavras de carinho para o artilheiro vascaíno. Depois, o atacante fez a comemoração que o torcedor sentia falta há algum tempo: o Pirata.
Na entrevista após o gol da vitória, Vegetti se emocionou e fez um verdadeiro desabafo.

— Eu sou um lutador. Luto muito por essa camisa. Com minha vida e meu coração. Quero defender essa camisa sempre da melhor maneira. Estou em um momento difícil, não estou jogando muito. Para mim é sempre primeiro o Vasco — disse, emocionado, o artilheiro do time no ano.

— No jogo passado, não foi uma reação contra (alguém), eu estava chateado com a situação. Tivemos uma expulsão e eu tive que sair depois de voltar a jogar. Fica feio para fora, mas aqui dentro está tudo bem. Foi algo quente do momento, e só isso. É focar no jogo de domingo — afirmou o jogador.
Vegetti não vivia um bom momento no Vasco. O atacante só havia balançado as redes em um dos últimos 18 jogos. Ele havia feito dois gols na vitória por 3 a 0 contra o Bragantino, na 30ª rodada do Brasileirão. O gol do argentino veio na hora certa para o torcedor vascaíno.

A luta de Vegetti em campo o torcedor do Vasco viu e comemorou junto com o argentino. Mas o que Diniz mais valoriza no atacante é a entrega dele todos os dias nos treinamentos e a importância para o vestiário do clube carioca.

— Acho que o Vegetti personifica bastante o que é o Vasco. É um jogador de uma entrega absoluta para as coisas. Além de ser um grande artilheiro. Não é porque a pessoa tem muita vontade, muito carisma, que joga. Além de tudo é um grande artilheiro, um dos grandes líderes da equipe. A minha relação com ele não é boa, é ótima. Sempre ótima — disse o treinador, que completou:

— Mas mesmo ele jogando menos às vezes, a minha relação com ele é muito próxima e ele é muito dedicado aos seus companheiros. Esse gol hoje foi um merecimento muito grande de tudo que aconteceu, da relação que ele constrói. Se vocês vissem o que ele fala nos treinamentos, nas preleções, na hora da reza. É muito interessado em fazer o melhor que pode e inspirar os outros a fazerem o melhor que podem. É um jogador fundamental — elogiou Fernando Diniz.

Vegetti entrou em campo aos 31 minutos no lugar de Nuno Moreira. Com a substituição, Rayan mudou de posição. A joia do clube arrancou para armar o segundo gol vascaíno, que terminou com a cabeçada precisa do veterano argentino. O camisa 99 disse que, apesar da emoção, ainda não é tempo de comemorar nada.

— Foi só a gente acreditar mais (para poder reverter o placar). Estava sendo um jogo muito parelho, igual. Só ganhamos um jogo, ainda não podemos comemorar nada. Estou emocionado, mas ainda não chegamos onde queremos estar, que é a final — comentou o centroavante argentino.
Para chegar ao objetivo final, a volta das semifinais tem data e local marcados. O Vasco enfrenta o Fluminense no próximo domingo, às 20h30, no Maracanã. Vale a vaga na final da Copa do Brasil.

Fonte: Globo Esporte

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