Vegetti é decisivo e vitória diante do Santos deixa lições ao Vasco

O Vasco começou mal, mas melhorou no 2º tempo e atuação de Vegetti e força de São Januário são decisivos em virada.

Vegetti comemora gol contra o Santos
Vegetti comemora gol contra o Santos (Foto: Matheus Lima/Vasco)

Nenhum outro time no Brasil tem um atacante tão bom pelo alto quanto o Vasco. Vegetti não é o atacante mais completo do Brasileirão, tem limitações, mas é extremamente importante e decisivo para o clube desde que chegou. Ele e a força de São Januário são as maiores armas vascaínas para a temporada, e isso foi mostrado mais uma vez neste domingo, na vitória de virada por 2 a 1 contra o Santos.

O Vasco inicia o Brasileirão com três pontos graças ao atacante argentino — que deu assistência de cabeça para Nuno Moreira empatar o jogo e que fez o gol da virada, também de cabeça, em cobrança de falta cobrada por Payet. Vegetti é o melhor cabeceador do futebol brasileiro, mas o time só soube explorar isso no segundo tempo. E por isso teve dificuldades na partida contra o Santos.

A escalação de Carille

Fábio Carille teve três semanas para preparar o Vasco para a estreia no Brasileirão. Ele optou por um 4-2-3-1, que variava para um 4-1-4-1 quando a equipe tinha a posse de bola. A ideia era segurar Hugo Moura na frente da defesa, enquanto Coutinho e Paulinho tinham liberdade por dentro. Os dois meias se associavam muito com os pontas Nuno Moreira e Garré. Os dois foram orientados a saírem bastante dos lados para o meio.

O Vasco tinha dificuldades para lidar com a marcação do Santos no campo de defesa. Em um lance completamente bobo, Paulinho errou um passe para Paulo Henrique e deu um presente para Tiquinho. O atacante ex-Botafogo deixou Barreal na cara do gol, e o argentino encobriu Léo Jardim com categoria.

O erro desmontou o Vasco de três formas: na parte psicológica, tática e técnica. A equipe de Fábio Carille ficou ansiosa na busca do empate e teve erros técnicos infantis.

O Vasco atacava muito pela esquerda. Em vez de Garré sair da direita e ir para o meio para dar opção, o argentino muitas vezes virou um segundo ponta-esquerda, o que deixou o time torto e com pouca presença de área.

— Acho que a gente se perdeu um pouco. Depois do gol ele começou a cair na esquerda. Quando a gente chegou ao fundo, para fazer o cruzamento, só tinha o Vegetti. Ele tem que flutuar mais do lado direito para quando a bola estiver com PH e Paulinho, ele ser um suporte. E quando estiver do outro lado, ele se apresentar na área. Mas foi muito bom para uma estreia em São Januário, entendendo o futebol brasileiro e nossa casa. Foi muito legal a participação dele.

A melhor chance do Vasco nos primeiros 45 minutos foi em uma jogada em que Nuno Moreira tirou da cartola. O português costurou a defesa do Santos e saiu cara a cara com Gabriel Brazão. No entanto, o atacante tentou encobrir o goleiro e desperdiçou boa chance.

Laterais mudam o segundo tempo; Lemos, Jardim e Vegetti são decisivos

O Vasco foi outro time na etapa final graças a dois jogadores importantes do time, mas que faziam um jogo muito abaixo. Paulo Henrique e Lucas Piton subiram de produção no segundo tempo e mudaram o jogo.

O lateral-esquerdo sofreu muito na marcação no primeiro tempo e era um dos piores em campo. No entanto, fez sua jogada característica para ajudar o Vasco a empatar o jogo. Ele cruzou na cabeça de Vegetti, que ajeitou para Nuno marcar na segunda trave e igualar a partida em São Januário.

Depois do empate do Vasco, o jogo virou trocação total. No ímpeto da torcida vascaína em São Januário, o time de Carille ia para o ataque, mas dava espaços com um meio de campo espaçado para um Santos que era veloz nas transições. Léo Jardim salvou em duas oportunidades a meta vascaína, e Lemos, no rebote de uma defesa, bloqueou o que seria gol de Gabriel Bontempo.

Piton apareceu novamente pela esquerda e cruzou para Vegetti, na parceria que foi fundamental para o Vasco em 2024, mas que havia aparecido pouco em 2025. O passe foi na medida para o argentino, que cabeceou com força, mas Brazão fez uma defesa espetacular para evitar o gol da virada.

O Santos parecia ter um pouco mais de controle no meio de campo e levava perigo ao gol do Vasco. As entradas de Adson, Tchê Tchê e Payet foram importantes para o time reter mais a bola. Em uma chegada com Piton na esquerda, o lateral sofreu falta. Payet cobrou com categoria na cabeça de Vegetti, que foi letal mais uma vez pelo alto e virou o jogo em São Januário.

O que tirar de lição?

Há notícias boas na estreia do Vasco no Brasileirão. Nuno Moreira e Mauricio Lemos comprovaram que serão muito importantes na temporada. O atacante português teve mais uma boa atuação. Ele traz algo fundamental ao time vascaíno: contribuição em gols. Em três jogos no clube, são dois gols e uma assistência.

Lemos teve uma partida de quem traz o cartaz de que será a liderança da defesa do Vasco. Com exceção a uma jogada em que errou na saída de bola, o uruguaio teve ótima participação na distribuição das jogadas e foi fundamental ao salvar um chute de Gabriel Bontempo.

No entanto, há alguns pontos a serem melhorados. O Vasco teve dificuldades para encaixar a marcação no meio de campo, e as costas de Piton ainda parecem ser o ponto mais frágil na defesa. Paulinho ainda não vive um bom 2025. É óbvio que o tempo longe dos gramados atrapalha, mas ele está longe daquele Paulinho que era influente em todas as áreas do campo.

O último ponto é Coutinho. Na partida contra o Santos, sobretudo no primeiro tempo, o camisa 11 atuou muito longe do gol. O lado esquerdo estava congestionado, e com a quantidade de erros individuais, o meia também foi afetado. Se o Vasco encaixar uma forma de ter Nuno, Coutinho e Piton com a bola, terá bons frutos em 2025, potencializando o futebol da sua referência técnica.

De qualquer forma, o Vasco fez o dever de casa. Venceu em casa um adversário que deve lutar no meio da tabela e começou o Brasileirão com um bom cartão de visitas para a sua torcida, que mais uma vez foi importante em São Januário.

Fonte: Globo Esporte

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