Vasco volta a campo após mais de 40 dias de crise e mudanças; veja cronologia
Vasco da Gama encerra período de turbulência e retorna aos gramados após instabilidade dentro e fora das quatro linhas.

Mais de um mês sem disputar uma partida oficial foi suficiente para o Vasco atravessar um dos períodos mais conturbados da temporada. Durante a paralisação para a Copa do Mundo, o Clube acumulou mudanças profundas nos bastidores.
As principais delas foram a demissão do técnico Renato Gaúcho, uma intervenção judicial na SAF, o afastamento e posterior retorno de Pedrinho ao comando da empresa, além de negociações frustradas, disputas políticas e reformulações no elenco.
Agora, com o fim da pausa, o Cruzmaltino volta a disputar o Campeonato Brasileiro nesta quinta-feira (16), diante do Vitória, em Salvador, tentando deixar para trás semanas de instabilidade administrativa e esportiva.
Queda de rendimento culminou na saída de Renato Gaúcho
O Vasco iniciou o período que antecedeu a paralisação buscando se afastar da parte inferior da tabela do Brasileirão. Apesar de uma breve reação sob o comando de Renato Gaúcho, a equipe voltou a oscilar e encerrou a sequência de jogos na zona de rebaixamento após derrota para o Atlético-MG, em São Januário.
Pouco antes da reapresentação do elenco, a diretoria decidiu demitir o treinador. A avaliação interna apontava desgaste no relacionamento entre a comissão técnica e os jogadores, provocado por críticas públicas feitas pelo treinador, além de divergências sobre métodos de treinamento e decisões adotadas durante as partidas.
Intervenção judicial paralisou o planejamento
Quando jogadores e funcionários retornaram das férias, o clube tinha como prioridade contratar um novo treinador e reforçar o elenco. As negociações por nomes para o comando técnico avançavam, assim como a tentativa de fechar a contratação do meia Nelson Deossa.
Entretanto, no dia 22 de junho, uma decisão judicial mudou completamente o cenário. A Justiça concedeu liminar favorável à 777 Partners, afastando Pedrinho da presidência da SAF e nomeando Samantha Longo, ex-advogada da CBF, como interventora.
A medida desencadeou uma crise institucional que afetou diretamente o departamento de futebol. Negociações por reforços, o planejamento esportivo e até as conversas para a venda da SAF ao empresário Marcos Lamacchia sofreram impactos.
No mesmo período, a gestão também enfrentou um racha político interno. Quatro integrantes da administração do Clube foram exonerados, enquanto Pedrinho afirmou que havia pessoas trabalhando nos bastidores para inviabilizar a negociação da SAF.
Investidores se manifestaram e condicionaram negócio
Após o afastamento de Pedrinho, Marcos Lamacchia e José Roberto Lamacchia falaram publicamente pela primeira vez sobre o interesse em adquirir o futebol vascaíno. Os empresários revelaram que as tratativas vinham sendo conduzidas desde 2024 e afirmaram existir um entendimento para a compra da SAF.
Apesar disso, deixaram claro que o investimento dependeria do retorno de Pedrinho ao comando da empresa. Eles também acusaram antigos integrantes da gestão de atuarem contra a negociação e em favor da 777 Partners.
A situação mobilizou torcedores, que organizaram manifestações presenciais e nas redes sociais defendendo tanto a venda da SAF quanto a volta de Pedrinho à administração.
Busca por treinador esbarrou na instabilidade
Enquanto a disputa judicial seguia em andamento, o diretor executivo Admar Lopes tentou manter o planejamento esportivo. Porém, a insegurança institucional dificultou as conversas com possíveis treinadores.
As negociações por Franclim Carvalho e, posteriormente, Fernando Seabra acabaram não avançando justamente pelo cenário de instabilidade vivido pelo Gigante da Colina.
Pouco depois, Samantha Longo renunciou ao cargo de interventora alegando motivos de segurança. Na sequência, a magistrada responsável pelo caso declarou suspeição, e o processo passou a ser conduzido provisoriamente por outro juiz, prolongando o ambiente de incerteza.
Justiça devolveu comando da SAF a Pedrinho
No início de julho, o Vasco recorreu da decisão que havia afastado Pedrinho, argumentando que a intervenção provocava uma paralisação institucional que comprometia o futebol. O cClube informou, inclusive, que negociações com o atacante Gabriel Pec foram prejudicadas durante esse período. O jogador acabou acertando sua transferência para o Cruzeiro.
Além da manifestação oficial do Vasco, um grupo formado por 106 conselheiros divulgou um documento em apoio ao retorno de Pedrinho e favorável à venda da SAF.
A reviravolta ocorreu poucos dias depois, quando o desembargador César Cury revogou a liminar, encerrou a intervenção judicial e autorizou a volta de Pedrinho ao comando da SAF.
Após reassumir a gestão, o dirigente agradeceu publicamente à família Lamacchia pelo apoio durante o período de crise e retomou as negociações por reforços. A prioridade passou a ser a contratação de um zagueiro, um meia, um atacante de velocidade e um centroavante.
Novo técnico e mudanças no elenco
A principal alteração no departamento de futebol aconteceu no comando da equipe. O Vasco oficializou a contratação do português Pedro Emanuel, de 51 anos, que chega após trabalhar nas últimas temporadas no futebol do Oriente Médio. O treinador já iniciou os trabalhos com o elenco e terá a missão de conduzir a reação da equipe no restante da temporada.
No grupo de jogadores, Matheus França encerrou seu período de empréstimo e retornou ao Crystal Palace, enquanto Hugo Moura foi negociado com o Al-Fayha, da Arábia Saudita.
Até o momento, a única contratação anunciada é a do lateral-esquerdo Paulinho, que havia assinado pré-contrato com o clube após deixar o América-MG.
Foco agora é a recuperação na temporada
Com a crise institucional parcialmente superada, o Vasco busca acelerar a chegada de reforços e recuperar o tempo perdido durante o período de indefinição administrativa. Paralelamente, a negociação para a venda da SAF segue como uma das principais pautas da diretoria.
Dentro de campo, o desafio será imediato. A equipe retorna ao Campeonato Brasileiro ocupando a zona de rebaixamento e ainda terá compromissos importantes pela Copa Sul-Americana e pela Copa do Brasil.
O primeiro deles será nesta quinta-feira, contra o Vitória, em Salvador. Na sequência, o Cruzmaltino enfrenta o Independiente Medellín, pela Sul-Americana, além de Mirassol e Chapecoense pelo Brasileirão. Em agosto, o Clube encara o Fluminense nas oitavas de final da Copa do Brasil, repetindo o confronto da semifinal da edição passada.