Vasco pode vender a SAF após afastamento de Pedrinho? Veja o que muda
Justiça condiciona eventual negociação ao aval da 777 Partners e transfere a gestão da SAF do Vasco da Gama para uma interventora judicial.

A decisão da Justiça que determinou o afastamento de Pedrinho e dos demais integrantes do Conselho de Administração da Vasco SAF não inviabiliza uma eventual venda do Clube. O processo de negociação com o empresário Marcos Lamacchia, que discute a aquisição de 90% do futebol vascaíno, pode continuar, desde que cumpra as condições estabelecidas judicialmente.
Ao analisar o caso, a juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca ressaltou que, embora a 777 Partners tenha tido seus direitos políticos e patrimoniais suspensos em decisões anteriores, a empresa continua sendo acionista da Vasco SAF. Dessa forma, qualquer operação de venda depende de sua concordância.
– Esta decisão não deverá impactar eventual negociação para venda das ações da Vasco SAF, ressalvando-se a necessidade de concordância da 777 CARIOCA LLC ou autorização do Juízo Arbitral, com posterior decisão deste Juízo, nos termos da cláusula 4.1.2.1 do Plano de Recuperação Judicial.”
Na prática, o entendimento da magistrada permite que o Vasco avance com a revenda da SAF, desde que obtenha o aval da 777 Partners ou autorização das instâncias competentes.
Além de afastar os membros do Conselho de Administração, a Justiça nomeou a advogada Samantha Longo, ex-diretora jurídica da CBF, como interventora da SAF pelo período inicial de 60 dias. Ela ficará responsável pela administração da empresa, com a missão de reorganizar sua estrutura de governança, ampliar a transparência e prestar relatórios periódicos ao Judiciário a cada quinze dias.
A decisão também prevê a possibilidade de participação da interventora em eventuais tratativas envolvendo a venda da SAF.
– Nomeio como Gestora/Interventora Judicial a Dra. Samantha Mendes Longo, advogada de reconhecida atuação no âmbito empresarial,(…) que, sem dúvida, poderá auxiliar na condução de eventual negociação para venda do Vasco SAF, se necessário, durante sua atuação como interventora – diz trecho da decisão da juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca.
A magistrada ainda fez um alerta sobre as exigências necessárias para validar qualquer transação envolvendo a sociedade anônima do futebol.
– Friso que a venda do VASCO SAF, sem transparência efetiva, anuência dos demais órgãos do clube e concordância da 777 CARIOCA LLC ou do Juízo arbitral, não será validada por este Juízo Recuperacional.”
Com isso, a condução da Vasco SAF deixa de ficar sob responsabilidade de Pedrinho e dos demais dirigentes afastados, passando temporariamente para a interventora judicial. A entrada de Marcos Lamacchia no negócio permanece viável, desde que a operação respeite os litígios societários em andamento e as determinações da Justiça.
Antes da decisão proferida nesta terça-feira, havia expectativa positiva entre representantes do Vasco e Marcos Lamacchia para a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU, na sigla em inglês) até a primeira quinzena de julho. O documento formalizaria a intenção de compra da Vasco SAF.
A diretoria trata a busca por um novo investidor como prioridade diante das limitações financeiras. A necessidade de reforçar o caixa para atuar no mercado de transferências se soma ao momento delicado da equipe no Brasileiro. Atualmente, o Vasco ocupa a 17ª posição, dentro do Z4, com 20 pontos conquistados.