Vasco não queria reinício do jogo contra o Urubu, segundo jornalista

Com os rubro-negros vencendo por 1 a 0, dirigentes vascaínos se movimentaram para que a partida não continuasse.

No momento em que o árbitro João Batista de Arruda interrompeu Flamengo x Vasco no Maracanã devido à tempestade que encharcou o gramado, começou uma batalha de bastidores. Com os rubro-negros vencendo por 1 a 0, dirigentes vascaínos se movimentaram para que a partida não continuasse.

Enquanto a as mais de 56 mil pessoas torciam para a chuva cessar a o gramado secar, era grande a pressão para que elas voltassem mais cedo às suas casas. O motivo? No Regulamento Geral do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, o item III do artigo 64 é claro: “Quando ocorrer a suspensão da partida antes do início do segundo tempo, a mesma será anulada e remarcada para nova data”.

Ou seja, se fosse definitivamente interrompido ali, os minutos disputados não mais valeriam. O duelo recomeçaria outro dia, no primeiro minuto e com o placar de 0 a 0. Em resumo: o gol marcado pelo Flamengo com Alecsandro deixaria de existir.

A pressão foi tamanha que o árbitro precisou se isolar no vestiário após ser obrigado a ouvir as argumentações dos que desejavam o fim da peleja ali mesmo. O clássico prosseguiu por algumas razões. Para forçar a continuação do jogo, o Flamengo mandou advogados ao “ringue” que se formava em torno da decisão a ser tomada.

Enquanto isso, a drenagem finalmente começava a dar conta do aguaceiro e as condições para o prosseguimento do cotejo aumentavam. Paralelamente, nos arredores do Maracanã as ruas alagadas representavam perigo para os torcedores, caso deixassem o estádio naquele momento. E a Polícia Militar alertava para o risco.

Veio a ordem “de cima” para os jogadores do Flamengo retornarem ao gramado, uma maneira de sinalizar a todos que o jogo poderia continuar. O Vasco, como todos viram, demorou a pisar novamente na cancha. E não foi por acaso. Os atletas não haviam recebido a mesma orientação e ficaram aquecendo no vestiário.

Quando o árbitro voltou ao gramado, viu que as condições eram mais do que adequadas e uma das equipes já estava a postos para rolar a pelota. Não havia mais como não fazer o jogo prosseguir. Ainda assim pessoas da direção vascaína insistiam na possibilidade de o time cruzmaltino não reaparecer para a sequência da partida.

O presidente Eurico Miranda não desceu do local de onde acompanhava o clássico. Outros representantes do clube de São Januário, entre eles o diretor executivo Paulo Angioni, participavam das discussões sobre a continuidade, ou não, do jogo.

Do lado rubro-negro, chamou a atenção a demora do árbitro no retorno ao campo. Os 30 minutos previstos ficaram para trás, então os advogados Flávio Willeman (vice jurídico), Michel Assef e outros entraram em ação. A parada foi de 50 minutos!

O pessoal do clube da Gávea argumentava junto aos da Federação que o campo ofereceria condições para o prosseguimento do clássico. Como testemunha, levaram um representante do consórcio que administra o estádio. Este assegurou que em 15 minutos a drenagem funcionaria e o gramado ficaria em estado adequado.

No meio disso tudo, um momento no mínimo curioso. Um integrante da comissão técnica vascaína chegou a dizer ao presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que ele estava “arriscando a saúde” de Marcelo Cirino ao fazê-lo retornar ao campo anteriormente alagado. Não foi o bastante para convencê-lo, é óbvio.

Com a bola rolando, o Vasco logo empatou e até pressionou pela virada. Mas o próprio camisa 7 rubro-negro, com a saúde em dia, passou por Serginho e foi derrubado na área por Guiñazú. Alecsandro decretou a vitória flamenguista batendo bem a penalidade.

O Vasco chegou a 10 jogos sem vitória sobre o rival. Mas os jogadores foram dignos, lutaram até o final, quase empataram. Deles a torcida vascaína, que ao contrário da do Botafogo foi em peso ao jogo contra o Flamengo, já tem do que se orgulhar.

Blog Mauro Cezar Pereira

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