Vasco não mata o jogo e amplia alerta após perder pontos novamente
O Vasco voltou a desperdiçar chances, não sustentar a vantagem e ampliou o sinal de alerta após mais um empate no Brasileirão.

O empate em 1 a 1 com o Remo, no Mangueirão, reforçou um padrão que começa a preocupar no Vasco sob o comando de Renato Gaúcho. Mais uma vez, a equipe produziu, saiu na frente do jogo em termos de desempenho, mas não conseguiu transformar o volume em resultado, e pagou o preço.
O dado mais imediato ajuda a dimensionar o momento: o Vasco chegou ao quarto jogo sem vitória após a Data Fifa de março. Foram apenas três pontos somados nos últimos doze disputados, um aproveitamento de 25%, bem abaixo dos 83,3% registrados no recorte anterior.
Parte da explicação passa pelo contexto. A equipe enfrentou três jogos como visitante nos primeiros dias de abril, incluindo uma longa viagem à Argentina, cenário oposto ao fim de março, quando atuou majoritariamente em casa. Ainda assim, o desempenho recente vai além da logística.
Há um padrão técnico claro: o Vasco cria, mas não mata o jogo e, sem sustentar a vantagem, acaba cedendo espaços e pontos. Foi assim novamente em Belém.
Renato Gaúcho resumiu bem o problema. Para o treinador, o time teve controle e oportunidades suficientes para definir a partida, mas falhou na execução.
– Estivemos bem no primeiro tempo, criamos oportunidades e não fizemos o gol. No segundo, tivemos oportunidades e não fizemos. Ali que nós pecamos. Tivemos oportunidade para matar, não matamos e deixamos escapar dois pontos importantes – afirmou.
A leitura do treinador encontra respaldo no campo. O Vasco dominou o primeiro tempo, criou chances claras e, mesmo após abrir o placar, não conseguiu ampliar. Com isso, permitiu que o adversário crescesse e encontrasse o empate em bola parada, outro ponto recorrente.
Defensivamente, os problemas também se repetem. A dupla de zaga tem apresentado dificuldades nas bolas aéreas, os laterais têm sido vulneráveis pelos corredores, e o sistema de marcação no meio não consegue sustentar pressão na saída adversária. O resultado é um time que, mesmo melhor em boa parte do jogo, não consegue controlar o momento final.
Nem mesmo a postura ofensiva no fim resolveu. Renato chegou a terminar a partida com quatro atacantes, tentando manter o time no campo de ataque. Ainda assim, faltou organização e eficiência.
Se há um lado minimamente positivo, é a invencibilidade como visitante na era Renato. No entanto, o dado perde força diante do contexto: são empates em jogos nos quais o Vasco esteve perto da vitória.
O recorte geral aponta um time competitivo, mas ainda instável. Cria, mas não define. Controla, mas não sustenta. E, enquanto esse padrão persistir, o Vasco seguirá deixando pontos pelo caminho, mesmo quando parece estar mais próximo da vitória do que da derrota.