Vasco é gigante nas copas, mas precisa acordar no Brasileirão
O Vasco da Gama não pode tratar o Brasileirão como um problema que ficará para depois, e a situação exige atenção agora.

O Vasco vive uma temporada de contrastes. Nas copas, o time dá motivos para o torcedor acreditar em dias melhores. No Brasileirão, porém, a história é outra: os tropeços se acumulam, os pontos fazem falta e a preocupação com a parte de baixo da tabela continua presente. É como se o time tivesse duas versões: uma competitiva nos mata-matas e outra irregular na disputa por pontos corridos.
Na Sul-Americana, o Cruzmaltino mostrou força ao vencer o Boca Juniors por 1 a 0, na Bombonera. O resultado colocou o Vasco em vantagem na semifinal e aumentou a expectativa para a decisão no Maracanã. Em jogos desse tamanho, a equipe tem demonstrado capacidade de competir, suportar a pressão e encontrar caminhos para conseguir resultados importantes.
Na Copa do Brasil, o cenário também é animador. A classificação sobre o Vitória, com duas vitórias, levou o Vasco à semifinal e manteve vivo o sonho de conquistar um título de expressão. Para uma torcida acostumada a conviver com frustrações nos últimos anos, estar vivo em duas competições eliminatórias representa uma oportunidade real de terminar a temporada com motivos para comemorar.
O problema é que o Brasileirão não espera. A derrota por 1 a 0 para o São Paulo, no Morumbis, manteve o Vasco com 35 pontos e na 15ª colocação. Antes, o empate sem gols com o Remo, em São Januário, já havia deixado a sensação de que o time desperdiçou uma boa oportunidade. Na luta para se afastar da zona de rebaixamento, cada ponto perdido aumenta a pressão.
É justo considerar o desgaste do calendário e a necessidade de administrar o elenco com três competições em andamento. Também é compreensível que a comissão técnica pense na possibilidade de conquistar um título que pode mudar o rumo da temporada. Mas existe um limite para essa estratégia: o Vasco não pode tratar o Brasileirão como um problema que ficará para depois. A situação exige atenção agora, não quando o risco estiver ainda maior.
O que falta, afinal, é transformar a competitividade das copas em regularidade. Nos mata-matas, o time parece entender melhor o tamanho de cada jogo e consegue se mobilizar diante de um objetivo imediato. No campeonato nacional, essa intensidade precisa aparecer rodada após rodada. Não adianta fazer uma grande partida contra o Boca e, na sequência, deixar pontos pelo caminho em confrontos fundamentais para a classificação.
O torcedor tem todo o direito de sonhar com as copas. O Vasco está vivo, tem desafios importantes pela frente e pode, sim, fazer a temporada terminar de maneira especial. Mas a grandeza do clube também exige responsabilidade com o Brasileirão. O cenário ideal é disputar títulos sem transformar a reta final da Série A em sofrimento. Para isso, o Vasco precisa parar de alternar entre esperança e preocupação e mostrar, de uma vez por todas, que consegue ser competitivo em todas as frentes.