Vasco aposta em mecanismo jurídico para destravar venda da SAF a Lamacchia
Plano homologado pela Justiça prevê processo competitivo para a venda da SAF e estabelece regras para a entrada de um novo investidor.

O Vasco definiu uma estratégia para garantir segurança jurídica na negociação de sua SAF com um novo investidor, mesmo diante das disputas judiciais que envolvem o controle da empresa. O principal mecanismo utilizado pelo clube é a UPI Equity (Unidade de Produção Isolada), prevista no plano de recuperação judicial homologado pela Justiça.
Esse instrumento permite que ativos sejam negociados livres de dívidas, obrigações e demais passivos. No caso do Vasco, a UPI Equity possibilita a venda das ações da SAF mediante autorização judicial. O plano também prevê, em uma cláusula específica, a criação de uma UPI para o Complexo de São Januário, permitindo a venda ou exploração do estádio nas mesmas condições.
A proposta atualmente em andamento tem como investidora âncora a Almirante Participações, representada por Marcos Lamacchia. Caso a operação seja concluída, o comprador deverá assumir compromissos estabelecidos no plano de recuperação, entre eles o pagamento integral dos créditos sujeitos ao processo judicial, além de eventuais direitos de terceiros relacionados aos ativos que integram a UPI Equity.
O processo de venda seguirá um modelo competitivo, conforme determina o edital já publicado pela 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Todas as etapas da concorrência serão registradas nos autos da recuperação judicial à medida que novos interessados apresentarem propostas. Como investidora âncora, a Almirante Participações terá direito de preferência para igualar qualquer oferta apresentada durante o procedimento.
O plano de recuperação estabelece dois formatos possíveis para a negociação. O primeiro prevê a emissão de novas ações da atual SAF. Já o segundo contempla a constituição de uma nova sociedade anônima, que passaria a concentrar os ativos do futebol.
Nesse cenário, a nova empresa receberia os bens da operação esportiva sem herdar as dívidas da SAF atualmente controlada pela 777 Partners, embora permanecesse obrigada a cumprir os pagamentos previstos aos credores, conforme o plano homologado pela Justiça.
A adoção desse modelo busca reduzir a insegurança jurídica causada pela disputa societária em torno da SAF. Atualmente, cerca de 33% das ações ainda dependem de definição no tribunal arbitral. Paralelamente, o clube aguarda o julgamento definitivo do recurso que resultou na reintegração de Pedrinho e dos demais integrantes do Conselho de Administração, além da suspensão da intervenção judicial anteriormente determinada.
Proposta de Lamacchia
A Almirante Participações formalizou um contrato vinculante com o Vasco para participar da concorrência pela aquisição de 90% da SAF. A proposta estabelece um investimento mínimo de R$ 650 milhões, dos quais R$ 500 milhões seriam destinados exclusivamente ao futebol profissional.
O restante dos recursos será aplicado em melhorias na infraestrutura do CT Moacyr Barbosa e das categorias de base, além da captação de verbas incentivadas que podem alcançar R$ 150 milhões. Considerando todos os aportes previstos no projeto, o investimento total poderá chegar a R$ 2 bilhões.