Três competições: até onde o elenco do Vasco pode chegar?
Vasco tenta aproveitar o calendário e a recuperação de jogadores para conciliar a luta contra o rebaixamento com a busca por títulos.

O Vasco terá pela frente um desafio que vai além dos próprios adversários nas próximas semanas. Na 17ª colocação do Brasileiro, o Cruzmaltino é o único clube da segunda metade da tabela que segue vivo em três competições na temporada. Enquanto tenta escapar da zona de rebaixamento, a equipe também disputa as fases decisivas da Copa do Brasil e da Sul-Americana.
A situação faz com que o calendário seja um dos principais aliados do time comandado por Pedro Emanuel. Apesar da posição delicada no Brasileirão, o Vasco não pretende abrir mão dos torneios eliminatórios e vê nas copas a possibilidade de voltar a conquistar um título de expressão que não seja o estadual, algo que não acontece há 15 anos.
Pela Sul-Americana, o Gigante da Colina encara o Independiente Santa Fe pelas quartas de final, com os jogos marcados para os dias 8 e 15 de setembro. Caso avance, a equipe só voltará a disputar a competição em outubro, quando estão previstos os confrontos da semifinal entre os dias 13 e 21.
Na Copa do Brasil, o intervalo é ainda maior. O Vasco enfrentará o Palmeiras nas semifinais, mas os duelos estão previstos apenas para novembro. Dessa forma, após os dois compromissos diante do Santa Fe, o clube terá um período importante para direcionar suas atenções ao Campeonato Brasileiro.
É justamente nesse intervalo que o Vasco pretende ganhar tranquilidade na competição nacional. A prioridade imediata é deixar a zona de rebaixamento e construir uma margem de segurança na tabela. Quanto mais cedo conseguir cumprir essa missão, maior será a liberdade para administrar o elenco e pensar nos mata-matas.
Pedro Emanuel ganha opções no elenco
Outro fator que pode ajudar o Vasco é a evolução de alguns jogadores desde a chegada de Pedro Emanuel. O treinador conseguiu recuperar atletas que não atravessavam um bom momento e, com isso, ampliou as alternativas para montar a equipe em meio à sequência de partidas.
Na defesa, Carlos Cuesta vive uma fase positiva ao lado de Robert Renan. Nas laterais, o treinador também possui opções para promover um rodízio. Puma Rodríguez e Paulo Henrique disputam a posição pelo lado direito, enquanto Cuiabano e Lucas Piton são alternativas pela esquerda.
O meio-campo também ganhou alternativas nas últimas semanas. Santiago Sosa trouxe mais consistência ao sistema defensivo, enquanto Alan Lescano aumentou as possibilidades de criação. Tchê Tchê voltou a ter participação importante, e Ramon Rique, promovido das categorias de base, aparece como uma das surpresas recentes.
Jair também pode reforçar o setor. O volante se recupera de uma lesão no adutor da coxa e tem previsão de retorno até o fim de setembro. Se estiver à disposição, será mais uma peça para Pedro Emanuel administrar a sequência de jogos.
Ataque ainda é o principal problema
Se o Vasco conseguiu ampliar as alternativas em outros setores, o ataque continua sendo o ponto que mais preocupa. Andrés Gómez, Colidio e Adson vêm apresentando boas atuações e oferecem opções pelos lados e na criação, mas o time ainda busca um centroavante capaz de manter uma produção regular de gols.
Spinelli e David vêm se alternando na função, mas nenhum dos dois conseguiu se firmar definitivamente como o homem-gol da equipe. Brenner, que começava a apresentar atuações mais promissoras, sofreu uma lesão e permanecerá afastado por mais algum tempo.
A expectativa agora está em Bruno Duarte. O atacante deve ser relacionado pela primeira vez no clássico contra o Fluminense, neste sábado (5), no Maracanã, e surge como uma nova alternativa para tentar resolver a dificuldade ofensiva.
Profundidade do elenco será colocada à prova
Mesmo com a recuperação de jogadores e a chegada de reforços, a profundidade do elenco ainda será testada. A disputa simultânea do Brasileirão, da Copa do Brasil e da Sul-Americana exige que Pedro Emanuel administre minutagem, desgaste físico, suspensões e eventuais lesões.
O Vasco, porém, não parece obrigado a escolher uma competição neste momento. O calendário permite que o clube alterne o foco ao longo das próximas semanas, principalmente por causa do intervalo entre os jogos da Sul-Americana e da Copa do Brasil.
O cenário ideal passa por aproveitar os confrontos contra o Santa Fe sem perder de vista o Brasileirão. Se conseguir somar pontos e deixar a zona de rebaixamento durante esse período, o Cruz-Maltino poderá chegar às fases decisivas das copas com menos pressão e mais condições de competir.
O desafio, portanto, é sobreviver ao momento delicado no Campeonato Brasileiro para, posteriormente, ter liberdade para sonhar nos mata-matas. O Vasco pode não possuir o elenco mais profundo entre os clubes que disputam três competições, mas o calendário oferece uma janela para administrar as forças.
Se conseguir aproveitar essa oportunidade, o Cruzmaltino poderá transformar uma temporada marcada pela luta contra o rebaixamento em uma campanha com ambições maiores e, quem sabe, encerrar um jejum de 15 anos sem conquistar um título de expressão.