Time de Marta é exemplo para o Vasco no futebol feminino

O futebol do Vasco da Gama vive realidade oposta à do Orlando Prid, time da jogadora Marta, torcedora do clube carioca.

Marta, jogadora do Orlando Pride
Marta, jogadora do Orlando Pride (Foto: Reprodução)

A passagem do Vasco pelos Estados Unidos pode inspirar investimentos não apenas na estrutura e elenco do futebol profissional, mas também na categoria feminina, que passou a ser controlada pela 777 Partners, após a venda da SAF vascaína.

Na Flórida, o clube encontra exemplos positivos. O principal é o do Orlando Pride.

Casa da Rainha Marta

O time feminino do Orlando City foi criado em 2015 e, no ano seguinte, passou disputar a liga profissional dos Estados Unidos (NWSL). Logo de cara, o investimento foi considerável, e a primeira atleta a ser contratada pelo clube foi a atacante Alex Morgan. A estrela da seleção dos EUA havia ganho recentemente a Copa do Mundo (2015) e os Jogos Olímpicos (2012), além de ter conquistado o campeonato americano de 2013 com o Portland Thorns.

Em 2017, o Orlando Pride contratou a eleita seis vezes melhor jogadora de futebol do mundo Marta. A brasileira, que renovou contrato com o clube até 2024, esteve no Explora Stadium na última terça-feira para assistir à derrota do Vasco para o River Plate. A Rainha do Futebol, que também já conquistou duas vezes a liga americana, é a estrela do time, com 84 partidas, 27 gols e 14 assistências.

A melhor jogadora brasileira da história iniciou a carreira no Vasco, clube pelo qual conquistou o Campeonato Brasileiro Sub-19 em 2001. Em 2004, ela foi vendida para o Umea IK, da Suécia, o que alavancou sua carreira na Europa e a fez ser eleita melhor do mundo.

Estrutura de primeira

Mas, além do investimento em jogadoras, o Orlando Pride impressiona pela estrutura. A começar que o time feminino manda seus jogos no mesmo estádio que o masculino, o Explora Stadium. E, a depender da equipe que está jogando, o clube muda a personalização dos ambientes internos.

A estrutura para treinos também é de primeira linha. O Orlando Pride tem, hoje, um centro de treinamentos próprio, que até 2017 era utilizado pelo Orlando City. O local passou por reformas para atender às necessidades do time feminino, que se tornou a primeira equipe da NWSL a ter um CT exclusivo.

O local conta com academia, refeitório, sala de análises, salão das jogadoras e vestiário projetado para replicar o vestiário do time no Exploria Stadium. Além disso, o Pride tem à disposição dois campos de treinamento que recebem todos os cuidados do clube. O complexo conta ainda com escritórios para a comissão técnica e departamento médico e áreas exclusivas para operações de mídia.

Outra realidade

No Rio de Janeiro, o Vasco vive realidade oposta à do Orlando Pride. No último ano, por exemplo, o futebol feminino do clube teve R$ 2 milhões para investir o ano todo – praticamente o mesmo valor que a equipe americana gastou com os salários anuais de Marta. Levando em conta números divulgados nos últimos anos, a Rainha ganha 340 mil euros por ano (R$ 1,9 milhão na cotação atual).

O Vasco alcançou vitórias no mandato do atual presidente Jorge Salgado, como os contratos de formação com jogadores mais jovens e carteira assinada para as meninas do profissional. Porém, a situação está longe do que o dirigente prometeu investir na categoria caso fosse eleito.

Relatos ouvidos pelo ge apontam que a categoria ainda segue sem prestígio no clube. Atletas estão preocupadas quanto ao seu futuro no Vasco. A comissão técnica se reapresentou na última semana, mas ainda não há data para apresentação do elenco.

Ainda não se sabe qual será o orçamento disponibilizado pela 777 Partners para investimento na categoria. Reuniões entre pessoas do clube e da empresa já aconteceram, e existe o interesse dos americanos em dar mais atenção ao futebol feminino. Entretanto, não se falou em números. Isso fica sob responsabilidade do CEO Luiz Mello, que deve voltar dos Estados Unidos com novidades.

O projeto precisa passar pelo objetivo de voltar à Série A2 do Brasileirão e depois à elite. No ano passado, com o descaso com a categoria, o Vasco foi rebaixado para a terceira divisão ao ficar entre os quatro últimos do campeonato.

A estrutura do time feminino é outro ponto que merece cuidado da SAF. Hoje, as meninas não têm lugar próprio para treinarem. Revezam entre a Vila Olímpica de Caxias, Artsul e São Januário. Os jogos geralmente são realizados no Artsul, em Nova Iguaçu. A categoria, que responde à base, é atendida pelos profissionais que estão à disposição dos garotos, como médicos, fisiologistas e fisioterapeutas.

Fonte: Globo Esporte

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