Talles Magno: de prodígio a contestado

Jovem promessa do Vasco da Gama, Talles surgiu como craque e hoje passa por período de oscilação em sua carreira profissional.

Altair Alves
Por Altair Alves
-  6 de outubro de 2020 às 23:26-  Atualizada em 7 de outubro de 2020 às 12:47
Talles Magno, atacante do Vasco (Foto: Marcelo Theobald)

Não há dúvida de que Talles Magno ainda é uma grande esperança para o futuro do Vasco da Gama. O jovem atacante surgiu no ano passado e rapidamente ganhou atenção dos vascaínos, da imprensa e até dos torcedores rivais, todos encantados com seus dribles, jogadas de pura plasticidade e enorme potencial para acudir a tão contestada recente geração de jogadores brasileiros.

Quem não se recorda da lambreta espetacular que o jogador aplicou em um jogo contra o Fortaleza, ou do ”calor” que ele deu no multicampeão Daniel Alves e no experiente espanhol Juanfran, em partida contra o São Paulo?

Seu estilo chamava atenção. Atacante alto, esguio, mas com muita velocidade e habilidade. Pois é, ali achávamos estar diante de um jogador pronto, maduro e preparado para conquistar o mundo. O céu era o limite, mas a realidade costuma ser um pouco mais dura.

Atualmente, Talles Magno está longe de ter o protagonismo que se esperava dele em 202O. Ainda em 2019, ele teve uma grave lesão que acabou antecipando o fim da temporada. No Carnaval deste ano, um acidente fora das quatro linhas resultou em mais um período afastado. A promessa cruzmaltina só não perdeu mais jogos por conta da pandemia da Covid-19, mas, até agora, aquele desempenho exuberante apresentado pelo atleta no ano passado não deu as caras nesta temporada.

São atuações que se dividem entre apagadas, burocráticas, razoáveis e boas. Nos piores momentos, é possível a total incapacidade de conseguir desenvolver o bom futebol de outrora. Talles fica encaixotado na marcação, sem conseguir dar sequência às jogadas e nem mesmo levar vantagem no um contra um, uma de suas especialidades.

Em função do desempenho aquém do esperado, a joia vascaína vem sendo alvo de muitas críticas por parte da torcida. O atacante fez apenas um golzinho no ano (curiosamente foi expulso na mesma partida, o clássico contra o Fluminense). Questionado sobre as atuações de Talles, o técnico Ramon Menezes desconversa, minimiza e prefere dar moral ao jogador. Nada de anormal vindo de um treinador que a todo momento aposta nas qualidades do seu elenco, mesmo quando elas claramente não aparecem, ou simplesmente não existem.

De fato, ter deixado de ser a promessa para ser a realidade fez de Talles mais visado em campo. Paralelamente, obrigações defensivas também lhe são dadas. Talles é jovem, muito mesmo, completou 18 anos recentemente, e ainda vai oscilar muito mais do que estamos vendo. Faz parte do processo de maturação. Porém, o futebol é passional, cheio de imediatismo, então, como lidar com isso? A resposta mais óbvia parece ser o clichê ”ter a cabeça no lugar e seguir fazendo seu trabalho”, e, no fim das contas, é exatamente isso, não existe uma porção mágica que devolva o bom futebol ao atacante, o nome disso é treino e confiança na sua capacidade.

No entanto, nem todo jovem consegue assimilar tão depressa esses conceitos, o que é natural. Talles está no caminho certo, e esse caminho é assim mesmo, cheio de percalços e de dúvidas sobre o quão longe se pode chegar. Muitos ficam pelo caminho, outros alcançam as glórias, mas todos, sem exceção, têm seus momentos de inconstância.

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