Sindicato cita risco de recuperação judicial do Vasco após decisão sobre a SAF
O Sindeclubes afirma que a intervenção na SAF do Vasco pode afetar receitas do Clube e colocar em risco o pagamento de credores trabalhistas.

O Sindicato dos Empregados em Clubes, Federações e Confederações Esportivas e Atletas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro (Sindeclubes) tornou pública uma nota em que demonstra preocupação com a decisão liminar que afastou o Conselho de Administração da SAF do Vasco.
Na avaliação da entidade, a medida pode comprometer o andamento da recuperação financeira do Gigante da Colina e colocar em risco o pagamento de milhares de credores trabalhistas.
Segundo o sindicato, a mudança na administração ocorre em um momento decisivo para o Vasco, justamente quando a estabilidade da gestão é considerada fundamental para garantir a execução do Plano de Recuperação Judicial homologado pela Justiça.
O Sindeclubes afirma que a insegurança criada pela decisão pode afetar diretamente o cumprimento dos compromissos assumidos com os credores.
Outro ponto destacado pela entidade é o retorno do controle societário à 777 Partners. O sindicato cita que o grupo enfrenta disputas judiciais nos Estados Unidos, além de acusações públicas relacionadas à condução de seus negócios e um cenário amplamente divulgado de dificuldades financeiras, com ativos submetidos a medidas judiciais.
O Sindeclubes também questiona a nomeação da interventora responsável por administrar a SAF. De acordo com a manifestação, a profissional não possui experiência conhecida na gestão de futebol de alto rendimento, fator que, na visão da entidade, amplia os riscos em uma fase considerada estratégica da temporada.
A nota ressalta ainda que o Vasco segue vivo em competições como a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana, torneios que podem gerar receitas importantes por meio de premiações e arrecadação. Para o sindicato, qualquer instabilidade administrativa pode comprometer essas receitas e prejudicar o processo de recuperação financeira do clube.
Além disso, a entidade alerta para os impactos esportivos de uma eventual queda para a Série B. Segundo o Sindeclubes, o rebaixamento provocaria uma redução significativa nas receitas do Vasco, dificultando o cumprimento integral do Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores.
Ao defender a atuação da gestão afastada, o sindicato afirma que a administração apresentou avanços concretos na reorganização institucional e financeira da SAF.
Como exemplo, cita a aprovação do Plano de Recuperação Judicial por cerca de 98% dos credores, além da divulgação dos balanços financeiros e da recuperação da credibilidade da instituição.
A entidade também elogiou o trabalho desenvolvido pela atual gestão do Clube de Regatas Vasco da Gama e da SAF na condução dos passivos da instituição.
Segundo o Sindeclubes, poucas recuperações judiciais de clubes brasileiros acompanhadas pelo sindicato apresentaram um nível semelhante de comprometimento com a reestruturação financeira e institucional.
Por fim, o sindicato defende que a atual estrutura de governança da SAF seja restabelecida. Na avaliação da entidade, a medida é a que melhor assegura a estabilidade administrativa, a geração de receitas, a continuidade do processo de recuperação judicial e o cumprimento do plano aprovado, preservando os interesses dos credores trabalhistas e dos colaboradores do clube.
Confira a íntegra da nota do Sindeclubes
O SINDECLUBES manifesta sua profunda preocupação com a decisão liminar que afastou o Conselho de Administração da SAF.
A medida gera enorme insegurança quanto ao cumprimento do Plano de Recuperação Judicial, colocando em risco o pagamento de milhares de credores trabalhistas que aguardam há anos a satisfação de seus créditos.
A preocupação é agravada pelo retorno do controle societário à 777 Partners, grupo que enfrenta graves litígios judiciais nos Estados Unidos, acusações públicas de irregularidades na condução de seus negócios e um quadro amplamente divulgado de insolvência financeira, com ativos submetidos a medidas constritivas, bem como pela nomeação de uma interventora sem experiência conhecida na gestão do futebol profissional de alto rendimento.
O Vasco vive um momento decisivo da temporada. Um eventual enfraquecimento da gestão poderá comprometer receitas extraordinárias fundamentais, como premiações e arrecadações decorrentes da Copa do Brasil e da CONMEBOL Sul-Americana. Da mesma forma, um eventual rebaixamento à Série B representaria uma drástica redução das receitas, colocando em sério risco a continuidade do processo de recuperação e a capacidade de cumprimento integral do Plano aprovado pelos credores.
O SINDECLUBES registra que a atual gestão da SAF, liderada pelo presidente do associativo e pelo Conselho de Administração ora afastado, apresentou resultados concretos de reorganização institucional e financeira. A expressiva aprovação do Plano de Recuperação Judicial por aproximadamente 98% dos credores, aliada aos balanços divulgados e à recuperação da credibilidade da instituição, demonstra que a SAF passou a trilhar um caminho consistente de reestruturação, ciente de que a recuperação de uma empresa recebida em situação extremamente delicada não se realiza da noite para o dia.
O SINDECLUBES também reconhece os esforços e empenho da atual gestão do Clube de Regatas Vasco da Gama e SAF Vasco da Gama em resolver as questões dos passivos do Clube. Na experiência deste sindicato, acompanhando recuperações judiciais em diversos clubes brasileiros, raras vezes se encontrou uma gestão com tamanho comprometimento com a reconstrução institucional e financeira de uma entidade esportiva.
Diante desse cenário, o SINDECLUBES entende que o melhor para os colaboradores é o restabelecimento da atual estrutura de governança da SAF às suas funções, por entender que essa medida representa a alternativa que melhor preserva a estabilidade da gestão, a geração de receitas, a continuidade do processo de recuperação e, sobretudo, o cumprimento integral do Plano de Recuperação Judicial em benefício de todos os credores trabalhistas e dos colaboradores ativos.