Rodrigo Capelo critica diretoria do Vasco e proposta de criação da SAF

Jornalista questionou a falta de transparência da diretoria do Vasco da Gama no processo de transformar o futebol do Clube em empresa.

Jorge Salgado e Carlos Fonseca em reunião do Vasco
Jorge Salgado e Carlos Fonseca em reunião do Vasco (Foto: João Pedro Isidro)

Entre faixas penduradas nos arredores de São Januário, após o anúncio da pretensão de fundar um clube-empresa, a mais amena dizia: “o Vasco não está à venda”. Outras faziam referência à mãe do presidente Jorge Salgado. Melhor não transcrevê-las letra por letra.

Faixas malcriadas não correspondem necessariamente ao sentimento da torcida. Elas podem ter sido penduradas por pessoas envolvidas na política do clube, cujos interesses nem sempre — ou quase nunca — estão alinhados aos da instituição. Mas não dá para ignorá-las.

Transferir o futebol da associação civil para a sociedade anônima seria um desafio, quaisquer que fossem as circunstâncias. Por ter uma das maiores torcidas, numerosa entre mais pobres, e história marcada por negros e operários, a “privatização” seria controversa de todo jeito.

Mas o presidente e seus aliados conseguiram agravar a situação. Eles acharam que a melhor maneira de comunicar o plano à torcida era por meio de uma nota no site. “Diretoria formaliza pedido de constituição de Sociedade Anônima do Futebol”. Como é?

Durante as eleições, Salgado rejeitou o clube-empresa. Como é possível que a visão de futebol e mercado dele tenha mudado tão radicalmente em menos de um ano? Em uma faixa de protesto, estava escrito “estelionato eleitoral”. A crítica é dura, mas não está errada.

O mínimo que a diretoria cruzmaltina tinha de ter feito era convocar entrevista coletiva, posicionar todos os responsáveis atrás da mesa e explicar, minuciosamente, e com calma, o plano. Quais são as razões para fazer a mudança? Por que a visão de Salgado mudou? Em vez disso, escolheram uma nota que não esclareceu nada; apenas chocou a torcida.

Outra confusão ocorreu por causa da omissão de um ponto crítico. Se a ideia é abrir a possibilidade de captar dinheiro novo, além das receitas orgânicas, o meio para colocá-la em prática é a venda de parte do clube-empresa. O investidor se tornaria sócio da operação, para lucrar no longo prazo, e a grana aportada por ele seria usada para aliviar a crise financeira.

Este é o plano para conseguir dinheiro. Tanto é que, na carta enviada por Salgado para os presidentes do Conselho Deliberativo e do Conselho de Beneméritos, a direção pede para que o estatuto vascaíno preveja a possibilidade de “ingresso de novos acionistas” na SAF.

Só que a história pegou mal. Então, dirigentes recorreram à imprensa para mudar a narrativa. Eles disseram que não há investidores por enquanto, que a princípio a empresa seria 100% do Vasco. Obviedades que não mudam a história, mas fazem parecer que houve só um engano.

Na época da eleição, muitos tiveram a impressão de que a chapa de Jorge Salgado era sinônimo de profissionalização, modernidade e eficácia. Eu, não. O mérito foi o de não exagerar tanto, em falsas promessas, quanto a seita de maluquinhos que segue Leven Siano. Só que isto já não basta. Ainda mais se o plano for realmente o de abrir o clube-empresa, a diretoria do Vasco precisará de muito mais clareza e coerência do que vem demonstrando.

Fonte: O Globo

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