Renato Gaúcho analisa derrota do Vasco contra o Botafogo; veja a entrevista
O técnico Renato Gaúcho lamentou a derrota e disse que time do Vasco cometeu erros infantis na derrota para o Botafogo.

Depois de três vitórias e dois empates, o Vasco perdeu a primeira com o técnico Renato Gaúcho. Foi derrotado para o Botafogo, de virada, por 2 a 1, em São Januário, nesta noite de sábado. O resultado fez o Vasco perder posição justamente para o rival carioca, caindo para a 9ª posição, com 12 pontos.
O time de São Januário volta a campo na próxima terça-feira contra o Barracas Central, na estreia da Sul-Americana em 2026, no estádio Florencio Sola, em Banfield, na Argentina.
O treinador do Vasco lamentou a derrota e disse que houve erros infantis na virada para o Alvinegro.
— Não adianta a gente ficar aqui dando desculpas por falta de tempo. Porque vamos jogar a cada três dias. Até porque os erros que nós cometermos hoje foram os erros que eu corrijo sempre no vídeo. Eu costumo falar que os pequenos detalhes do futebol fazem um estrago enorme. E fizeram de novo hoje. Nós fizemos o mais difícil. Saímos na frente. Aí, por erros nossos, erros digamos, assim, até infantis. Já falei por eles de novo no vestiário. São erros que eu procuro corrigir sempre no vídeo por falta de tempo de irmos a campo. Já melhoramos bastante, mas deixamos de fazer hoje de novo — comentou o treinador do Vasco.
O técnico disse que não vai ter tempo para corrijir as falhas dentro do campo, mas que vai ser na base da conversa e na sala de vídeos.
— No futebol tem que ter atenção durante os 90 minutos. Não tem jeito, você tem que estar ligado o tempo todo, não importa quem é o adversário. Eu falei pra eles que nós deixamos escapar no mínimo um ponto hoje. Deixamos dois contra o Coritiba por falta de atenção. Então, eu tenho conversado bastante com eles, tenho trocado ideias, tenho mostrado pra eles os erros que não podem ser cometidos dentro do campo, porque a conta chega. Então, não é só falar da transição ofensiva, transição defensiva. Isso é falta de tempo mesmo, até porque hoje não tem tempo pra treinar muito. E até porque hoje a gente tem mudado o time de uma partida pra outra, mas eles sabem exatamente o que deve ser feito no campo. Então, tem que ter um pouco mais de atenção pra que a gente possa evitar certos problemas. E, consequentemente, com isso a gente sempre vai ter um resultado melhor.
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Crítica à arbitragem
— Não costumo falar de arbitragem. Até porque se tem um treinador que defende arbitragem no Brasil sou eu. No fim do jogo, eu fui falar com o árbitro e falei que, na falta que resultou no gol do Botafogo, ele inverteu a falta. Ele falou: “você vai ver lá no vídeo que o seu jogador fez a falta”, no caso o Barros. Fui ver agora e não, foi o jogador do Botafogo que fez a falta, ele inverteu a falta. Na falta, saiu o gol. Não estou aqui dando a desculpa porque foi mais uma vez um erro nosso coletivo. Faltou atenção. Mas ele inverteu a falta. Não estou dando desculpa pela derrota, mas não teria sido gol pelo menos naquele lance.
Time alternativo na Sul-Americana?
— Quanto à Sul-Americana: nós já temos um grupo reduzido, temos jogador no departamento médico e estamos jogando a cada três dias. Hoje, eu mudei praticamente 50% do time justamente para dar mais gás, mais fôlego pelo desgaste que o time vem tendo. Amanhã, vamos treinar de manhã cedo; à noite, tem a viagem para a Argentina. Uma pedreira. Não tem como levar todo mundo para a Argentina, voltar e atravessar o Brasil todo para ir para Belém. Jogadores são humanos, não são de ferro. Você vê que a maioria dos clubes, a cada rodada, só no Brasileiro, eles mudam o time, justamente pelo desgaste. Então, se deixar o mesmo time, não vai conseguir correr e você vai pedir jogadores por lesão. A gente não está deixando a Sul-Americana de lado, muito pelo contrário. A prioridade é o Brasileiro. Mas não adianta querer insistir, colocar jogadores, com elenco reduzido, e perder mais jogadores para o departamento médico. A conta chega. Então, pode ter certeza que a decisão que a gente tomou é a melhor possível.
Viu falhas de Léo Jardim?
— Depois do jogo, falei com o grupo todo. Sempre no dia seguinte ou dois dias depois, se tiver que falar com um jogador individualmente, eu chamo na minha sala, converso, troco ideias e mostro onde tem as falhas. Mas quando perde, perde todo mundo. Quando ganha também. Hoje, sinceramente, não vejo falha do Léo. O cara deu um chute na gaveta. O outro foi um cruzamento, e a bola, infelizmente, o encobriu. Quando falo que a gente falhou é algo coletivo. Não importa se o jogador falhou ou não no lance. Ele é um grande goleiro, sem dúvida alguma, passa muita confiança para todos nós. No futebol, quando não ganha, sempre alguém aparece para ser o culpado, ou dois ou três culpados. A gente tem que entender. O torcedor quer sempre ganhar. Quando cheguei aqui, estávamos em último lugar. A gente tem que desgarrar do grupo lá de baixo e ir lá para cima. Mas não é da noite para o dia. O Vasco não tem um time imbatível. A gente trabalha para fazer os melhores resultados. Até antes do jogo de hoje, ninguém iria acreditar que o Vasco faria 11 pontos de 15. Hoje, são 11 de 18. É só ver o aproveitamento. Mas também estamos pagando a conta também dos quatro primeiros jogos. Um ponto em quatro jogos vai fazer falta no campeonato. E, mesmo assim, a gente recuperou. Tenho que dar os parabéns para o grupo. A gente precisa melhorar? Sempre precisa. Após as vitórias também. Tem coisa para corrigir. Mas a cada três dias (ter um jogo), não tem como. Mas o grupo está bem, está reagindo. Não vamos ganhar todas. Mas os adversários também precisam da vitória. O que precisamos corrigir ainda mais é a falta de atenção. Todas as vezes que a gente se desliga, nós tomamos gol.
Avaliação de Marino
— O que eu mais falo, até por eu ter sido atacante, é pra eles terem tranquilidade para tomar a melhor decisão. O desespero próximo da área é sempre do adversário. Temos quatro colombianos no grupo, eu procuro sempre corrigir eles. E eles tem muitos erros. É o meu trabalho, mas é falta de tempo. Não é da noite para o dia que eu vou corrigir os caras 100%. E tem o problema de adaptação. Quando eu estava no Grêmio e me ofereciam jogadores colombianos e equatorianos, eu gosto deles, eu só dava o aval pra trazerem quando estavam adaptados ao futebol brasileiro. O jogador colombiano e equatoriano precisa de muito tempo para se adaptar ao futebol brasileiro. O futebol brasileiro, com o colombiano, tem uma diferença muito grande, principalmente taticamente. E isso leva tempo. E é difícil jogar a cada três dias e corrigir tudo dos jogadores. Você vê que muitas vezes eles tomam a decisão errada porque eles jogam dessa forma na Colômbia, ou no Equador. Eu procuro corrigi-los, mas é adaptação, não é da noite pro dia. Enquanto isso, pode ter certeza que eles vão cometer esse tipo de erro, por mais que a gente corrija eles.
Não usar as cinco substituições
— As substituições eu faço quando necessário. Você viu quem eu tinha no banco hoje? As características dos jogadores. Eu coloquei o Marino, eu não posso colocar dois jogadores na mesma posição. É um ou outro. Tinha um atacante só de área. Nosso grupo está um pouco reduzido. Eu gosto de fazer cinco substituições. Não fiz nenhuma substituição no intervalo do jogo porque não achei necessário, porque eu achei que iríamos melhorar. O jogo estava controlado, e melhoramos. Fizemos o gol, que é o mais difícil no futebol. Aí é o que eu falo, o que não pode é faltar atenção pra tomar aqueles dois gols. Eu costumo contar uma historinha pra eles sempre… vocês são pais, vocês tem filhos, na hora de atravessar a rua ninguém dá as costas pro filho, tem que ter atenção, porque se der as costas pro filho, alguma coisa vai acontecer, eu falo que no campo é a mesma coisa. E aconteceu. O nosso trabalho, apesar do pouco tempo, a gente alerta. Ninguém está tirando a responsabilidade. Eu estou com o grupo, sempre. Mas, é o que eu falo, a gente precisa ter atenção durante 90 minutos pra pararmos de tomar os gols que estamos tomando.
Mental antes da Sula
— Quando você tem um grupo grande, em que se pode mudar jogadores e não se sente tanta falta, disputar uma Sul-Americana te dá uma vaga para a Libertadores. Mas você tem que olhar os dois lados da moeda na Sul-Americana. Não que vamos deixar ela de lado, estamos deixando pelo desgaste, de viagem, de jogadores no DM, vamos ver o que vai acontecer na Argentina, depois teremos dois jogos em casa. Mas veja bem: a Sul-Americana é disputada o ano todo, tem que jogar na altitude, contra times fortíssimos, o desgaste de viagens longas. E é uma pedreira para chegar lá em dezembro para ver se você vai ser campeão para ganhar uma vaga na Libertadores. E até dezembro o que acontece? Desgaste, perda de jogadores. E nesse meio tempo tem o Campeonato Brasileiro. E não pode deixar de lado. A prioridade do Vasco é o Campeonato Brasileiro. E até porque entre Brasileiro, Sul-Americana, ainda tem a Copa do Brasil. E nós estamos entre os 32 (classificados). E esse ano são duas vagas para a Libertadores por lá, o campeão e o vice. Então é um caminho bem mais curto. Menos, entre aspas, desgastante. Mas para você ver o desgaste. Mas independentemente de Copa do Brasil ou Sul-Americana, a gente tem que somar o maior número de pontos no Brasileiro até a pausa para a Copa do Mundo, até junho. E eu tenho conversado bastante com Pedrinho e Felipe: nós temos que ser pontuais nas contratações, temos que contratar e trazer mais qualidade para o nosso grupo para a gente pensar ainda maior. Mas esses 3 ou 4 jogadores, no mínimo, que a gente trouxer tem que ser de agrado de todo mundo, do treinador, da torcida, da diretoria. Jogadores que cheguem para que a gente tenha um grupo mais forte para pensar em coisas maiores. Mas até lá o torcedor tem que entender isso: até junho vai ser uma guerra. Serão mais 17 jogos, a cada três dias a gente vai ter que jogar Sul-Americana, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro e somar o maior número de pontos. E aí, sim, trazer reforços no meio do ano para elevar a qualidade técnica suba bastante, e o torcedor possa se entusiasmar ainda mais.
Parte defensiva de Puma
— Para você ver a situação do treinador. Estava jogando o PH. “Ah, tira o PH, bota o Puma”. Difícil para o treinador. Se coloca aqui 5 minutinhos que você vai ver. Eu tenho dois bons laterais do lado direito, e dois bons do lado esquerdo. Não posso inventar um terceiro jogador. Estou satisfeito com os dois agora. O torcedor, infelizmente, é assim. Ele quer que o jogador entre e seja 100%. Quando começa a pegar no pé de um jogador, se tiver que tirar todos que eles reclamam, teriam que ter 25 substituições. Eu preciso de 300 jogadores no plantel. Sou pago para pensar e fazer o melhor para o time.
Matheus França
— O França é outro que a torcida já se manifesta quando chamo para entrar. E ele tem treinado bem, tem qualidade. O torcedor precisa ter calma. Ele vai nos ajudar. Ninguém gosta de entrar em campo e ser vaiado, é difícil, eu fui jogador. Então, com o apoio da torcida, você rende mais. No momento que o torcedor começa a pegar no pé de um ou outro jogador, fica difícil porque o rendimento, pode ter certeza, não é o mesmo.
Assista à entrevista
Fonte: Globo Esporte