Presidente do Conselho Fiscal da Vasco SAF renuncia ao cargo
Executivo deixa a pasta partir de julho e defende mudanças na governança e maior transparência nas negociações da SAF do Vasco da Gama.

O presidente do Conselho Fiscal da SAF do Vasco, Marco Schroeder, apresentou sua carta de renúncia ao cargo junto à diretoria da companhia. A saída do executivo passa a valer a partir de 31 de julho.
O órgão ganhou destaque recentemente após seu parecer sobre o balanço fiscal ser citado como uma das bases de uma ação movida pela 777 Carioca na Justiça, que resultou na derrubada de Pedrinho e outros dois integrantes do conselho administrativo da SAF.
Na manifestação formal, Schroeder não apenas comunica sua saída, como também faz uma reflexão sobre o momento atual do futebol cruz-maltino e sobre os rumos da governança da empresa.
Entre os pontos destacados, ele defende a adoção de critérios mais rigorosos na escolha de executivos e sugere a implementação de um período de quarentena para profissionais que venham a ocupar cargos na estrutura da SAF.
– O momento vivido pela Vasco da Gama SAF, especialmente em seu processo de reconstrução financeira e de governança, exige, em minha opinião, administradores legitimamente avaliados e eleitos pelos órgãos competentes previstos no Estatuto Social. Registro também minha preocupação com a necessidade de evolução da governança corporativa da companhia. Precisamos avançar para que a Vasco SAF não permaneça presa às práticas do passado. Sem gestão, governança e mecanismos sólidos de controle, dificilmente alcançaremos o Vasco que todos desejam construir. Entendo como fundamental a implementação de processos formais e permanentes de compliance aplicáveis aos diretores e membros dos Conselhos de Administração e Fiscal, inclusive como requisito prévio para posse e permanência nos cargos. Da mesma forma, considero necessária a adoção de compromissos de quarentena relativamente à participação em negócios, contratos ou posições vinculadas à Vasco SAF.
Schroeder também comenta as negociações envolvendo a possível revenda da SAF entre o presidente Pedrinho e o empresário Marcos Lamacchia. Embora afirme não ter informações suficientes para avaliar se a operação representa um bom ou mau negócio para a companhia, ele ressalta a importância da transparência nos processos.
– O Vasco necessita de investidores, mas isso não significa aceitar qualquer modelo de acordo. Transparência é elemento indispensável em negociações desta relevância. Aproveito ainda este momento para reafirmar a necessidade de a Vasco SAF desenvolver alternativas de governança e financiamento que assegurem sua continuidade e sustentabilidade de longo prazo. Contudo, sinto-me na obrigação de registrar que não disponho das informações necessárias para avaliar se as operações em discussão neste momento representam um bom ou mau negócio para a companhia. O Vasco necessita de investidores, mas isso não significa aceitar qualquer modelo de acordo. Transparência é elemento indispensável em negociações desta relevância. O futebol brasileiro já possui histórico de operações insuficientemente esclarecidas, e não podemos continuar contribuindo para esse cenário.