Pikachu fala sobre números expressivos pelo Vasco, falhas e exalta Luxemburgo

Perto de se tornar o atleta com mais jogos pelo Vasco no século, Yago Pikachu fala sobre queda de rendimento em 2020 e exaltou Luxemburgo.

Yago Pikachu comemorando gol contra o Atlético-MG
Yago Pikachu comemorando gol contra o Atlético-MG (Foto: Rafael Ribeiro/Vasco)

Figura praticamente certa no time titular que enfrentará o Bahia no domingo, às 16h, em São Januário, Yago Pikachu, caso entre em campo, se tornará o atleta com mais partidas pelo Vasco no século 21, com 248, mesmo número registrado por Fernando Prass.

O mau momento vivido em 2020, porém, o fez até mesmo deixar de lado anotações que fazia a respeito de números expressivos. Pikachu, de 28 anos de vida e seis de Vasco, sabe que foi mal sob as gestões de Abel Braga, Ramon Menezes e Ricardo Sá Pinto, treinador que o barrou.

Até que Vanderlei Luxemburgo voltou, deu-lhe confiança e o recolocou no time titular. Desta vez mais avançado, fora da lateral direita, sua posição de origem. Em 2019, Pikachu só atuou como ponta contra Bahia (1 a 1), Goiás (1 a 1) e Flamengo (1 a 4), mas na atual temporada procurou agarrar a oportunidade dada.

Para Pikachu, a volta de Luxemburgo foi fundamental para voltar a sorrir. Em 2019, por exemplo, foi o jogador mais utilizado pelo treinador – jogou 32 das 34 partidas oficiais comandadas por Luxa (35 de 37 contando amistosos).

– É um cara que nos passa confiança, como foi na chegada dele agora no final do ano. Particularmente vou falar que era um cara que eu precisava, é um cara que me conhece. Quando chegou, ele teve uma conversa comigo e disse que optaria por eu jogar um pouquinho mais na frente, mas que eu não deixasse de fazer a função de lateral, já que ele me conhece jogando nessa posição.

– Realmente é um cara que eu precisava para resgatar essa confiança, porque 2020 foi um ano muito complicado não só para mim, mas para o clube também. Tivemos eliminações que não estavam no nosso planejamento. Na Copa do Brasil, nas oitavas, foi muito cedo. Na própria Sul-Americana, foi um baque muito grande, todo mundo sentiu aquilo, e o resultado não estava vindo. Não só eu estava passando por uma fase ruim, mas os resultados não vinham.

Confiança retomada, dois gols marcados com Luxa na atual temporada, e um recorde próximo. Pikachu está pronto para viver um 2021 diferente e não esconde a felicidade de estar perto de se tornar o atleta que mais defendeu a Cruz de Malta no século 21.

– É uma responsabilidade muito grande, cara. Pelo momento não tão bom em 2020, eu acabei esquecendo esses números porque sempre anoto gols e partidas. E meu pai também anota. Como 2020 não foi um ano tão legal individualmente, acabei deixando de lado as notícias desse número que posso alcançar em breve. Representa muita coisa, cara. Nunca imaginei chegar a essa quantidade de jogos e gols, até porque meu primeiro contrato era de três anos. Então nunca pensei nesses números importantes.

– São números expressivos que, querendo ou não, me deixam marcado na história do clube. É um momento de muita felicidade e de muita gratidão por tudo que o clube me apresentou e por tudo que o clube representa para mim e para a minha família.

Confira outros tópicos da entrevista com Pikachu:

O que o Vanderlei representa para você, tanto em relação a 2019 quanto sobre 2020, ano no qual você não vinha bem?

– A importância dele primeiro em 2019. Fiquei muito feliz de trabalhar com ele naquele primeiro ano por tudo que ele representa para o futebol brasileiro. É um treinador que chegou ao Real Madrid, de vez em quando ele conta as histórias da passagem que teve por lá. Então é uma referência.

– Em 2019, quando ele chegou, a gente meio que se assustou: “Como vai ser?”. Lembro que no primeiro treino ele já começou a me xingar, cara, e a me orientar muito nos treinamentos. Eu fiquei meio assustado, mas com o tempo a gente foi conhecendo a personalidade dele. É um cara que exige bastante de todo mundo, e em 2019 a gente teve aquela arrancada.

– Ele pegou o time na lanterna, e nós conseguimos fazer, principalmente do meio do campeonato para o final, uma campanha que em certos momentos lutamos até por pré-Libertadores e conseguimos a vaga na Sul-Americana.

– É um cara que nos passa confiança, como foi na chegada dele agora no final do ano. Particularmente vou falar que era um cara que eu precisava, é um cara que me conhece. Quando chegou, ele teve uma conversa comigo e disse que optaria por eu jogar um pouquinho mais na frente, mas que eu não deixasse de fazer a função de lateral, já que ele me conhece jogando nessa posição.

– Realmente é um cara que eu precisava para resgatar essa confiança porque 2020 foi um ano muito complicado não só para mim, mas para o clube também. Tivemos eliminações que não estavam no nosso planejamento. Na Copa do Brasil, nas oitavas, foi muito cedo. Na própria Sul-Americana foi um baque muito grande, todo mundo sentiu aquilo, e o resultado não estava vindo. Não só eu estava passando por uma fase ruim, mas os resultados não vinham.

– Com a chegada dele, a gente conseguiu resgatar confiança, leveza e tranquilidade. É um cara que conhece todo mundo. Ele conhece 70% ou 80% do grupo, as características de cada um, e isso facilita o nosso trabalho.

Conversa pessoal com Luxa

– É um cara direto. O que tem para falar, ele fala para você. Comigo ele disse só que eu jogaria mais na linha na frente, coisa que aconteceu três vezes em 2019. Contra o Flamengo, Goiás e outro jogo que não me lembro. Tentei dar o meu máximo já nos primeiros treinamentos para estar entre os 11. Resgatou a confiança depois de um período muito ruim. Comecei a dar meu máximo novamente para que as coisas voltem a acontecer naturalmente.

Consegue explicar por que seu rendimento caiu? Costuma fazer autocrítica?

– Faço desde quando as coisas não estavam fluindo naturalmente, eu vinha me cobrando bastante. Claro que no início de 2020 eu tinha metas pessoais e de conquistas junto com o clube. Lembro da entrevista que eu falava que a Sul-Americana era um campeonato que estava ao nosso alcance.

– Teve o Carioca, a gente não começou bem, não se classificou no primeiro turno. Logo em seguida teve a pandemia e tudo mudou. Ficamos muito tempo sem jogar, sem treinar. Começou um novo mundo para nós. Nosso corpo teve que se adequar novamente no meio do ano. Na estreia no Campeonato Brasileiro, eu tive minha primeira lesão na carreira. Então foi uma coisa muito nova, não sabia lidar com aquilo.

– Fiquei de 10 a 15 dias sem jogar, lembro que fiz um esforço muito grande para voltar o mais rapidamente possível porque a gente tinha o jogo de volta com o Goiás pela Copa do Brasil. Queria estar ajudando a equipe de alguma forma e, graças a Deus, consegui voltar a tempo.

– Mas tinha aquele medinho de machucar de novo porque era a primeira lesão desde 2012 atuando, quando comecei no Paysandu.

Cobrança por falhas que admite ter cometido

– A cobrança veio em cima de mim, eu me cobro muito e sei que deixei muito a desejar em alguns jogos. Houve algumas falhas individuais que resultaram em gol, e a cobrança veio muito mais forte. Eu tentei achar resposta para tudo isso, mas acredito muito em Deus. Coloquei tudo na mão Dele e sei que tudo é na sua hora. E continuei trabalhando da mesma forma para sempre ajudar de alguma maneira. Não sei se encontrei a resposta por tudo que passei em 2020, mas não faltou trabalho ou empenho em momento nenhum.

Quando chegou, Luxa falou em campeonato particular de 12 jogos. Estamos na metade, com seis jogos a disputar. Você vê o Vasco em evolução?

– Acho que estamos evoluindo, sim. É claro que deixamos a desejar contra Coritiba e Bragantino. Dentro do nosso planejamento, eram jogos para pontuar, principalmente com o Coritiba. Vínhamos de vitória boa sobre o Botafogo, era um adversário direto ali na briga. Estamos em evolução, mas ainda é pouco. Conseguimos sair da zona, mas não podemos estar confortáveis com o nosso momento. Precisamos evoluir cada vez mais, e é isso que o Luxemburgo cobra da gente.

– Ele não está satisfeito com o que a gente conquistou. Nós conseguimos uma excelente vitória sobre o Atlético, que pouca gente imaginava. Temos que colocar na cabeça que podemos jogar de igual para igual contra qualquer adversário. Demonstramos isso contra o Atlético-MG, então estamos na busca dessa evolução para não chegar nas últimas duas ou três rodadas com risco de rebaixamento.

– Isso não é o que a gente quer, não é o que a gente merece. Nós sabemos do nosso potencial e que podemos chegar cada vez mais longe nessa competição.

Lembra do dia 13 de janeiro de 2016?

– Acho que foi minha estreia…

Foi sua apresentação pelo Vasco, era um cara de 23 anos chegando com contrato de três temporadas, e esse prazo passou. Queria que você falasse da sensação desses cinco anos completos. Sofreu mais ou foi mais feliz?

– Ah, 50%, cara (risos). Se falasse que hoje ainda estaria aqui há três anos, eu estaria mentindo. Nunca imaginei que chegaria a esse momento com o número de jogos que tenho, com número de gols… Claro que a gente quer sempre entrar para a história de um clube conquistando títulos importantes, mas nunca imaginei passar tudo o que passei nesse clube.

– Passei muitas coisas boas no Vasco, muitas coisas não tão boas. É tudo tão intenso esses momentos que passei aqui que eu vou levar pro resto da vida.

Vai se tornar o jogador que mais defendeu o Vasco no século 21. O que representa?

– É uma responsabilidade muito grande, cara. Pelo momento não tão bom em 2020, eu acabei esquecendo esses números porque sempre anoto gols e partidas. E meu pai também anota. Como 2020 não foi um ano tão legal individualmente, acabei deixando de lado as notícias desse número que posso alcançar em breve. Representa muita coisa, cara. Nunca imaginei chegar a essa quantidade de jogos e gols até porque meu primeiro contrato era de três anos. Então nunca pensei nesses números importantes.

– São números expressivos que, querendo ou não, me deixam marcado na história do clube. É um momento de muita felicidade e de muita gratidão por tudo que o clube me apresentou e por tudo que o clube representa para mim e para a minha família.

Qual foi a sensação de voltar a marcar gols com a bola rolando? Os seis anteriores ao gol contra o Galo haviam saído em pênaltis…

– Acredita que, chegando em casa, minha esposa até brincou pela forma do gol? Por não ter sido de pênalti. Ela brincou: “Muito feliz pelo gol que você fez, principalmente por não ter sido de pênalti”. É verdade, realmente meus últimos gols tinham sido de pênalti.

– Com bola rolando, eu nem me recordo qual foi o último (contra o Avaí, em 10 de abril de 2019, pela Copa do Brasil). É um momento de muita felicidade, daquela explosão e emoção. Vendo o banco todo vindo comemorar junto com a gente em campo. É uma sensação incrível, e espero manter essa sequência boa de atuações e gols, que agora estão saindo. Começaram a sair naturalmente. Vou continuar dando o máximo da mesma forma que fiz desde quando fui apresentado lá em 2016.

– Dá confiança, motivação a mais para cada jogo, e a gente tem que se preparar ao máximo para a partida com o Bahia, que a gente está tratando como decisão.

Quais são seus gols mais especiais dentro dos 40 que fez pelo Vasco?

– Da Libertadores, contra o Jorge Wilstermann. Foi a primeira vez que joguei essa competição, e era um sonho. Não tem como estar na América do Sul e não sonhar em jogar a Libertadores e em conquistá-la. Então coloco esse gol em São Januário, num jogo de 4 a 0 se não me engano.

– Vou colocar a jogada com o Flamengo (que resultou em pênalti de Rodrigo Caio com caneta em Marí) e o gol no 4 a 4. Por tudo que representou, um dos melhores jogos dos últimos tempos em clássicos.

Pikachu

– Contra o Botafogo, em 2018, no primeiro jogo da final. E um contra o Joinville em 2016.

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