Pela porta dos fundos? O fim melancólico da era Coutinho no Vasco
Philippe Coutinho deixa o Vasco da Gama em baixa e sem grandes conquistas após expectativa da torcida com o seu retorno.

Está chegando ao fim a segunda passagem de Philippe Coutinho pelo Vasco. E não vai terminar da melhor maneira para o “cria” que voltou ao clube em 2024 com enormes expectativas mas nunca conseguiu ser uma unanimidade em quase dois anos. Em mais um momento de turbulência comum às últimas décadas do cruz-maltino, o camisa 10 comunicou a sua intenção de rescindir contrato diretamente ao presidente Pedrinho.
A decisão pegou de surpresa a diretoria, que queria renovar seu contrato pelo menos até o fim do ano — o vínculo iria até junho. Porém, o campo já vinha dizendo o contrário há algum tempo. Coutinho sai pela porta dos fundos e com o sentimento de frustração, após ter perdido o apoio da arquibancadas e ouvido vaias da torcida nos últimos jogos em São Januário.
Ao todo, o jogador de 33 anos somou 81 jogos, 17 gols e sete assistências neste retorno ao clube que o formou, e de onde saiu como joia me 2010. A expectativa inicial era grande para um nome que teve momentos de brilho em gigantes do futebol europeu e disputou Copa do Mundo pela seleção brasileira, mas foi inevitável perceber que este Coutinho já está em desarranjo em relação à forma de outros tempos.
Em um futebol cada vez mais físico, o declínio neste aspecto ofuscou a qualidade de “mágico” que o meia ostentou em seus melhores anos. Mesmo sendo seguramente um dos grandes líderes técnicos — senão o principal — de um elenco repleto de limitações, isto não bastou, em especial dentro do estilo de jogo proposto pelo técnico Fernando Diniz — que tentou fazer o jogador mudar de ideia. Lesões também foram uma constante.
Divisor de opiniões
Entre os vascaínos e outros torcedores, sempre um houve uma cisão de opiniões sobre Coutinho. Parte apontou o dedo para um atleta pouco participativo em campo e que nunca realmente apareceu para decidir em jogos grandes.
Outra parte sustentou que não havia milagre a se realizar, e que ele até fez demais em um time frágil e um clube que passa longe do trilho dos títulos há tempos. Nesta temporada, ele é um dos líderes de participações em gols no elenco. Em sete jogos, são quatro: três gols e uma assistência.
As Copas do Brasil dos últimos dois anos foram os grandes capítulos recentes em que o Vasco se sobressaiu, e Coutinho teve sua participação, apesar de faltar o título. Em 2024, ainda emprestado pelo Aston Villa, ajudou o time a chegar à semifinal. E no ano passado, contratado em definitivo, foi protagonista da campanha que parou na decisão. Mas assim como em clássicos e outros momentos grandes, o meia não conseguiu aparecer para ser o diferencial e decidir diante do Corinthians.
Tampouco conseguiu potencializar o cruz-maltino a ter alguma campanha relevante no Campeonato Carioca, no Brasileirão ou na Copa Sul-Americana. Neste período, além de Diniz, foi comandado por nomes como Rafael Paiva e Fábio Carille. A falta de consistência da diretoria neste aspecto também não ajudou.
Ficam alguns capítulos memoráveis como a goleada por 6 a 0 sobre o Santos, no Brasileirão do ano passado, em que Coutinho marcou duas vezes. No bom momento coletivo vivido entre agosto e outubro de 2025, ele se destacou individualmente e a torcida fez coro até por uma convocação para a seleção brasileira. Durou pouco.
No final das contas, o jogador sai com a imagem bastante arranhada e deixando o Vasco no meio da turbulência. A equipe está na semifinal do Campeonato Carioca, contra o Fluminense, mas agora com uma peça de peso a menos. O trio composto por Coutinho, Pablo Vegetti e Rayan está oficialmente encerrado.
– Minha relação com o Vasco é de amor. E vai continuar sendo para sempre. Com o coração apertado, eu entendo que agora seja o momento de dar um passo para trás e encerrar esse ciclo no Vasco. Eu sou grato por tudo que vivi aqui – disse Coutinho através das redes sociais.
Fonte: O Globo