Pedro Emanuel explica mudança que transformou mentalidade do Vasco
Treinador português destaca resgate da confiança do elenco como fator decisivo para classificação sobre o Fluminense na Copa do Brasil.

A classificação do Vasco para as quartas de final da Copa do Brasil, após a vitória por 3×1 sobre o Fluminense na quarta-feira (5), teve como um dos principais pilares a mudança de mentalidade implantada por Pedro Emanuel.
Após o clássico disputado no Maracanã, o treinador revelou que o trabalho começou longe das quatro linhas: reconstruir a confiança do elenco e fazer com que todos encarassem o momento como um novo começo.
Segundo o comandante português, a evolução da equipe só seria possível a partir do fortalecimento individual de cada atleta. Para isso, a comissão técnica decidiu deixar para trás o que havia sido feito anteriormente e iniciar um novo ciclo dentro do grupo.
– O grande mérito desta mudança de postura é deles, pela forma como receberam as ideias que trouxemos para melhorar a equipe. Só poderíamos melhorar a equipe melhorando aspectos individuais. Zeramos tudo, apesar do que vinha sendo feito. Tudo começa por eles acreditarem neles próprios, naquilo que podem fazer. Acho que essa foi a parte que fez a diferença para o espírito que nós estamos sentindo na equipe.
A filosofia adotada por Pedro Emanuel representa uma mudança em relação aos trabalhos anteriores em São Januário. Enquanto Fernando Diniz conduziu o Vasco à final da Copa do Brasil em 2025, mas conviveu com dificuldades no Brasileiro, e Renato Gaúcho queria alcançar os 45 pontos na competição, o atual treinador evita estabelecer limites para a equipe.
A prioridade é manter um elenco competitivo, ambicioso e focado no desempenho diário, independentemente do histórico recente.
Essa nova postura já começa a produzir efeitos dentro de campo. Jogadores que atravessavam um período de desconfiança voltaram a apresentar bom rendimento, enquanto o coletivo passou a demonstrar mais intensidade, confiança e comprometimento.
Durante a entrevista coletiva, o treinador também ressaltou que o aspecto psicológico tem peso determinante no desempenho da equipe, muitas vezes superando até o desgaste físico provocado pela sequência de partidas. Para ele, o ambiente criado no vestiário foi decisivo para elevar o nível de confiança do grupo.
– Por vezes temos um desgaste físico, mas o pior é o desgaste mental. Se estivermos cansados mentalmente, isso vai irradiando para o corpo. O que tentamos fazer é permitir que o jogador acredite que será sempre valioso para a equipe. Um jogador falou no nosso vestiário: com esse espírito e determinação vamos ganhar mais vezes do que perdemos. É isso, eles estão mais do que preparados para jogar.
A mudança de comportamento ficou evidente no clássico diante do Fluminense. Mesmo após sofrer o gol que diminuiu a vantagem no placar, o Vasco manteve a organização, seguiu firme na marcação e conseguiu controlar emocionalmente a partida até definir a classificação nos minutos finais.
Pedro Emanuel também fez questão de destacar a recuperação de atletas que voltaram a se destacar nas últimas partidas. Brenner, autor de dois gols contra o Fluminense, e Tchê Tchê foram citados como exemplos de evolução dentro do novo modelo de trabalho.
– Quero realçar a forma como a equipe encarou o jogo. Particularizo o Brenner e o Tchê Tchê, mas temos outros exemplos de evolução individual que fazem a equipe ficar mais forte. Temos o Lucas Freitas, por exemplo, que trabalha no limite e está pronto para jogar. Quem tiver a oportunidade terá que mostrar serviço, senão outro entra no lugar. É essa competitividade que vamos tentar manter.
Com a vaga assegurada nas quartas de final da Copa do Brasil, o Vasco agora volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro. A equipe inicia a preparação para o compromisso de domingo e aguarda o sorteio da CBF, marcado para o dia 11, que definirá o adversário na próxima fase do torneio nacional.