Pedro Emanuel analisa atuação do Vasco contra o Botafogo; veja a coletiva

O técnico Pedro Emanuel exalta coletivo do Vasco da Gama ao analisar a vitória contra o Botafogo, no Nilton Santos.

Pedro Emanuel em coletiva após jogo do Vasco
Pedro Emanuel em coletiva após jogo do Vasco (Foto: Bruno Murito/ge)

O Vasco venceu o Botafogo por 2 a 1 em clássico disputado nesta quarta-feira no Nilton Santos e confirmou a campanha de recuperação no Campeonato Brasileiro. A equipe de Pedro Emanuel engatou a terceira vitória consecutiva no torneio e ganhou fôlego na luta contra o rebaixamento.

O treinador aproveitou a entrevista coletiva após o triunfo para comentar sobre o imbróglio envolvendo o palco da partida da semifinal contra o Boca Juniors. Com a briga judicial pelo Maracanã e a dificuldade para viabilizar São Januário, o Nilton Santos ainda é uma possibilidade para a realização do duelo. Pedro Emanuel, no entanto, citou o sintético como um “problema” e fez um apelo para que a partida não seja no estádio do Botafogo.

— Vou responder não como um treinador, mas como um apaixonado por futebol. Habituei-me a ver grandes clássicos sul-americanos em grandes estádios. E, com todo respeito que tenho pelo Nilton Santos, para mim jogar no gramado sintético já é um problema. Era enquanto jogador e agora, na preparação para esse jogo, foi também, porque acho que não deveria ser jogado em gramados sintéticos.

– Acho que o Maracanã, por ter a grandiosidade que tem, e São Januário, por ser nossa casa, acho que se encaixam perfeitamente. E acho que isto é muito mais que uma disputa judicial. Tem a ver com o que é a grandeza do futebol, e as entidades competentes podem resolver isso facilmente. Acho que ser um Vasco x Boca no Rio de Janeiro sem ser no Maracanã ou São Januário não é a mesma coisa. Apelo para que isso possa acontecer, porque Vasco x Boca deve ser em um grande recinto.

“Naturalmente, gostaria que fosse em São Januário, se não for no Maracanã, que é um estádio emblemático da América do Sul”, afirmou Pedro Emanuel.

Após mais um resultado positivo, o treinador exaltou o coletivo do Vasco para manter o bom rendimento e foco, mesmo após uma longa paralisação para Data Fifa.

– Depois de uma paralisação de mais de 18 dias, o mais importante era retornarmos ligados, mantermos a mesma intensidade, o mesmo foco, o mesmo respeito pelo adversário, e isso foi o único do jogo: um jogo equilibrado. Sabemos que o Botafogo, dentro de casa, no sintético, tem muita força, Tentamos controlar o jogo com bola, o Botafogo, na primeira parte, a tentar sair, mas fomos competentes. Só não conseguimos evitar aquele fantástico gol do Alex Telles — explicou o treinador, que completou:

– Sinto que a equipe tem confiança naquilo que faz, no que trabalhamos, na ideia de jogo. Todos intervêm, todos fazem parte daquilo que é o nosso processo de jogo: os que começam de início, os que vão entrar, os que provavelmente no sábado vão repetir, outros que talvez não, mas olhamos como um todo, não só como individualidade. Tivemos várias oportunidades de fazer isso, uma delas foi anulada pelo semiautomático, a outra foi na trave do Sosa, outra no poste do Cuiabano, outra em cima da linha, na defesa do Robert, e acho que esse terceiro gol se surgisse acabaria, de fato, com as expectativas do Botafogo e nos daria maior conforto.

Pedro Emanuel também comentou sobre a situação clínica de Bruno Duarte, que causou preocupação ao sofrer uma pancada na costela, durante uma dividida, e perder os sentidos por alguns instantes ainda no primeiro tempo. O jogador foi substituído por David e fará exames complementares nesta quinta-feira.

— Sentimos a necessidade com a equipe médica de não correr nenhum risco. Houve um momento em que apagou, e era importante salvaguadarmos o bem-estar do atleta. Foi o que fizemos. Vamos reavaliarmos amanhã. Vai fazer um exame. Foi um choque com o adversário e, por isso mesmo, só um exame pode dizer o que vem aí — disse Pedro Emanuel.

O time de Pedro Emanuel abriu vantagem com gols de Lescano e David, viu o adversário diminuir com Alex Telles. O jogo válido pela 29ª rodada era considerado um confronto direto e aproxima os rivais na tabela. Agora, o Vasco sobe para 34 pontos, em 14ª lugar, com apenas um ponto a menos do que o Botafogo, atual 13º .

Veja outros pontos da coletiva

Atuação de Colidio e entrosamento com Lescano e Thiago Mendes

– Parece que já jogam (Colidio e Lescano) juntos com o Thiago (Mendes) há bastante tempo. Até porque a sua associação em combinação é muito produtiva para a equipe. Acho que é isso que nos dá também o conforto quando temos a bola, temos bons jogadores. Conseguimos também com as alterações que fizemos na segunda parte continuar a manter a posse de bola. Tem muito a ver com as características dos jogadores, nos dão a equipa muito desse desse tipo de jogo que nós precisamos sem nunca esquecer a baliza, sem nunca esquecer a agressividade, sem esquecer o foco do gol. Por isso é que fizemos 17 arremates , tivemos 14 escanteios. Isso é muito importante.

Sobre atuação de Marino Hinestroza

– Eu tenho dito sempre que sinto que os jogadores têm se adaptado bem ao estilo de jogo. Cada um, com suas características, têm ajudado a equipe. Hoje, com o Marino, acho que ele tem entrado depois de um início desastroso da parte dele, o que era natural. Vinha de um momento menos bom e recuperou a vontade de trabalhar. Mereceu a oportunidade. Felizmente, para nós, foi comprometido. Claro que quero mais do Marino, acho que pode fazer mais. Acima de tudo, teve compromisso grande com a equipe. De forma geral, pelo que eu pedi e o jogo exigiu, teve um comportamento mais do que satisfatório. Está a se integrar cada vez melhor. Foi substituto do Andrés e sabe que pode ser escalado de novo a qualquer momento.

Mais sobre atuações e restante da temporada

Sabem que, desde nossa chegada como equipe técnica, um dos aspectos que valorizamos bastante é como nos defendemos como equipe. Isso tem dado resultados e acho que a equipe e os jogadores também têm essa ideia nesse momento. E, depois, continuar a evoluir para este prazer que temos que ter ao jogar e o prazer que damos à nossa torcida. Essa é a maior satisfação que tenho como treinador. O nível de exigência vai ser esse. Se perguntar para o nosso torcedor qual o resultado do próximo sábado, ele não aceita menos que ganhar. Portanto, essa é a cultura que queremos implementar no Vasco, instituir no Vasco a grandeza da conquista e a valorização da conquista. Olhando para a tabela, percebemos que vai estar tudo embrulhado até o final, e não falta muito para o final. Portanto, temos que dar o melhor de nós e termos a satisfação daquilo que fazemos. Conquistar vitórias nos dá ânimo porque vamos entrar na fase decisiva em competições diferentes, mas com a mesma ambição. E me sinto bastante satisfeito com o que temos feito, mas espero muito mais do que vem por aí.

Mais sobre a pausa

— Já estive em grupos que sofreram com essas pausas longas. Isso tem a ver com a mentalidade que os atletas começam a ter e a passar uns aos outros. Crer no treino, na exigência de sermos melhores, de olhar para cada jogo como uma possibilidade de vitória. Isso tem que fazer parte de nós. Me surpreendeu bastante de forma positiva. A pausa me deixou ansioso, porque o relaxamento mental acontece. Eles deram uma resposta boa e mostraram a personalidade dessa equipe. Todos querem jogar e estar lá dentro o maior número de vezes possível. Todos terão possibilidade de mostrar o que valem dentro da equipe.

Mais sobre jogo do Remo e contra o Boca Juniors

— O meu foco neste momento é o Remo. O Boca é um jogo diferente, num momento diferente. Nosso foco agora eram esses dois jogos e os seis pontos. Menos do que isso, para nós, torna-se uma meta não atingida. Neste momento, para mim, é difícil fazer um 11, pois todos estão em bom nível e a escalação vai ser cada vez mais difícil, e eles sabem que, às vezes, uma semana vão jogar e, se calhar, depois, a três, quatro dias, nem no banco vão sentar, pois cada jogo temos um plano e estamos totalmente à vontade nisso. No momento, o foco é o Remo e, quando conseguirmos os seis pontos, aí vou me debruçar no Boca de forma completamente diferente.

Confiança do torcedor

— Falo aquilo que sinto. Me sinto um adepto (torcedor). Mais do que o treinador, sou alguém que toca todas as partes, porque já fui jogador e, hoje, sou aficionado pela nossa equipe. Se não tivesse um grupo de homens, como eu tenho, dificilmente poderíamos elevar o nível. Temos jogadores com coragem, qualidade e, acima de tudo, ambição grande. Como treinador, tento ajudar os jogadores. Acho que o torcedor olha para a nossa equipe e sente orgulho. Isso é o fator que faz muita diferença no momento em que o árbitro apita o início de jogo. Sabemos que temos algo para oferecer. Fazemos isso em todos os jogos, e hoje não foi diferente. Hoje eu estava inseguro, pelos 18 jogos sem a adrenalina nas partidas, mas no aquecimento eu já senti a energia de que teríamos um bom desempenho. O torcedor sente que damos o nosso máximo.

Jogo contra o Remo

— Todos nós reconhecemos que, com o campeonato tão competitivo, se vacilarmos vamos voltar para uma zona que não queremos estar. Queremos estar bem longe. Olhamos para cima, mas temos noção de que a água continua a subir. Se não fizermos a nossa parte, que é respeitar o Remo… Só assim vamos continuar a conquistar. É um motivo de orgulho termos conseguido quatro vitórias nos últimos cinco jogos. Só assim podemos continuar. Se não ganharmos do Remo, a vitória de hoje servirá pouco. Precisamos desse oxigênio para subir para onde merecemos estar.

Momento de Nuno Moreira

– Não precisa ir tão atrás. Você citou o Saldivia. Há um mês, o Cuesta era o titular indiscutível. Nesse momento, para reconquistar o lugar dele, vai ter que lutar. Porque agora também temos o Gabriel. O melhor vai jogar. O Nuno está enquadrado nesse contexto. Teve um momento menos bom, mas teve a capacidade de voltar a estar dentro das opções. Hoje, entrou com vontade para ajudar a equipe, com determinação. Ele tem as características dele, já foi bem e mal esse ano. A oportunidade vai chegar, e ele precisa estar preparado. Isso vale para todos eles. Nesse elenco de agora, como vocês gostam de dizer, o caldo engrossou. Fico feliz com essa dificuldade para a vida do treinador.

Robert Renan é Seleção?

— O Brasil tem muitos jogadores espalhados pelo mundo, mas há outros muito bons no nosso campeonato. Esse deve ser um objetivo do Robert. Para chegar à Seleção, uma coisa faz muita diferença: chegar ao grande nível e não oscilar. Ele é jovem e tem potencial para crescer. Essa consistência dará para ele a oportunidade de olhar para a Seleção como um objetivo de longo prazo. Ele deve ter vontade de melhorar, manter o nível. A nossa equipe precisa disso. Ele tem uma particularidade, que é ser canhoto. Dá uma vantagem no futebol atual. Ele pode fazer melhor. Eu tenho que ser a pessoa a não deixar ele baixar o nível. Se surgir a oportunidade, ficamos felizes. É um bom profissional e um bom rapaz.

Saldivia e opções do elenco

— Temos um elenco alargado e, se tem algo que me dá prazer como treinador, é a competitividade entre os jogadores. Para se entrar na equipe, tem que ser melhor do que como ela está. Não há dúvidas que, nesse momento, e até este jogo, por aquilo que ele apresentou hoje, ele teve a possibilidade de sair, mas teve a coragem de ficar conosco e, para mim, isso é muito importante. Quis mostrar que tinha capacidade de ser importante na nossa equipe e hoje ele voltou a ser. Estou a realçar o Saldivia porque é um exemplo do que queremos no Vasco. O fácil é desistir, o fácil é ir embora. Temos o jogo sábado, e depois vai começar o ciclo infernal e temos a noção que todos vão ser importantes e o mais importante de tudo é que todos tem que estar preparados para darem a resposta.

Fonte: Globo Esporte

Comente

Veja também
Andrés Gómez assiste ao jogo do Vasco em carro e vídeo viraliza; veja

Fora da partida por suspensão, colombiano mostrou nas redes sociais que estava acompanhando o clássico entre Vasco e Botafogo.

Pedrinho se revolta com negativas ao Vasco para jogar no Maracanã

Pedrinho voltou a criticar as negativas de Flamengo e Fluminense para que o Vasco jogue no Maracanã contra o Boca Juniors.

Vasco 2 x 1 Botafogo: a sorte acompanha os competentes

Com direito a injusto drama no fim, o Vasco da Gama conseguiu vencer o Botafogo por 2 a 1, em pleno Estádio Nilton Santos, pelo Brasileirão.

Assista aos gols de Lescano e David contra o Botafogo por outro ângulo

Ângulos diferentes mostram os gols da vitória do Vasco da Gama diante do Botafogo pelo Campeonato Brasileiro; assista os lances.

Pedro Emanuel explica susto com Bruno Duarte na vitória contra o Botafogo

Atacante sofreu uma pancada no peito, perdeu os sentidos por alguns segundos e precisou deixar o campo de maca.

Thiago Mendes destaca evolução do Vasco e pede foco

Capitão do Vasco da Gama, Thiago Mendes comemora evolução da equipe, cita trabalho coletivo, mas prega pés no chão; veja declarações.

Vasco engata 3ª vitória seguida no Brasileiro; veja curiosidades

Com vitória diante do Botafogo, Vasco da Gama conquista terceiro resultado positivo em sequência e coleciona uma série de curiosidades; veja.

Vasco e Botafogo se unem em ação de conscientização contra o câncer de mama

Vasco da Gama e Botafogo uniram forças pela conscientização e prevenção do câncer de mama no clássico desta quarta-feira.

Notas dos jogadores do Vasco contra o Botafogo pela 29ª rodada do Brasileiro

Veja como os jogadores do Vasco da Gama se saíram na vitória sobre o Botafogo e confira os destaques do Cruzmaltino no clássico.

Público e renda de Botafogo 1 x 2 Vasco pela 29ª rodada do Brasileiro

Confira os números de público e renda do clássico carioca e saiba quantos torcedores acompanharam a vitória do Vasco da Gama sobre o Botafogo.