Pai de Santo vê influência espiritual na crise do Vasco e faz alerta
Andrés Gómez reacendeu o debate sobre suposta influência espiritual na crise do Vasco da Gama após o empate com o Mirassol, pelo Brasileiro.

Antes associadas apenas ao imaginário popular, as histórias envolvendo supostas influências espirituais voltaram a ganhar força no Vasco em meio a mais uma fase turbulenta do Clube.
O tema ressurgiu após o atacante colombiano Andrés Gómez afirmar que o momento vivido pela equipe pode ter relação com um possível “problema espiritual”. A declaração reacendeu antigas lendas que acompanham o Cruzmaltino há décadas.
Em entrevista ao Jornal O Dia, o Pai Sérgio de Ogum cravou que, de fato, o Gigante da Colina está sob a influência de forças espirituais. Ele ainda dá a receita para que o Vasco volte aos tempos de glória.
– Existe alguma motivação espiritual por trás dessa situação, sim. Isso está atrapalhando o crescimento da equipe, a busca pelos pontos e o desenvolvimento na temporada. Para mudar isso, aconselho preparar um banho com arruda, sal grosso e manjericão. Depois, colocar a arruda e o sal grosso em um copo, fazer os pedidos e deixar tudo em uma encruzilhada. O ideal é que isso aconteça dois dias antes de o time entrar em campo.
A fala de Andrés Gómez se soma a uma longa tradição de episódios que misturam futebol, superstição e folclore em São Januário. Um dos casos mais conhecidos remonta à década de 1930, quando surgiu a famosa história do “sapo enterrado”. Após sofrer uma derrota por 12 a 0 para o Vasco, o Andaraí, time ligado a uma antiga fábrica de tecidos, teria protagonizado uma das narrativas mais emblemáticas da história Cruzmaltina.
Segundo a lenda, Arubinha, jogador da equipe derrotada, inconformado com o placar, teria lançado uma maldição ao Vasco, decretando que o time passaria 12 anos sem conquistar títulos. Como parte do suposto ritual, ele teria enterrado um sapo no gramado de São Januário. A história ganhou tanta repercussão que dirigentes vascaínos chegaram a mandar escavar o estádio em busca do animal.
As buscas, porém, não encontraram qualquer vestígio. Posteriormente, o próprio Arubinha foi localizado e, após receber uma compensação financeira, admitiu que jamais havia enterrado o sapo e que toda a história não passava de uma brincadeira.
Ainda assim, a coincidência ajudou a fortalecer o mito: entre 1937 e 1945, o Vasco realmente passou um longo período sem conquistar o Campeonato Carioca, encerrando o jejum apenas com o surgimento do lendário Expresso da Vitória.
Outra figura que ajudou a alimentar esse imaginário foi Pai Santana. Massagista histórico do clube, ele ficou conhecido por realizar práticas espirituais que, segundo relatos populares, buscavam afastar o azar da equipe. Entre as histórias mais difundidas está a de que enterrava ovos próximos ao gol defendido pelo Vasco antes das partidas.
Desde a morte de Pai Santana, em 2011, muitos torcedores passaram a relacionar a ausência do personagem ao período de dificuldades vivido pelo Clube.
Embora essa associação faça parte apenas do folclore vascaíno, os números costumam reforçar a narrativa: desde então, o Vasco disputou quatro edições da Série B e acumula um jejum de dez anos sem títulos, tendo conquistado seu último troféu em 2016, quando venceu o Campeonato Carioca.
As superstições, entretanto, continuam fazendo parte do cotidiano vascaíno. Em 2021, antes de uma partida decisiva da Série B, um padre foi convidado para benzer o gramado de São Januário com água benta. O episódio repercutiu nacionalmente após relatos de que uma espécie de “fumaça” teria aparecido durante a cerimônia, alimentando ainda mais as histórias que cercam o estádio.
Mais recentemente, outro personagem do Clube também relacionou a crise a fatores espirituais. O ex-volante Souza defendeu a realização de uma corrente de oração e afirmou que São Januário precisava passar por uma limpeza espiritual.
– O problema do Vasco é espiritual, acredite ou não. São Januário precisa de uma limpeza espiritual. Muito jejum e oração. E quebrar todas as maldições que infelizmente plantaram naquele solo. E não me venha com isso de intolerância religiosa. Eu não falo sobre religião, não cito religião, e sim práticas. Se você não concorda, ok. Se você me acusa, o intolerante é você.
No caso de Andrés Gómez, a declaração foi dada após o empate por 1 a 1 com o Mirassol. O atacante destacou as dificuldades da equipe em transformar oportunidades em gols e lamentou a facilidade com que o Vasco vem sofrendo gols ao longo da temporada.
Enquanto isso, o Vasco tenta iniciar uma nova etapa sob o comando de Pedro Emanuel. A chegada do treinador representa mais uma tentativa de reorganizar um elenco pressionado pelos resultados e que busca recuperar o equilíbrio dentro das quatro linhas.
De acorco com a taróloga e sensitiva Mística Rodrigues existe um “desequilíbrio” no Vasco que tem provocado a má fase dos últimos anos. Ela ainda aponta para o risco real de rebaixamento.
– Nesse momento, o Clube precisa de motivação, acolhimento e, principalmente, acreditar que são capazes de dar a volta por cima. O novo treinador vem cheio de energia, mas não sei se ficará muito tempo no comando. Vejo um desequilíbrio muito grande na equipe, que terá que fazer um excelente desempenho para não ser rebaixada.
Apesar das teorias, rituais e lendas que atravessam gerações, o momento do Vasco parece encontrar explicações mais concretas do que sobrenaturais. Planejamento tardio, sucessivas trocas de comando técnico, falhas individuais e um desempenho abaixo das expectativas ajudam a justificar a temporada decepcionante.