Opinião: a culpa é do 3-5-2 ou o esquema certo caiu em mãos erradas?

Adotado por Ricardo Sá Pinto, o 3-5-2 tem sido alvo de críticas da torcida, até por conta dos resultados, mas a culpa é mesmo do esquema?

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Por Raphael Fernandes
-  9 de dezembro de 2020 às 23:28-  Atualizada em 9 de dezembro de 2020 às 23:26
Ricardo Sá Pinto contra o Defensa y Justicia (Foto: Bruna Prado/AFP)

É inegável que o desempenho de Ricardo Sá Pinto no comando do Vasco da Gama é muito abaixo do esperado. Em 12 jogos à frente do Gigante da Colina, são cinco derrotas, cinco empates e apenas duas vitórias.

A eliminação da Copa Sul-Americana na última quinta-feira (03), para o Defensa y Justicia-ARG, bem como as duas goleadas sofridas recentemente no Campeonato Brasileiro (4×1 contra o Ceará, em São Januário, e 4×0 para o Grêmio, na Arena), deixaram o treinador em péssimos lençóis, sendo até difícil de entender como o mesmo conseguiu se manter no cargo.

E uma das principais queixas sobre o trabalho do técnico português, certamente, é a respeito do esquema tático escolhido. O 3-5-2 adotado pelo comandante cruzmaltino não caiu nas graças da torcida, que o considera defensivo. Mas será que esse é realmente o problema?

Voltando um pouco mais no tempo, a vontade dos torcedores sempre foi ver a dupla de zaga do Vasco sendo formada por Ricardo Graça e Leandro Castan (mesmo sendo dois jogadores canhotos). E o desejo foi atendido assim que Ramon Menezes assumiu a equipe, ainda no Campeonato Carioca, com os ambos se firmando.

Acontece que, pouco tempo depois, o promissor Miranda recebeu oportunidades e, com boas atuações, acabou gerando aquele tipo de dúvida que todo treinador gosta de ter. Sendo assim, isto é, três zagueiros de qualidade, por que não testá-los juntos?!

E foi isso que Sá Pinto priorizou assim que assumiu a equipe, com Miranda pela direita, Castan na sobra e Graça pela esquerda, alterações que a torcida pedia nas alas e dupla de volantes que ambos sabem marcar e jogar. A ideia, no entanto, vistosa na teoria, não vem funcionando bem na prática. Mas seria isso culpa do esquema em si, do mau momento do time como um todo ou da falta de qualidade do treinador? Para este que vos escreve, trata-se de uma mescla da segunda com a terceira opções.

Embora o 3-5-2 não seja um sistema de jogo tão utilizando atualmente, não dá para deixar de lembrar que a Seleção venceu a Copa do Mundo de 2002 com este esquema e apresentando um eficiente repertório ofensivo, bem como o São Paulo foi soberano no futebol sul-americano entre 2005 e 2008 atuando muitas vezes dessa forma, sendo campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes, além de tricampeão brasileiro nesse período.

A questão é que, diferentemente dessas equipes supracitadas, o Vasco, tirando o ótimo Germán Cano e o sempre regular Martín Benítez, não dispõe de peças ofensivas capazes de desequilibrar as partidas, fazendo pesar os problemas defensivos, que não conseguem ser sanados por Ricardo Sá Pinto.

A ideia de atuar com três zagueiros, com Miranda e Ricardo Graça iniciando as jogadas, é interessante. O problema é o péssimo momento vivido pelo Vasco como um todo, inclusive fora de campo. Além disso, embora tenha sido o entusiasta do sistema, Sá Pinto vai se mostrando, ao menos até aqui, um treinador muito mais motivador do que especialista tático. É provável que o esquema certo tenha caído em mãos erradas…