Bulhões rechaça venda do Vasco e conta com investimento da torcida na SAF

Vice-presidente jurídico do Vasco da Gama explica que ''não há venda de ativos, de participação e tampouco para investidor''.

José Cândido Bulhões, VP jurídico do Vasco
José Cândido Bulhões, VP jurídico do Vasco

Em grave crise esportiva e financeira, o Vasco busca soluções para voltar a ser um gigante no cenário nacional. Para isso, o clube se apoia na criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF), prevista na Lei 14.193, que entrou em vigor no dia 9 de agosto deste ano. O Cruz-Maltino deu o primeiro passo para a transformação em clube-empresa na última segunda-feira, quando formalizou o pedido de constituição da SAF para os Conselhos Deliverativo e de Beneméritos.

O assunto é polêmico e gera muitas discussões, justamente por ser um tema novo e ainda cercado por muitas dúvidas. Com o intuito de esclarecer, o Jogada10 entrevistou o vice-presidente jurídico do Vasco, José Cândido Bulhões Pedreira, que começou explicando o que é uma Sociedade Anônima do Futebol.

– A SAF é um tipo societário criado pela lei 14.193 que tem por base a lei da S/A. Na verdade nada mais é do que uma companhia, com certas particularidades para atender as peculiaridades do futebol. Os clubes já poderiam se transformar em empresa antes da criação da lei da SAF, só que eles seriam submetidos a um regime fiscal semelhante de outras empresas, que tem uma carga tributária alta. A lei da SAF criou um regime simplificado, para poder incentivar a constituição de SAFs e estimular o crescimento do mercado do futebol do Brasil. Esse regime simplificado por si só já o torna muito mais atraente a operação da atividade do futebol por meio de SAF.

O que mais causa polêmica entre os torcedores é a possibilidade do Vasco ser vendido. No entanto, essa possibilidade está descartada por enquanto. José Bulhões afirmou que o clube será o dono da SAF, com 100% de participação nas decisões do futebol.

– A nossa ideia é criar uma subsidiária integral. Não tem venda de ativos, não tem venda de participação, não tem venda para investidor. É uma solução do Vasco, para o Vasco. O Vasco continuaria 100% dono da empresa e o futebol operaria por meio dessa empresa, o que asseguraria, ao mesmo tempo, a profissionalização da gestão do futebol, com um planejamento a longo prazo, que não necessariamente vai trocar a cada três anos. O novo presidente pode até trocar, mas se estiver dando certo, a tendência é manter. E, ao mesmo tempo, se estiver indo mal, você pode trocar. Não tem que esperar três anos para isso.

Lucrando com a SAF

O modelo de SAF prevê a captação de recursos através da emissão de debêntures, que são títulos de dívidas do Vasco. O clube espera contar mais uma vez com o enganjamento e a força do torcedor, que seria o próprio investidor para a retomada da instituição. O vice-presidente jurídico usa como exemplo a construção de São Januário, que também utilizou dessa ferramenta financeira.

– Se a gente voltar na história, a construção de São Januário foi financiada também com a emissão de debêntures, o que hoje é restrito para as Sociedades Anônimas e agora para as SAFs. Agora, quase 100 anos depois, a torcida pode contribuir também subscrevendo debêntures do clube, que são títulos de dívidas, para poder financiar a retomada do futebol para que tenhamos um time à altura do enganjamento que o torcedor do Vasco tem. O Vasco é um dos poucos times do Brasil que consegue montar uma SAF e ser 100% dono da SAF, porque o Vasco tem tamanho para isso.

José Cândido Bulhões argumentou que o torcedor terá três motivos para investir no clube e explicou que os recuros que serão captados através de debêntures terão um custo menor para o clube em relação aos bancos, que visam apenas o lucro.

– O torcedor verá a profissionalização e um planejamento do futebol à longo prazo, retorno financeiro equivalente ao da caderneta de poupança, conforme previsto na lei, além do ganho emocional de estar participando de uma retomada no investimento do futebol do Vasco. Com a emissão de debêntures o clube consegue captar recursos a um custo inferior que a gente tem disponível hoje. O banco só quer saber do retorno financeiro. Já o torcedor não. Além do retorno financeiro, ele também vai pensar no retorno esportivo. Então se consegue uma taxa de juros inferior ao que é oferecida no mercado.

O primeiro passo foi dado, que é iniciar a discussão e o entendimento sobre a SAF. O assunto será debatido e várias etapas serão percorridas neste processo dentro do Vasco. A criação efetivamente vai passar por votação no Conselho Deliberativo, que precisa da maioria simples dos conselheiros para ser aprovada. A expectativa é de que isso demore alguns meses para acontecer.

Fonte: Jogada 10

10 comentários
  • JANIO - 18 de dezembro de 2021

    Vasco devia mesmo era ser vendido para um bilionário desses, que investem no futebol, isso sim seria uma boa

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  • Marcelo Freire de Almeida - 2 de dezembro de 2021

    Vcs vai tomar no cu pq essa diretoria nunca deveria está mais no Vasco isso pq fizeram uma arrecadação através de numeroscde sócio e o dinheiro sumiu agora eu vou dizer se vc que e vascaíno continuar acreditando numa diretoria como essa vcs edrarao assinando diplomacde babacas.pq eles são tidos de epocacdo Sr Eurico Miranda todos ladrões .

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  • Carlos - 2 de dezembro de 2021

    Acho que deveríamos procurar alguém que entenda de verdade fora dos muros de São Januário para poder nos explicar de forma imparcial,esses que estão aí não merece credibilidade pra nada, sangue suas,viramos chacota

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  • Ronaldo menaguali moura - 2 de dezembro de 2021

    Chega !
    A torcida do Vasco não pode mais cair nessa furada de ficar patrocinando o clube e não ter retorno .
    Demos dinheiro para o CT e para essa estátua so Dinamite e ganhamos em troca mais um ano na série B e pelo andar da carruagem será dificil subir em 2022.

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  • Lucas - 2 de dezembro de 2021

    Só acredita nesse papo quem quer ficar mamando no Vasco! O Vasco não é e nunca foi dos torcedores, balela, só lembram de nós quando da merda! Prefiro um bilionário mandando e desmandando, porém usando o dinheiro dele e deixando o Vasco forte do que essa merda que está! Chega de procurar motivo p ter orgulho, hoje, ngm tem orgulho do Vasco! Acha mesmo que o Bragantino, Manchester city, PSG, não gostam desse modelo? Faça-me o favor e sumam, seus nojentos

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  • Carlos - 2 de dezembro de 2021

    Acho a venda seria uma forma de expor a verdadeira situação financeira do clube, porque quem não quer mudanças não estão pensando no Vasco e sim na perda da mamata.

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  • JOSE MARCOS PAIS DE ARAUJO - 2 de dezembro de 2021

    Ninguém investe dinheiro por paixão, principalmente, quando não há transparência na sua utilização.
    Quando na construção do estádio havia honestidade dos diretores.
    Hoje não há, se houvesse uma devassa das contas patrimoniais do Vasco muita podridão apareceria dos últimos anos.
    Sejam transparentes e coloquem uma firma de auditoria externa para avaliar de verdade a situação do clube.
    E averiguar quem ” roubou” dinheiro clube.
    Desta maneira poder indiciar prováveis criminosos infiltrados na diretoria.
    Depois sim, dar andamento a um processo de investimento via sócios.

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  • Mário Thomaz Pires - 2 de dezembro de 2021

    Seus incompetentes vc acha que nos torcedores somos trouxa vcs não podem administrar nada da gente pois já se mostraram incapaz deixando o Vasco em décimo lugar cair para segunda divisão e não fizeram o dever de casa e nos passamos a maior humilhação de nossas vidas sendo goleados por adversários fracos e vós fica nessa divisão por culpa de vcs que não tinham projeto nem planejamento e agora vcs querem fazer mudanças no nosso futebol vcs tem que ente que a torcida não quer vcs aí vão embora deixem o Vasco saiam daí seus abutres até agora a série B já terminou e vcs não fizeram a tal reformulação no futebol ninguém quer vim trabalhar com vcs seus amadores 😡😡😡😡😡😡

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  • Edivalson Lima - 1 de dezembro de 2021

    O Vasco nem outro clube com um passivo impagável tem que se modernizar para não desaparecer de vez é o caso do Vasco, Cruzeiro, Botafogo, Corinthians e outros que tem passivo impagável.

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  • João Gonçalves Ribeiro - 1 de dezembro de 2021

    Com a atual diretoria, Conselhos e outras burocracias burras, a torcida não irá financiar. Tolerância tem limites.

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