Mudanças de Pedro Emanuel são decisivas para virada do Vasco fora de casa
As escolhas de Pedro Emanuel nas substituições tiveram participação direta na virada do Vasco da Gama contra o Athletico-PR.

O Vasco conquistou uma importante vitória por 3 a 1 sobre o Athletico-PR, de virada, na Arena da Baixada. Depois de um primeiro tempo muito abaixo, no qual saiu em desvantagem e encontrou dificuldades para desenvolver seu jogo, a equipe cruz-maltina voltou diferente para a etapa final. E as escolhas de Pedro Emanuel tiveram participação direta no resultado.
Na primeira etapa, o treinador apostou em uma formação com três zagueiros e dois laterais atuando como alas. A estratégia, porém, não funcionou como esperado. Os jogadores pelos lados contribuíram pouco ofensivamente, enquanto o Vasco teve dificuldades para encontrar espaços e oferecer perigo ao adversário.
Para o segundo tempo, Pedro Emanuel decidiu não desmontar a estrutura defensiva. Em vez de abandonar o esquema com três zagueiros, o técnico optou por mudanças pontuais no setor ofensivo: Sosa deu lugar a Facundo Colidio, enquanto Brenner foi substituído por Bruno Duarte.
A entrada de Colidio alterou a dinâmica da equipe. O Vasco deixou o 5-3-2 para atuar em um 5-2-3, com possibilidade de variação para o 3-4-3. Com a bola, o argentino tinha liberdade para flutuar e se aproximar dos dois meio-campistas, funcionando como um terceiro homem no setor. Sem a posse, ocupava uma posição mais avançada, formando uma linha de três atacantes.
O próprio treinador explicou a escolha na entrevista coletiva:
– Ele tem características que poucos jogadores têm na nossa equipe. Tem profundidade, é uma coisa que precisávamos. Depende do adversário. Eles tinham uma linha defensiva que não era intensa em cortar espaços. Então ele teve apoio para flutuar e dar apoio aos dois meias. Ele era um terceiro meia com a bola e terceiro atacante sem ela.
A decisão de preservar os três zagueiros foi importante. Mesmo com um primeiro tempo ruim, Pedro entendeu que a equipe poderia encontrar melhores condições para pressionar e competir, mantendo aquela estrutura. A mudança de postura também permitiu que os laterais tivessem mais liberdade para avançar.
E foi justamente pelos lados que nasceram os gols da virada. No primeiro, Cuiabano chegou à linha de fundo e fez o cruzamento que terminou com Aguirre marcando contra o próprio patrimônio. No segundo, Puma Rodríguez colocou a bola na medida para Bruno Duarte completar de cabeça e colocar o Vasco em vantagem.
A entrada de Bruno Duarte também teve importância específica. Diferentemente de Brenner, o atacante oferece maior presença de área, característica que potencializa o jogo de laterais que procuram chegar à linha de fundo e abastecer os jogadores ofensivos com cruzamentos.
Na coletiva, Pedro Emanuel deixou claro que a manutenção dos três zagueiros não foi necessariamente uma convicção tática, mas uma resposta às características do adversário e ao momento defensivo da equipe.
– Não foi uma convicção, foi uma necessidade. Mantivemos os três zagueiros porque estávamos sendo valentes e lutando contra um time que procurava muita profundidade e que tem um aspecto físico em seu jogo. Senti que estávamos mais compactos e não nos expondo demais. Fazia mais sentido manter os três zagueiros.
Pedro ainda explicou que a equipe abriu mão de um homem no meio-campo para colocar mais um jogador no setor ofensivo, sem perder a capacidade de antecipação proporcionada pela linha de três defensores. A profundidade de Colidio e Andrés Gómez também foi apontada como um diferencial para machucar a defesa athleticana.
Além do aspecto tático, a vitória ganha importância pelo momento vivido pelo Vasco. A equipe vinha de uma sequência sem vencer, enquanto a relação com a torcida estava desgastada desde a eliminação para o Boca Juniors na Copa Sul-Americana. Nesse cenário, vencer fora de casa, de virada, contra um adversário que faz boa campanha, representa mais do que três pontos.
Pedro Emanuel conseguiu corrigir problemas sem necessariamente abandonar o plano inicial. Manteve uma estrutura que considerava adequada às características do Athletico-PR, mudou as peças e encontrou novas soluções ofensivas. Os laterais, pouco participativos no primeiro tempo, terminaram como protagonistas da virada.
Fonte: Lance!