Morais exalta Renato Gaúcho em 2005 pelo Vasco, comenta retorno e faz alerta

Morais relembrou maior vitória do Vasco sobre o Palmeiras e diz que se não fosse Renato Gaúcho o Clube caia em 2005.

Morais em ação pelo Vasco
Morais em ação pelo Vasco

A estreia de Renato Gaúcho pelo Vasco, nesta quinta-feira, contra o Palmeiras, em São Januário, traz à tona memórias de uma outra fase do treinador no clube. Há 20 anos, o técnico estava em sua primeira passagem pela equipe carioca e comandou o que se tornaria a maior vitória vascaína em casa sobre o adversário paulista: 3 a 0, pelo Brasileirão de 2006.

Em entrevista ao ge, um dos protagonistas daquele time, o ex-meia Morais relembrou com carinho aquela partida e destacou a importância de Renato na reconstrução do time após a luta contra o rebaixamento no ano anterior. Em 2006, o clube terminou em sexto lugar, com 59 pontos, a um de distância da zona de classificação para a Libertadores.

— Sem dúvidas, o Palmeiras não tinha a força que tem hoje, em relação a elenco. Então, é totalmente diferente o momento de hoje em comparação com 2006. E nós buscávamos uma afirmação. O Renato tinha chegado em 2005, e a gente estava mal demais. Nos ajudou a melhorar bastante, e em 2006 que ele começou a colocar o trabalho dele mesmo. Fizemos um Brasileiro muito bom, diante das limitações financeiras. Chegamos à final da Copa do Brasil. E também, por mais que o Palmeiras não fosse a força que é hoje, era um clássico muito difícil – avaliou Morais.

Foi dele um dos gols daquela vitória em São Januário. O meia admite que não lembra de todos os detalhes daquela partida e, inclusive, brincou ao ser relembrado que Amaral, amigo e ex-volante do Vasco, havia aberto o placar.

— O Vasco foi letal. Quando teve as oportunidades, fez. Não tenho lembrança do gol do Amaral, até porque ele não era de fazer muitos gols. Até brinco com ele no grupo que a gente tem aqui dizendo que ele não fez nenhum gol pelo Vasco. Tem um gol do Amaral que eu não lembrava (risos), brincou Morais.

Depois de Amaral, foi do camisa 10 o gol para ampliar o placar, em cobrança de pênalti. Leandro Amaral fechou o caixão com outra penalidade.

— Eu acho que o meu pênalti eu bati no meio. Foi ou não foi? Uma pancada no meio. Eu bati alguns pênaltis nos cantos, mas quando eu ficava receoso de o goleiro acertar o canto, eu ameaçava e dava um pancada no meio. Eu acredito que foi no meio.

O jogo foi marcado por um momento curioso: Paulo Baier foi derrubado na área, e o juiz marcou o terceiro pênalti da partida. Dessa vez para o Palmeiras. Edmundo, então atacante do time paulista, foi para a bola, mas chutou para fora, perdendo ali seu terceiro pênalti na carreira contra o Vasco. Não à toa, a torcida cruzmaltina encheu o peito e ficou gritando “Ah, é Edmundo“.

Impacto de Renato na reação do Vasco

Morais é cria da Colina Histórica e era uma referência técnica em um time que vivia um dos primeiros períodos turbulentos do Vasco no século. O ex-jogador lembra que a vitória sobre o Palmeiras aconteceu em meio ao crescimento do time sob comando de Renato Gaúcho, que havia chegado ao clube no ano anterior em um momento delicado.

“Se o Renato não chega em 2005, a gente caía. Estávamos muito mal. Eu tinha voltado do Athletico e o Vasco estava na lanterna ou vice-lanterna, não contratava ninguém. Em 2005 foi mais sobrevivência”, relembra.

O ex-jogador viveu seu auge no clube e na carreira em 2006, quando disputou 50 jogos e marcou 14 gols, números que o colocaram na lista de Dunga da pré-convocação para a Copa América do ano seguinte. Segundo ele, foi naquele ano que Renato conseguiu implementar melhor suas ideias e dar identidade à equipe.

— Em 2006, ele conseguiu impor mais o trabalho dele, repetir mais o time. Às vezes existem críticas ao jeito dele, mas ali é só um personagem. O Renato é muito experiente, tem muita noção do jogo. Quantas vezes no intervalo o time estava mal e ele conseguia mudar a partida para a gente só com ajustes.

Para ele, o retorno de Renato pode ajudar o Vasco neste momento, mas ele alerta que o treinador precisará de reforços para elevar o nível do elenco.

— Acredito que o Vasco precisa contratar também para não colocar tanta pressão em cima dele. O Vasco se desfez do Rayan, Vegetti, por mais que o Vegetti tenha terminado o ano um pouco em baixa no banco, mas esses dois caras fizeram 40, 50 gols juntos. E não é fácil balançar o barbante, por mais que tenha jogadores como o Andrés Gómez, que hoje é ele e mais 10. Mas o Vasco precisa do cara que vai para o gol, senão pode botar dois Renatos ali que não dá jeito.

Duas décadas depois daquela vitória, Vasco e Palmeiras voltam a se enfrentar nesta quinta-feira, em São Januário, agora com Renato novamente à frente do time carioca. O cenário, porém, é de pressão para a estreia do treinador. A equipe está na lanterna do Campeonato Brasileiro, com apenas um ponto nas quatro primeiras rodadas.

Fonte: Globo Esporte

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