Lamacchia condiciona SAF do Vasco a Pedrinho e pode ter Leila Pereira no futuro

Dono da Crefisa afirma que acordo segue de pé, e nega conflito de interesses envolvendo Leila Pereira, presidente do Palmeiras.

Pedrinho em reunião com José Roberto Lamacchia
Pedrinho em reunião com José Roberto Lamacchia

O empresário José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e avalista da proposta apresentada por seu filho, Marcos Lamacchia, para a compra da SAF do Vasco, afirmou que o acordo para aquisição do futebol Cruzmaltino já está definido. Apesar disso, ele condicionou a conclusão do negócio à permanência de Pedrinho na presidência do Clube.

Em entrevista ao portal GE , Lamacchia afirmou que a recente decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que afastou Pedrinho do comando da SAF coloca em risco a continuidade das negociações. Ele afirmou que Marcos Lamacchia não pretende assumir o controle do futebol caso o dirigente deixe a presidência.

– Já está firmado esse acordo, já está formado. Mas nós só vamos ficar, quando eu digo nós, é o meu filho, Marcos Faria Lamacchia. Nós só vamos ficar se o presidente for o Pedrinho. Eu sou o avalista da operação, por isso que estou me metendo. Eu estou avalizando R$ 2 bilhões do meu filho. Se bem que ele não precisa, porque ele tem esse dinheiro. Meu filho é uma pessoa limpa e independente.

Apesar da declaração, ainda não há um contrato definitivo entre as partes. O documento atualmente em vigor é um memorando de entendimento (MOU), enquanto seguem as negociações sobre pontos considerados fundamentais, como o modelo de reinvestimento dos recursos obtidos com a venda de jogadores.

Ao longo da entrevista, Lamacchia criticou duramente integrantes da política vascaína, que, segundo ele, atuam para inviabilizar a negociação. O empresário citou nominalmente o ex-vice jurídico Felipe Carregal e afirmou que a atuação desse grupo prejudica o clube há anos.

Questionado sobre quem estaria resistindo ao processo de venda da SAF, respondeu:

– Ah, posso, claro. Um deles é o Felipe Carregal (ex-vice jurídico do Vasco). Nunca deu um centavo no Vasco. Sempre atrapalhando o Vasco.

Lamacchia também afirmou que a relação construída com Pedrinho ao longo dos últimos três anos foi determinante para o avanço das negociações.

– Não muda o desejo. Obviamente que eu só vou comprar… Eu não, o meu filho só vai comprar o Vasco se o Pedrinho estiver na presidência, porque com aqueles que estão lá eu não tenho condição. O Marcos não vai querer ficar com aqueles caras. Eles ficam só querendo cargo no Vasco, chantagear as pessoas para ter cargo. O que eles fizeram com o Pedrinho foi a maior aberração que já vi na minha vida.

Segundo ele, o grupo contrário ao acordo participou das negociações desde o início.

– Inclusive, eles estão dizendo que não têm nada com isso. Então, o que eles foram fazer no meu escritório? Eu tenho vídeo, na câmera do meu escritório, tem câmera para entrada e saída do pessoal. Todos eles estão nas câmeras. Eles foram lá fazer o quê? Eles foram lá tomar sorvete? Não, eles foram tratar desses assuntos e querendo benesses.

Sobre o projeto esportivo, Lamacchia garantiu que os recursos provenientes de futuras vendas de atletas voltarão para o futebol e afirmou que o objetivo é recolocar o Vasco entre os principais clubes do país.

– Vai ser reinvestido, claro. O meu filho quer botar o Vasco campeão, no topo, pelo menos em igualdade de condição com os outros times que estão disputando o campeonato. E para isso eu preciso reinvestir em jogador. É óbvio, com o elenco que está não é possível, sem desmerecer o elenco atual.

O empresário também voltou a negar qualquer conflito de interesses envolvendo a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, sua esposa e madrasta de Marcos Lamacchia. Segundo ele, a legislação não impede a operação e o tema foi levantado apenas recentemente por adversários políticos.

– Não existe. O Marcos é meu filho, enteado da Leila. Se você ler a lei, vê que não tem problema nenhum. Porque esse outro assunto de conflito de interesse, há três anos, se existia, existia há três anos. E não agora que eles estão falando.

Lamacchia também rebateu as declarações do presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, sobre o tema.

– Eu não dei nada por isso. Ele deveria cuidar do Flamengo. O Flamengo tem problemas também, e bastante. Ele devia cuidar do problema e não ficar dando palpite no que não é da conta dele. Eu nunca dei palpite no que não é da minha conta. E ele deveria fazer o mesmo, é um conselho que eu dou a ele. Vá tomar conta do seu clube e não enche o saco do clube dos outros.

Ao comentar a participação de Leila Pereira, afirmou que ela não interfere nas negociações, mas admitiu a possibilidade de atuar no Vasco após o término de seu mandato no Palmeiras.

– Ela pode ajudar o Vasco. Pode ser que sim, pode ser que não, são coisas para o futuro. Mas tudo isso, claro, depois que ela terminar o mandato no Palmeiras, aí já não vai ter mais nenhum vínculo com o Palmeiras. Ela não pode participar disso porque está envolvida 200% no Palmeiras.

Lamacchia reforçou que a intenção da família não é tratar o Vasco como um ativo financeiro, mas desenvolver um projeto de longo prazo.

– Querem dividendos para receber, estão visando lucro. E pelo que sei, o Marcos e eu não estamos comprando o Vasco para ter rentabilidade e ganhar dinheiro. Nós estamos comprando porque gostamos de futebol. O Marcos não vai vender o Vasco. Ele vai morrer com o Vasco.

Ao final da entrevista, o empresário voltou a afirmar que a permanência de Pedrinho é condição indispensável para a concretização do investimento.

– torcida pode ter certeza absoluta do que eu estou falando. Se tudo der certo, com o Pedrinho na presidência. Sem o Pedrinho na presidência, não há investidor, pelo menos não é o Marcos. Eu não vou me meter com esses caras, porque não valem a comida que comem. Então eu vou cair fora, não posso fazer nada. Mas com o Pedrinho, ele vai fazer o maior clube da América do Sul.

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