Justiça abre caminho para venda da SAF do Vasco, mas impõe novas condições
Vasco avançou no processo de venda da SAF após decisão da Justiça, que determinou edital e abriu espaço para novos interessados.

A Justiça deu um novo passo para a venda da SAF do Vasco nesta quarta-feira. O juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres determinou a publicação de um edital para divulgar a alienação da UPI Equity, unidade que concentra o controle acionário da SAF.
A decisão pode abrir espaço para novos interessados na compra do controle do Vasco da Gama. No entanto, a venda ainda não foi autorizada. O magistrado também não liberou, neste momento, o financiamento DIP.
Antes de tomar uma decisão, o juiz determinou que a Administração Judicial, o watchdog e o gatekeeper apresentem uma manifestação conjunta até 2 de setembro. Depois disso, o processo de alienação da UPI Equity deverá ser concluído até 4 de setembro, antes do fechamento da janela de transferências.
A determinação ocorre após a proposta vinculante da Almirante Participações, que deseja assumir o controle da SAF do Cruzmaltino. O grupo ofereceu R$ 500 milhões, mas a operação foi alvo de questionamentos. Um dos principais envolve os cerca de R$ 270 milhões que a empresa já emprestou ao Clube.
Na avaliação da Justiça, esse passivo pode dar vantagem à Almirante e dificultar uma disputa efetiva. Por isso, o edital busca identificar outros possíveis compradores e verificar se existe concorrência real pela SAF do Gigante da Colina.
Outro ponto levantado é a falta de uma avaliação independente das ações da SAF. Para o magistrado, o valor mínimo da operação deve considerar uma avaliação independente. A medida busca preservar o valor dos ativos envolvidos na venda.
A Justiça também apontou riscos relacionados à arbitragem entre o Vasco e a 777 Carioca LLC sobre a titularidade das ações. Se o clube não prevalecer na disputa, existe a possibilidade de a operação transferir apenas parte do controle. Nesse cenário, o valor destinado ao Time de São Januário poderia ficar abaixo dos R$ 500 milhões oferecidos.
A situação financeira do Vasco também foi considerada na decisão. Desde a homologação da recuperação judicial, em dezembro de 2025, foram contratados R$ 120 milhões em empréstimos. O clube busca ainda mais R$ 150 milhões e tem uma projeção de prejuízo de aproximadamente R$ 300 milhões até o fim de 2026. Agora, a Justiça analisará as manifestações e eventuais novas propostas antes de decidir sobre a venda da SAF.