Jorginho relembra jogo entre Vasco e Grêmio em 2000 e projeta novo duelo

Jorginho afirmou que anos sem vitórias em Porto Alegre podem atrapalhar o Vasco a quebrar este tabu diante do Grêmio.

Jorginho durante o jogo contra o Sport
Jorginho durante jogo contra o Sport pela Série B 2022 (Foto: Daniel Ramalho/Vasco)

O Vasco tem poucas vitórias contra o Grêmio em Porto Alegre pelo Brasileirão, mas uma delas foi especial para um título muito importante do clube. Há 25 anos, na campanha da conquista do Brasileirão de 2000, o clube venceu a equipe gaúcha por 1 a 0, o que encaminhou a classificação vascaína para o mata-mata do torneio. O time comandado por Oswaldo de Oliveira derrotou a equipe da casa, que tinha um camisa 10 abusado em ascensão: Ronaldinho Gaúcho.

No dia em que Grêmio e Vasco se enfrentam pelo Brasileirão, nesta quarta-feira, às 21h30 (horário de Brasília), o ge entrevistou o personagem da partida: o ex-lateral Jorginho, campeão brasileiro e da Mercosul pelo Vasco, além de tetracampeão do mundo pela seleção brasileira. O então camisa 2 marcou o único gol da partida, que foi celebrado no melhor estilo Bebeto. Entenda a história abaixo.

O jogo

O Vasco foi para Porto Alegre enfrentar o Grêmio pela penúltima rodada da fase de grupos do Brasileirão de 2000, chamado naquele ano de Copa João Havelange. A equipe fazia uma boa campanha, com 10 vitórias, seis empates e seis derrotas até então.

Mas a fase do Vasco na altura do confronto contra o Grêmio não era boa, e o cenário era parecido com o atual. O clube não vencia a equipe gaúcha há 12 anos em Porto Alegre pela Série A. No Brasileirão, o time vinha de três derrotas seguidas (Botafogo, Internacional e Palmeiras).

Atualmente, o Vasco vive outro jejum: o clube não vence o Grêmio há 19 anos. O time também vem de três derrotas seguidas no campeonato.

Jorginho vivia um bom ano, que ficaria ainda mais especial depois. O lateral, em sua primeira temporada no clube carioca, conquistaria o Brasileirão e a Mercosul no fim de 2000. Mas o ano também era especial na vida pessoal. Ele seria pai pela quarta vez.

Então, a esposa de Jorginho pediu uma homenagem inspirada na lendária comemoração de Bebeto, na Copa do Mundo de 1994, que o lateral estava presente. Era a vez de Jorginho recriar o “embala bebê”.

— A minha esposa tinha falado antes que eu poderia fazer um gol e homenagear nossa filha, nós não sabíamos se era filho ou filha na época. Eu falei: “Vou ver se consigo”. E eu fiz! — riu o lateral, que completou:

— Ali eu já jogava como volante, tinha mais oportunidades de gols do que como lateral. Fiquei muito feliz porque pude homenagear minha filha Isabelle que estava para nascer. Foi um momento maravilhoso, muito especial para mim. Foi uma vibração só.

Mas o gol também foi muito importante para a torcida vascaína. A vitória contra o Grêmio foi determinante para a classificação do clube para o mata-mata do Brasileirão, já que o Vasco foi derrotado por 3 a 0 pelo São Paulo, na última rodada da fase de classificação.

Na fase mata-mata, o Vasco derrotou Bahia, Paraná, Cruzeiro e São Caetano para se sagrar o campeão brasileiro de 2000. Jorginho ressaltou a importância do gol que garantiu o clube nas fases seguintes.

— Não tenho dúvidas. Foi um gol muito importante, que levou a gente a se classificar.

O jogo também teve um fator que deixou a vitória ainda mais especial. Se o Vasco tinha um ótimo time em campo, com Jorginho, Pedrinho, Juninho Paulista, Viola, Luisinho e Mauro Galvão, o Grêmio tinha Zinho, Paulo Nunes e um camisa 10 que já encantava o futebol brasileiro. Ronaldinho Gaúcho teve grande atuação, mas parou em Helton.

— O Ronaldinho estava surgindo com momentos maravilhosos, dribles desconcertantes. Fazia jogadas sensacionais. E ele jogou muito contra a gente. Teve várias oportunidades, eles nos pressionaram muito. Mas conseguimos sair com a vitória depois desse gol que eu fiz.

Tabu entra em campo?

Nesta quarta-feira, o Vasco entra em campo para tentar derrubar um tabu ainda maior. Em 2000, o clube não vencia o Grêmio em Porto Alegre pela Série A há 12 anos. O jejum atual já beira os 19 anos. Para o ex-jogador e atual técnico, sem clube no momento, os tabus entram em campo, sim.

— Tabu entra em campo. Apesar da mudança de jogadores do elenco, fica esse estigma de 12 anos sem vencer. Fica esse peso. O jogador tem que saber trabalhar essa situação para não interferir na atuação dele.

Jorginho disse que historicamente é difícil para qualquer equipe bater o Grêmio em Porto Alegre, mas que os anos sem vitórias podem ter um peso a mais que atrapalhe o Vasco a quebrar este tabu.

— É sempre muito difícil enfrentar o Grêmio lá. É uma equipe muito forte dentro da sua casa, mesmo não estando em um grande momento. É uma equipe que não se entrega, que é forte fisicamente. E principalmente para o Vasco, que tem números baixos em vitórias fora de casa. Talvez isso atrapalhe a história entre Vasco e Grêmio dentro da casa do Grêmio.

Jorginho quebrou o jejum há 25 anos. Agora, é a vez do atual elenco tentar fazer a própria história. O Vasco entra em campo às 21h30 (horário de Brasília), na Arena do Grêmio, onde nunca venceu o rival desta quarta-feira.

Fonte: Globo Esporte

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