Jorginho Paulista relembra momentos pelo Vasco em live do Canal Vasco Notícias

Convidado especial do Vasco Notícias nesta segunda (18), Jorginho Paulista relembrou, entre outras coisas, a conquista do Brasileiro de 2000.

Raphael Fernandes
Por Raphael Fernandes
-  18 de janeiro de 2021 às 23:45-  Atualizada em 19 de janeiro de 2021 às 01:40
Jorginho Paulista comemorando gol pelo Vasco na final do Brasileirão de 2000

Celebrando os 20 anos da conquista do Brasileirão de 2000, também conhecido como Copa João Havelange, o Canal Vasco Notícias entrevistou, na noite desta segunda-feira (18), o ex-lateral-esquerdo Jorginho Paulista, autor do segundo gol do Vasco da Gama na vitória por 3×1 diante do São Caetano, no Maracanã, em 18 de janeiro de 2001, que deu o tetracampeonato da competição ao Gigante da Colina.

No bate-papo, realizado em formato de live com duração de cerca de uma hora, Jorginho relembrou o título e seu gol, além de momentos de bastidores daquele período, e comentou o atual momento do Gigante da Colina.

Confira tópicos da live do Canal Vasco Notícias com Jorginho Paulista

Chegada ao Vasco com 20 anos

– Vim do Athletico-PR com 20 anos. Cheguei no vestiário e só tinha jogador consagrado. Pra mim foi um aprendizado conviver com jogadores como Jorginho, Valber, Romário… O Vasco era um dos melhores times do Brasil, até em questões financeiras. Quando cheguei, o Felipe já não queria mais jogar como lateral-esquerdo e o Gilberto estava lesionado, então, era uma responsabilidade tremenda pra mim. No meu primeiro jogo, comecei no banco e entrei no segundo tempo. Depois, no jogo seguinte, já assumi a titularidade e não saí mais.

Disputa de posição com Felipe e relacionamento entre o elenco

– Os treinos sempre eram sérios. Muita gente diz que o Romário não treinava, mas ele treinava, sim, tanto no Vasco quanto com seu personal particular. E ele era muito exigente. Às vezes treinávamos cruzamento, e ele ora queria a bola rasteira, ora a meia altura. Se eu errasse, ele reclamava. O Mauro Galvão me posicionava, Odvan, Nasa, que ninguém fala… O que ele fazia por todos do time era espetacular. Em relação ao Felipe, a convivência era boa. Se eu não estivesse rendendo, o Oswaldo (de Oliveira) e depois o Joel (Santana) iriam colocá-lo. O grupo se dava bem, um tirava sarro do outro. Fazíamos churrasco na casa um do outro. O Romário às vezes levava a gente pra balada… Quando vou ao Rio, às vezes jogo futevôlei com Felipe e Pedrinho.

Surpresa com SBT estampado na camisa para final contra o São Caetano

– Olha, foi surpresa para todo mundo. Só quem sabia era o próprio Eurico e os roupeiros, que têm acesso aos uniformes antes da gente. Quando chegamos ao vestiário, pensamos: ”Vai dar m… isso”. O jogo iria passar na Globo. A gente disse: ”Ele (Eurico) é mafioso mesmo. O cara é louco” (risos). Até hoje eu tenho a camisa guardada. Tem amigos que me pedem ela, mas não tem como eu dar. É preciosidade.

Modelo de gestão de Eurico Miranda

– Com certeza, ele foi muito importante para o Clube. Ele era Vasco até o final. Porém, a administração em si, em clubes que eu vejo com o Vasco, que têm esse sistema de Conselho, eu acho que já está ultrapassado. O Vasco diminuiu as cotas de televisão… Se você me perguntar se houve uma má administração por parte do Eurico, eu digo que sim. Da forma ”coronelista” que ele fazia, mesmo que fosse passar pelo Conselho, ele tinha os caras na mão. Ele tinha essa força nos bastidores. E até mesmo no Clube dos 13 também. Ele sempre brigou pelo Vasco, não tenho nada pra falar dele em relação a isso. Só sobre o jeito de administrar mesmo.

Gol contra o São Caetano e título mais marcante (Brasileiro x Mercosul)

– Foi o Brasileiro contra o São Caetano. E não só pelo gol… O Maracanã tava lotado de vascaínos, uma atmosfera incrível. E só os vascaínos torciam pelo nosso título, o restante todo do Brasil queria o São Caetano campeão, até pela questão da comoção da queda do alambrado. O título da Mercosul também foi muito marcante. Chegamos no vestiário cabisbaixos e fomos orientados pelo Joel (melhor treinador que eu já tive no quesito de mudar o panorama de um jogo no intervalo, inclusive) a nos organizar apenas pra não tomar mais gols, mas aí veio a virada incrível. Foi muito legal a volta para casa, a gente chegando no Santos Dumont (aeroporto) e sendo recebidos pela torcida… Com certeza para os torcedores o título contra o Palmeiras foi mais emocionante, mas o Brasileiro contra o São Caetano me marcou mais.

Partidas mais marcantes pelo Vasco

– A semifinal do Brasileiro, contra o Cruzeiro, foi bastante difícil, devido à qualidade do time deles. Eles ganharam a Copa do Brasil naquele ano. E tinha um sabor especial por ter sido contra o Felipão, que foi quem me debutou no futebol, pelo Palmeiras. Foi com ele que eu estreei como profissional. E outros jogos marcantes pra mim foram contra o River Plate, que ganhamos por 4×1 no Monumental de Núñez, e contra o Rosário Central, que foi para os pênaltis e eu até bati um. Perguntaram se eu batia, eu disse que sim, e felizmente fiz o gol.

Momento do Vasco atual e qualidade do elenco

– Acho que a volta do Vanderlei (Luxemburgo) é importante, até porque ele já treinou o time em 2019 e conhece boa parte dos jogadores. Ao longo dos anos, tenho visto jogadores no Vasco que não podem jogar em time grande. Não é só no Vasco. São jogadores de nível Série B, Série C… Tem que ser revista a forma de contratação. O Vasco é um clube que tem receita, a torcida abraça. Em qualquer lugar do Brasil tem torcedor. Tem que mudar a gestão do clube. O Vasco é um clube conhecido até fora do país. Não pode estar na situação que está.

Retorno ao Vasco em 2005 e problemas com Renato Gaúcho

– Esse ano, 2005, foi, pessoalmente falando, bastante difícil para mim. Eu me separei da minha ex-esposa, e isso deu uma desfocada da minha carreira. Quando cheguei, já tinha mudado o treinador e tinham muitos meninos que estavam no profissional há pouco tempo, como Ygor, Thiago Maciel, Coutinho. Antes do Renato (Gaúcho) chegar, o Romário tinha um time de pelada e me chamou uma vez para jogar. Aí fui eu e Alex Dias. Lá, o Renato também estava, e aí o Romário falou com ele sobre a oportunidade de treinar o Vasco, que era um trabalho a cara dele. Aí, num jogo contra o Santos, eu falhei num gol, em que fui tentar salvar um passe errado de um companheiro, e o Renato me culpou. Aí ele botou o Diego, outro lateral que tinha no elenco, pra aquecer. Eu não ouvi na hora, mas um repórter da Globo disse que ele falou que iria tirar o ”Zico”, e isso eu achei falta de respeito comigo. Já encontrei ele algumas vezes recentemente, nos cumprimentamos, mas achei que falou respeito da parte dele naquele episódio.

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