Crise na SAF paralisa mercado do Vasco e compromete chegada de reforços
Com mudanças no comando, Vasco da Gama sofre com concorrência de rivais e segue sem treinador a menos de duas semanas da volta do Brasileiro.

A crise política no Vasco voltou a afetar diretamente o planejamento do clube para a sequência da temporada. Após a decisão judicial que resultou no afastamento de Pedrinho da presidência da Vasco SAF, as tratativas por reforços na janela de transferências do meio do ano sofreram uma paralisação quase completa.
Com isso, a responsabilidade pelas negociações passou a ser da interventora Samantha Longo, que assumiu a função de avaliar a viabilidade financeira de cada operação, mas deixou o cargo na última semana. A constante troca de comando tem impedido avanços concretos no mercado.
Antes da instabilidade na SAF, a diretoria vascaína tinha como alvos principais a chegada de um volante para atuar ao lado de Thiago Mendes e de um zagueiro destro, com boa presença no jogo aéreo. No entanto, a interrupção do processo de negociações abriu espaço para a concorrência de outros clubes interessados.
Um dos casos mais avançados era o do volante colombiano Nelson Deossa. A negociação, que era tratada internamente como bem encaminhada, perdeu força após o afastamento de Pedrinho. Nesse cenário, River Plate e Hull City monitoram a situação e podem entrar de forma decisiva na disputa pelo atleta.
Na defesa, o panorama segue semelhante. O Vasco iniciou conversas por Arthur Chaves, do Hoffenheim, da Alemanha, nome aprovado por Renato Gaúcho, então treinador da equipe. O defensor, que já atuou ao lado de Robert Renan na Seleção Brasileira Olímpica, era visto como prioridade para o setor defensivo.
Com o agravamento da crise institucional, as tratativas esfriaram, e o São Paulo passou a ocupar posição mais favorável na disputa. O clube alemão, por sua vez, só aceita uma venda em definitivo e já rejeitou investidas iniciais da equipe paulista.
A instabilidade na gestão da SAF também passou a gerar desconfiança no mercado. Clubes detentores de direitos econômicos de jogadores monitorados pelo Vasco têm exigido garantias financeiras mais sólidas antes de prosseguir com qualquer negociação.
O cenário remete ao período da administração da 777 Partners, quando atrasos em pagamentos de contratações como as de Juan Sforza, junto ao Talleres, e Puma Rodríguez, junto ao Nacional, aumentaram a insegurança de outros clubes.
Faltando 12 dias para o retorno do Brasileiro, contra o Vitória, no Barradão, o Vasco tem apenas um reforço confirmado até o momento: o lateral-esquerdo Paulinho, de 22 anos. O jogador, que atuava pelo América-MG, já havia assinado um pré-contrato antes da abertura da janela e chegou ao clube como oportunidade de mercado.
A turbulência nos bastidores também atingiu a busca por um novo treinador. Desde a saída de Renato Gaúcho, em 18 de junho, o Clube chegou perto de fechar com dois nomes, mas viu ambos os processos fracassarem.
Franclim Carvalho optou por permanecer no Botafogo após avaliar o cenário vascaíno, enquanto Fernando Seabra chegou a aceitar a proposta e tinha viagem programada ao Rio, mas o acordo não foi concluído devido a impasses entre Vasco e Coritiba sobre o pagamento da multa rescisória, estimada em cerca de R$ 5 milhões.