Futebol 7 Feminino: Eliane Schossler fala sobre carreira, preconceito e inspirações

Eliane Schossler falou sobre a carreira e expectativa pela disputa da Liga das Américas de Futebol 7 feminino.

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Por Altair Alves
-  29 de novembro de 2020 às 15:43-  Atualizada em 29 de novembro de 2020 às 15:43
Eliane Schossler, jogadora de de Futebol 7 do Vasco da Gama


É sempre empolgante falar sobre o futebol feminino. Mas quando se fala, a pauta vira e mexe se volta ao preconceito, as dificuldades, e a desigualdade comparado ao futebol masculino. Essas pautas, infelizmente, ainda são recorrentes. Há uma evolução sim, mas há um caminho muito longo a trilhar.

Mas a Rádio Cidade não quer lamentar, e sim reconhecer e, aplaudir, quem já fez e faz. Para ‘correr atrás de uma bola’ é preciso determinação e coragem. A missão vai além de abrir caminhos até o gol, é abrir espaço para quem está vindo. Eliane Schossler, 30 anos, moradora de Brusque representa o município em competições país e hoje é inspiração.

Com sete anos, a guria, de Alecrim no Rio Grande do Sul, inspirada na irmã, começou os primeiros toques, gols, e os desafios. Ao longo do tempo, competições, mudanças de cidades e muito empenho para estar nas quadras. A maior dificuldade, aliar, um trabalho com o esporte. “Peguei o gosto e comecei, são anos de experiência, de obstáculos. Infelizmente não se vive financeiramente jogando futebol no Brasil, pelo menos, não nós mulheres. Então nesse tempo, muitos foram os perrengues. Mas muita coisa valeu e vale a pena”, afirmou ela.

Eliane teve uma boa passagem pelo Avaí, com títulos e atualmente defende as cores do Vasco da Gama. “Eu jogo no MW FC aqui em Brusque e o empresário que hoje batalha e patrocina o time, nos viu jogando e nos chamou. Antes era Avaí e agora Vasco. Reúne meninas de todo o Estado para jogar, as vezes os treinamentos são em Itapema ou então, Florianópolis”, explicou.

Em 2020, representando o Vasco, a equipe de Eliane foi campeã carioca. “É um calendário cheio, muita competição acumulou por causa da pandemia, mas a gente tem desde janeiro competições. Estamos na fase final da Liga Nacional e na próxima semana vamos a Porto Alegre disputar a Liga das Américas que vale vaga para o Campeonato Mundial na Rússia”, contou.

O preconceito

Quem vive no meio ainda sente o preconceito. Eliane explica que houve uma mudança, melhorou, mas ainda existe. “Começamos pela parte financeira, a uma diferenciação muito grande. E outra coisa que a gente escuta é que lugar de mulher não é no campo, esbarramos muito nisso”.

Futuro

Com tantas conquistas nas quadras e na vida, Eliane, quer mais. “Eu quero jogar por muito tempo, é um amor, uma paixão. Não é pelo dinheiro. Também penso em quem apoia, quem valoriza esse meio, tem muita gente engajada. E principalmente seguir, para que mais gente entre, se inspire. Assim como teve alguém que lutou para que eu estivesse aqui. É preciso abrir espaço, tem muita menina nova que precisa dessa nossa sequência, da nossa permanência”, afirmou.

Inspirações

Sobre ter um ídolo, a volante, diz ter muitos. “Quando alguém nos faz ser melhor a gente precisa se inspirar, não somente no futebol, mas na vida. Claro, no meio a gente tem a Marta, temos a Amandinha no futsal, o Falcão, enfim, são muitas pessoas que lutaram e abriram portas, que passaram por inúmeros desafios”, concluiu.

Fonte: Rádio Cidade