Fatores que explicam a derrota do Vasco para o Bahia

O Vasco da Gama cometeu vários erros contra o Bahia, carece de criatividade no meio-campo e demonstra dependência de Benítez.

França Fernandes
Por França Fernandes
-  8 de outubro de 2020 às 10:51-  Atualizada em 8 de outubro de 2020 às 10:51
Ramon Menezes orientando jogadores do Vasco contra o Bahia
Ramon Menezes orientando jogadores do Vasco contra o Bahia (Foto: AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO)
data-full-width-responsive="true"

Com a chegada do técnico Ramon Menezes, o Vasco teve um ótimo início de Campeonato Brasileiro e figurou nas primeiras colocações. No entanto, nos últimos jogos, a equipe perdeu o rumo e o ‘Ramonismo’ deu lugar a questionamentos sobre o trabalho do comandante. São quatro partidas sem vencer com muitos erros defensivos e a chamada ‘Benítez-dependência’.

Na derrota desta quarta, em Salvador, o que se viu foi um time facilmente envolvido pela marcação adversária, preso, carecendo de criatividade no meio-campo. Sem Andrey e Martín Benítez, o Vasco não conseguia oferecer perigo ao adversário e a jogada se perdia em pontas improdutivos e fracas atuações de Talles Magno e Vinícius.

Sem o meio-campista argentino, a bola não chega em Germán Cano, que não marca há cinco partidas, desde a vitória sobre o Botafogo por 3 a 2, com passe de Benítez. Ao longo desse incômodo jejum, pode-se perceber que a bola pouco chegou em condições para centroavante finalizar e Ramon não consegue encontrar soluções para a ausência do meia.

Contra o Bahia, ele escalou um meio-campo com Marcos Jr, Bruno Gomes e Fellipe Bastos. Porém, não foi feliz no que pensou, e o time tornou-se lento e previsível. Faltava o motor do time, o jogador diferenciado, que em um lampejo pode decidir com um passe ou uma bela jogada. Mesmo assim, o técnico não pode ficar refém de apenas uma maneira de jogar e precisa trazer alternativas e variações táticas para adaptá-las de acordo com o seu adversário.

Na parte defensiva, por sua vez, o Vasco voltou a falhar e cometer deslizes de posicionamento. Mesmo com a trinca do meio-campo, a cobertura dos laterais não foi bem feita e ambos os lados foram desbravados com facilidade pelos adversários. Em noite desastrosa, Pikachu e Henrique estavam totalmente perdidos no jogo, e todos os três gols do Bahia surgiram de falhas dos dois laterais.

No primeiro, Clayson teve liberdade nas costas do camisa 22, e cruzou com tranquilidade para Rossi se antecipar, deixar Henrique para trás e balançar as redes. Vinte minutos depois, o zagueiro Ernando, que atuou na lateral, teve enorme liberdade nas costas de Henrique e sem qualquer marcação só teve o trabalho de recuar para Gilberto chutar forte e ampliar.

Por fim, no terceiro, Yago Pikachu errou o corte e deu a bola no pé de Clayson, que dominou e acertou o canto de Fernando Miguel. Apesar dos erros e dos questionamentos da torcida, Ramon defendeu o lateral-direito e Felipe Bastos, que caiu bastante de produção e não tem tido boas atuações.

– Se você pegar o começo do meu trabalho todo mundo elogiava a recuperação dos atletas. O Yago tem uma história no clube, é o lateral que mais fez gols com a camisa do clube. E eu vejo a importância dele. O Felipe é o vice-artilheiro da equipe, e há algumas rodadas era um jogador elogiado, e é um atleta que nós conseguimos recuperar. Temos que apoiar esses atletas, não adianta fazer as vezes o que tenho visto. O atleta sente também, é um jogador do clube, é importante – disse.

Fonte: Lancenet