Ex-jogador do Vasco desabafa sobre situação do Clube: ‘Ninguém aguenta mais’

O ex-zagueiro Géder não escondeu o descontentamento com o momento do Vasco e diz que nem Pedrinho consegue resolve.

Géder em ação pelo Vasco na Copa Mercosul de 1999
Géder em ação pelo Vasco na Copa Mercosul de 1999 (Foto: Matthew Ashton/Getty Images)

CONMEBOL Libertadores, Brasileirão (duas vezes), Mercosul e Torneio Rio-São Paulo. O Vasco teve uma verdadeira época de ouro no final dos anos 90, lembrada até hoje pela sua apaixonada torcida. Mas da virada do século para cá, alegrias como essa têm sido menos frequentes.

O momento vivido pelo clube não mexe apenas com o torcedor, mas também com quem presenciou as verdadeiras “seleções” montadas pelo Cruzmaltino na sua última sequência de conquistas nacionais e internacionais, com nomes como Edmundo, Romário, Juninho Pernambucano e outros.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o ex-zagueiro Géder, que foi revelado em São Januário e participou de todas essas conquistas, desabafou sobre o momento do Vasco, que chega para o duelo desta quinta-feira (12) contra o São Paulo, no Morumbis, à beira do Z-4 e sem vencer há dois jogos no Brasileirão.

Após o bicampeonato estadual em 2015 e 2016, o Cruzmaltino não levantou nenhuma outra taça de mesma relevância. E devido a algumas questões, sobretudo financeiras, sofreu com mais de um rebaixamento à Série B após a primeira queda em 2008.

Géder não escondeu o descontentamento com o momento do clube, que defendeu entre 1997 e 2002. E opinou sobre o trabalho do presidente Pedrinho, seu ex-companheiro dentro dos gramados, que retomou o controle do futebol após litígio com a 777 Partners, que em 2022 comprou 70% das ações da SAF dos cariocas.

Para o ex-zagueiro, apesar das boas intenções de Pedrinho ao se candidatar à presidência para ajudar o seu clube do coração, os esforços não têm se refletido em campo devido à dificuldade pelo delicado momento fora das quatro linhas.

“A gente fica muito triste (com o momento do clube). Eu sou vascaíno, cria da base, ninguém imaginava (que chegaria a esse ponto). A gente torce para que o Pedrinho consiga reverter o quadro, mas a gente vê essa dificuldade, mas não tem como não ficar triste. Ainda mais a gente que iniciou tudo e mais um pouquinho, a gente torce para que o Vasco volte para o seu lugar o quanto antes. É difícil, é triste, mas é uma realidade”, começou por dizer.

“Quando a gente se encontra com os amigos das antigas, nós comentamos, tudo de errado só vem acontecendo com o Vasco. Têm outros clubes em que as SAF’s entraram, tiveram certa dificuldade, mas com o passar do tempo ajeitaram, tudo normal, estão indo bem. E com o Vasco ainda não conseguiram direcionar para o lado positivo, infelizmente”, prosseguiu.

“O Pedrinho é realmente vascaíno, abandonou o trabalho para tentar ajudar o Vasco, mas infelizmente não está conseguindo. A gente fica triste, reza para que, o quanto antes, tentem resolver da melhor forma possível porque ninguém aguenta mais. É muito tempo passando vergonha, um time que não consegue se achar. Vamos rezar, é difícil porque a gente não consegue ajudar”.

Entre as dificuldades, Géder citou o delicado momento financeiro do clube, que impossibilita que o Vasco contrate jogadores de nível para repor outros que não estão rendendo em campo.

“Na época do Eurico perder em casa, esquece, era um negócio bem complicado. Por mais que hoje tenha Coutinho e os demais, não está jogando bem, tem que tirar. Mas como é que muda, como é que contrata da forma que o Vasco está hoje em dia? Contratou um cara igual o Coutinho, que é um dos maiores salários, contratou o Payet, não deu certo, não está performando, como é que faz para mandar embora e contratar outro no lugar? É muito difícil”, disse.

“Você vê o Flamengo, com o time que está ainda continua contratando jogador de nível, que está na Europa. Só tende a melhorar diante ao que eles vêm contratando. Infelizmente, o Vasco não está nesse patamar de estar contratando, independentemente do valor que o jogador venha a ganhar, estar colocando em outro lugar, trazendo um substituto à altura. Difícil, o momento não ajuda”, prosseguiu, antes de finalizar.

“Acho que eles (Pedrinho e Felipe, diretor técnico) não imaginavam o tamanho do problema, entraram tentando ajudar e não conseguem. A gente queria entender também onde está e de que forma consegue resolver porque ninguém aguenta mais. Eles também não estão conseguindo, o Pedrinho, com o networking que tem hoje em dia, entrou para ajudar, a gente sabe do caráter e índole dele, e não consegue. Toda hora é uma situação, um problema diferente, mas não consegue. O tempo está passando, olha há quanto tempo o Vasco vai nessa situação”.

Fonte: ESPN

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