Evoluiu? Compare o Vasco das semis da Copa do Brasil em 2024, 2025 e 2026
O Vasco chegou à semifinal da Copa do Brasil pelo terceiro ano seguido. Veja o que mudou e análise se houve evolução.

O Vasco da Gama chegou à semifinal da Copa do Brasil pelo terceiro ano consecutivo. A equipe que tenta alcançar a decisão em 2026, pela segunda vez seguida, tem diferenças importantes em relação às formações que representaram o clube nas duas temporadas anteriores. A reformulação atingiu praticamente todos os setores e mudou o perfil do elenco. Mas a pergunta permanece: o time atual realmente evoluiu?
Um levantamento publicado pelo ge, neste sábado (07), mostra o tamanho dessa transformação. Dos 11 titulares utilizados na semifinal de 2024, apenas Léo Jardim e Paulo Henrique seguem entre os titulares. Puma Rodríguez e Lucas Piton também atravessaram o período no elenco, embora não tenham mantido a titularidade em todas as formações.
A comparação aponta avanços em determinadas posições, mudanças de protagonismo e também questões que ainda não foram resolvidas. O Gigante de 2026 tem mais alternativas no banco de reservas, além de um elenco com características diferentes, mas isso não significa que seja superior em todos os aspectos.
Defesa: mais opções e uma lateral esquerda definida
A defesa apresenta uma das mudanças mais evidentes. Léo Jardim e Paulo Henrique continuam como referências, mas a dupla de zaga passou por reformulações. Em 2024, João Victor e Léo Pelé formavam o setor. No ano seguinte, Carlos Cuesta e Robert Renan assumiram as posições. Agora, Robert Renan permanece, ao lado de Gabriel.
A presença de Robert Renan representa uma continuidade em meio às mudanças. O zagueiro chegou ao clube em 2025 e se manteve entre os titulares na temporada seguinte. Gabriel, por sua vez, passou a ocupar a vaga ao lado do defensor, enquanto Cuesta, que também fez parte da formação semifinalista do ano passado, está lesionado e não seguirá no clube.
Na lateral esquerda, a situação também mudou. Lucas Piton foi titular em 2024, mas Puma Rodríguez precisou atuar improvisado na posição em 2025. Em 2026, Cuiabano assumiu o setor, oferecendo uma alternativa de origem para a função. Puma, que segue no elenco, ganhou versatilidade e pode atuar em diferentes posições, sendo um trunfo ofensivo interessante pela direita.
O cenário indica uma defesa com mais opções e uma distribuição de funções mais definida. Ainda assim, a mudança de nomes não basta para comprovar uma evolução coletiva: a consistência do sistema defensivo também precisa ser considerada.
Meio-campo: sem Coutinho e Lescano ganha protagonismo
O meio-campo passou por uma transformação importante. Philippe Coutinho foi o principal nome da criação nas escalações de 2024 e 2025. Na formação atual, porém, o camisa 10 deixou São Januário em fevereiro, enquanto Lescano, de forma repentina, aparece como titular na função de articulação e tem se destacado.
A mudança também envolve a composição da dupla de volantes. Em 2024, Hugo Moura e Mateus Carvalho eram os escolhidos. Na semifinal de 2025, Cauan Barros e Thiago Mendes formaram o setor. O capitão segue entre os titulares, mas atua ao lado de Santiago Sosa.
Thiago Mendes se consolidou como uma das principais referências do meio-campo desde o fim de 2025. Sosa, por sua vez, ganhou a posição e passou a dividir com o companheiro as responsabilidades de proteção à defesa. Lescano acrescenta uma dinâmica diferente à construção das jogadas.
A troca representa uma mudança de características e de protagonismo. O time atual tem uma configuração diferente daquela que chegou à final em 2025, mas a comparação entre os jogadores exige observar também o rendimento coletivo e a capacidade de controlar as partidas.
Ataque: de Vegetti e Rayan a Bruno Duarte e Colidio
O setor ofensivo foi o que mais mudou ao longo das três semifinais. Em 2024, o Vasco tinha Vegetti como referência na área, com Puma Rodríguez e Emerson Rodríguez pelos lados. No ano seguinte, Rayan ganhou protagonismo e passou a atuar mais centralizado, enquanto Andrés Gómez e Nuno Moreira ocupavam as pontas.
Em 2026, a formação tem Bruno Duarte como centroavante, com Colidio e Andrés Gómez pelos lados. O colombiano é um dos jogadores de referência da equipe, enquanto o argentino chegou para ampliar as alternativas ofensivas. Bruno Duarte, por outro lado, ainda busca se firmar como o homem-gol do time.
A saída de Vegetti encerrou um ciclo importante. O atacante foi o artilheiro do Vasco nas campanhas de 2024 e 2025, mas perdeu espaço ao longo do período e deixou o clube no início de 2026. Rayan também não está mais na equipe, depois de ter sido um dos principais destaques da temporada passada.
Nesse aspecto, a comparação não aponta uma evolução tão evidente. O Vasco mudou o perfil do ataque e ganhou novas opções pelos lados, mas ainda procura consolidar uma referência ofensiva capaz de assumir a responsabilidade pelos gols. A capacidade de Bruno Duarte de ocupar esse papel é um dos pontos que merecem atenção.
Elenco de 2026 tem mais alternativas, mas precisa transformar isso em resultado
Além das mudanças na equipe titular, o Vasco de 2026 apresenta um elenco renovado e com mais alternativas no banco de reservas. A possibilidade de variar características e substituir jogadores sem depender exclusivamente de improvisações é um dos aspectos positivos do processo de reformulação.
Essa diferença, porém, precisa ser acompanhada de resultados. Em 2024, o Vasco foi eliminado pelo Atlético-MG na semifinal, depois de perder por 2 a 1 na ida e empatar por 1 a 1 em São Januário. Em 2025, a equipe avançou diante do Fluminense, chegou à decisão e terminou como vice-campeã após perder a final para o Corinthians.
Na edição de 2026, o desafio é superar o Palmeiras. O Vasco perdeu por 1 a 0 no jogo de ida e precisa vencer em São Januário para seguir na disputa. Uma vitória por um gol de diferença leva a decisão para os pênaltis, enquanto um triunfo por dois ou mais gols garante a classificação direta.
O retrospecto recente mostra que o clube conseguiu manter presença entre os quatro melhores da competição, mas ainda não transformou a sequência em título. O time de 2025 foi o que chegou mais longe, enquanto a formação atual tenta repetir aquela campanha e dar um passo além.
Afinal, o Vasco evoluiu?
A comparação entre as três escalações mostra que o Vasco mudou bastante e apresenta avanços pontuais. A lateral-esquerda tem um jogador de origem na posição, a zaga ganhou novas peças, o meio-campo passou a contar com uma composição diferente e o elenco oferece mais alternativas para a comissão técnica.
Por outro lado, há dúvidas importantes. O ataque ainda procura um centroavante que assuma o protagonismo de Vegetti, e a saída de jogadores como Rayan e Coutinho alterou o peso individual de algumas peças. Além disso, a evolução do elenco precisa aparecer em desempenho consistente dentro de campo.
O Vasco de 2026 parece mais encorpado em termos de opções e tem uma formação com características diferentes das anteriores. Mas afirmar que é superior aos times de 2024 e 2025 exige mais do que comparar nomes: é preciso transformar o investimento e a reformulação em desempenho e conquistas.